sexta-feira, junho 24
Sobre absorver o que alguém teve de bom a oferecer e não se negar a gostar de coisas relacionadas àquela pessoa, pois pessoas fantásticas trazem coisas fantásticas, e o incômodo da lembrança não é justificativa pra rejeitar novidades
A todas as pessoas que já me cativaram e perdemos o contato
quinta-feira, junho 9
Imitona
Vic fez uma postagem das 70 coisas dela porque Eri "desafiou". Bom, ninguém me desafiou, mas eu quero fazer, já que comecei a refletir sobre minhas próprias coisas (mas as minhas são 60).
1. Quase sempre fico com os olhos marejados quando assisto a alguma apresentação amadora de canto em programas de talentos (às vezes por vergonha alheia, se for ruim, e às vezes por um luto de eu ter matado esse sonho em mim mesma);
2. A ideia de me apaixonar me deixa bastante desconfortável por saber o potencial que aquela pessoa tem de me machucar e afetar;
3. Toco violão há 12 anos (ou mais, não lembro) e conheço pessoas que começaram ano passado e tocam melhor do que eu;
4. Eu tenho um transtorno impulsivo compulsivo e morro de medo que algum dia percebam os efeitos;
5. Deixo de comprar várias coisas por não PRECISAR, e depois me arrependo, mas nunca volto pra comprar;
6. Não posso beber vodka;
7. Me incomoda quando exigem que eu tenha uma opinião formada sobre algo que não me importa;
8. Não entendo de política;
9. Sinto um leve preconceito por parte das pessoas de humanas quando falo que curso engenharia;
10. Por anos da minha vida eu pensei em cursar design, mas fiquei com medo de estragar um hobby tornando-o obrigação;
11. Nunca fui de pegar coreografias pra aprender na internet, mas acho o máximo quem sabe as danças certinho;
12. Minha cor favorita é verde;
13. Eu faço piadas quando estou tentando fazer amigos;
14. Muitas vezes essas piadas são mal compreendidas e fica uma situação chata;
15. Posso passar meses sem falar com você e ainda te considerar um melhor amigo, não vejo relação direta entre essas duas coisas;
16. Sobremesa é mandatório;
17. Gosto de rotina e constância pra que seja especial quando fujo dela;
18. Me sinto mais à vontade em festas com menos conhecidos;
19. Nunca quebrei nenhum osso do corpo;
20. Já fiz balé, natação, nado sincronizado, ginástica, vôlei, capoeira, e algumas aulas de ginástica rítmica e hoje sou sedentária;
21. A única vez que entrei numa academia foi numa visita de educação fisica na sétima ou oitava série;
22. Me achava mais madura quando era mais nova;
23. As pessoas dizem que eu era mais madura quando eu era mais nova;
24. Comecei a fazer meu portfolio aos 13 anos, achando que ia ser designer;
25. As pessoas acham que eu sou mais dedicada do que realmente sou;
26. Analiso cada fala e atitude sua caso eu esteja começando a te conhecer e queira que vire amizade;
27. Analiso cada fala e atitude minha revisando o que você pode ter entendido por elas;
28. Tenho gastrite há anos, mas tomo café diariamente;
29. Vez por outra estou anêmica;
30. Vivo com receio de não estar preparada pra situações adversas, então minha mochila da faculdade tem milhares de coisas que uso de vez em nunca;
31. Adoro beijinhos e abracinhos e carinhos de quem eu gosto;
32. Tenho problemas reais com beijinhos e abracinhos e carinhos de quem eu não gosto;
33. Descobri o feminismo através de uma prima minha de quem eu tirava onda por só falar disso;
34. Atualmente eu só falo disso;
35. Eu esqueço os níveis de preconceito das pessoas em geral;
36. Me rodeio de pessoas maravilhosas que me permitem esquecer;
37. Tenho aprendido a reconhecer quando sou grossa desnecessariamente;
38. Do tempo que passo acordada num dia, a maior parte é passada na faculdade;
39. Já tive um psicólogo uma vez que durou por 2 sessões. Ele não falava;
40. Muitas vezes me convenço de que gosto de alguém só porque a pessoa gosta de mim e depois canso e sumo;
41. Minha insegurança se mostra quando fico receosa de que pessoas que acho interessantes não me achem interessante de volta;
42. Quando eu brincava sozinha, minhas pollys namoravam entre si;
43. Até hoje ouço comentários de "você nem parece lésbica", e acho ofensivos;
44. Tenho menos de 1m50 de altura e não me incomodo;
45. Boto muita fé que devemos falar sobre o que nos incomoda várias vezes, até virar comum e não incomodar mais;
46. Tenho essa tendência de fazer coisas inúteis quando podia estar dormindo ou estudando;
47. Quase sempre que digo a mim mesma "depois eu faço", eu não faço;
48. Na primeira vez que joguei confesso, confessei pra minha prima que eu mentia sobre coisas pra que ela achasse que nós tínhamos mais em comum do que na realidade (e esse foi o primeiro passo na direção de desenvolver uma personalidade que não se espelhasse nos outros);
49. Quero que signos parem de acertar nas personalidades alheias para que eu possa parar de acreditar, porque não faz sentido fazer sentido, mas faz;
50. Amo meu apelido;
51. Quando tento falar algo em espanhol, misturo com um francês em sotaque tosco e nada faz sentido;
52. Minha primeira impressão das pessoas geralmente está errada;
53. Geralmente rio de verdade com coisas na internet. Vai além do "kkk";
54. Adoro desenhar, mas me incomoda que comentem (positiva ou negativamente) sobre qualquer desenho que eu faça despretensiosamente;
55. Raramente bebo água quando estou em casa;
56. Não posso doar sangue porque nunca tive o peso necessário;
57. Eu costumava destruir os cigarros de uma tia minha pra que ela parasse de fumar;
58. Redes sociais destroem minha vida, mas não consigo ficar longe sabendo que as outras pessoas estão lançando informações constantemente nelas;
59. Já aconteceu várias vezes de eu anotar "fazer reflexão crítica sobre a vida" na minha agenda em épocas em que achei que estava só existindo, não vivendo;
60. Eu reclamo mais como uma coisa social do que por realmente me incomodar com coisas da faculdade. (retiro o que disse)
1. Quase sempre fico com os olhos marejados quando assisto a alguma apresentação amadora de canto em programas de talentos (às vezes por vergonha alheia, se for ruim, e às vezes por um luto de eu ter matado esse sonho em mim mesma);
2. A ideia de me apaixonar me deixa bastante desconfortável por saber o potencial que aquela pessoa tem de me machucar e afetar;
3. Toco violão há 12 anos (ou mais, não lembro) e conheço pessoas que começaram ano passado e tocam melhor do que eu;
4. Eu tenho um transtorno impulsivo compulsivo e morro de medo que algum dia percebam os efeitos;
5. Deixo de comprar várias coisas por não PRECISAR, e depois me arrependo, mas nunca volto pra comprar;
6. Não posso beber vodka;
7. Me incomoda quando exigem que eu tenha uma opinião formada sobre algo que não me importa;
8. Não entendo de política;
9. Sinto um leve preconceito por parte das pessoas de humanas quando falo que curso engenharia;
10. Por anos da minha vida eu pensei em cursar design, mas fiquei com medo de estragar um hobby tornando-o obrigação;
11. Nunca fui de pegar coreografias pra aprender na internet, mas acho o máximo quem sabe as danças certinho;
12. Minha cor favorita é verde;
13. Eu faço piadas quando estou tentando fazer amigos;
14. Muitas vezes essas piadas são mal compreendidas e fica uma situação chata;
15. Posso passar meses sem falar com você e ainda te considerar um melhor amigo, não vejo relação direta entre essas duas coisas;
16. Sobremesa é mandatório;
17. Gosto de rotina e constância pra que seja especial quando fujo dela;
18. Me sinto mais à vontade em festas com menos conhecidos;
19. Nunca quebrei nenhum osso do corpo;
20. Já fiz balé, natação, nado sincronizado, ginástica, vôlei, capoeira, e algumas aulas de ginástica rítmica e hoje sou sedentária;
21. A única vez que entrei numa academia foi numa visita de educação fisica na sétima ou oitava série;
22. Me achava mais madura quando era mais nova;
23. As pessoas dizem que eu era mais madura quando eu era mais nova;
24. Comecei a fazer meu portfolio aos 13 anos, achando que ia ser designer;
25. As pessoas acham que eu sou mais dedicada do que realmente sou;
26. Analiso cada fala e atitude sua caso eu esteja começando a te conhecer e queira que vire amizade;
27. Analiso cada fala e atitude minha revisando o que você pode ter entendido por elas;
28. Tenho gastrite há anos, mas tomo café diariamente;
29. Vez por outra estou anêmica;
30. Vivo com receio de não estar preparada pra situações adversas, então minha mochila da faculdade tem milhares de coisas que uso de vez em nunca;
31. Adoro beijinhos e abracinhos e carinhos de quem eu gosto;
32. Tenho problemas reais com beijinhos e abracinhos e carinhos de quem eu não gosto;
33. Descobri o feminismo através de uma prima minha de quem eu tirava onda por só falar disso;
34. Atualmente eu só falo disso;
35. Eu esqueço os níveis de preconceito das pessoas em geral;
36. Me rodeio de pessoas maravilhosas que me permitem esquecer;
37. Tenho aprendido a reconhecer quando sou grossa desnecessariamente;
38. Do tempo que passo acordada num dia, a maior parte é passada na faculdade;
39. Já tive um psicólogo uma vez que durou por 2 sessões. Ele não falava;
40. Muitas vezes me convenço de que gosto de alguém só porque a pessoa gosta de mim e depois canso e sumo;
41. Minha insegurança se mostra quando fico receosa de que pessoas que acho interessantes não me achem interessante de volta;
42. Quando eu brincava sozinha, minhas pollys namoravam entre si;
43. Até hoje ouço comentários de "você nem parece lésbica", e acho ofensivos;
44. Tenho menos de 1m50 de altura e não me incomodo;
45. Boto muita fé que devemos falar sobre o que nos incomoda várias vezes, até virar comum e não incomodar mais;
46. Tenho essa tendência de fazer coisas inúteis quando podia estar dormindo ou estudando;
47. Quase sempre que digo a mim mesma "depois eu faço", eu não faço;
48. Na primeira vez que joguei confesso, confessei pra minha prima que eu mentia sobre coisas pra que ela achasse que nós tínhamos mais em comum do que na realidade (e esse foi o primeiro passo na direção de desenvolver uma personalidade que não se espelhasse nos outros);
49. Quero que signos parem de acertar nas personalidades alheias para que eu possa parar de acreditar, porque não faz sentido fazer sentido, mas faz;
50. Amo meu apelido;
51. Quando tento falar algo em espanhol, misturo com um francês em sotaque tosco e nada faz sentido;
52. Minha primeira impressão das pessoas geralmente está errada;
53. Geralmente rio de verdade com coisas na internet. Vai além do "kkk";
54. Adoro desenhar, mas me incomoda que comentem (positiva ou negativamente) sobre qualquer desenho que eu faça despretensiosamente;
55. Raramente bebo água quando estou em casa;
56. Não posso doar sangue porque nunca tive o peso necessário;
57. Eu costumava destruir os cigarros de uma tia minha pra que ela parasse de fumar;
58. Redes sociais destroem minha vida, mas não consigo ficar longe sabendo que as outras pessoas estão lançando informações constantemente nelas;
59. Já aconteceu várias vezes de eu anotar "fazer reflexão crítica sobre a vida" na minha agenda em épocas em que achei que estava só existindo, não vivendo;
Xu
quarta-feira, junho 8
70
Erivanderson, nascido pra brilhar, me desafiou a listar 70 fatos sobre mim, e eu pensei que não ia conseguir. Surpreendentemente, porém, consegui, e nem foi tão difícil assim. Então, a quem interessar possa, aí vão 70 fatos que acho importantes por algum motivo.
1. minha cor favorita é cor-de-rosa
2. já pintei o cabelo de roxo, rosa e azul
3. gosto de puxar papo com desconhecidos, mas
analiso-os bem antes de me atrever a dizer "oi"
4. faço amizade facilmente com porteiros,
zeladores, secretárias e vigilantes
5. me esqueço dos meus problemas subindo no
telhado do meu prédio, ilegalmente
6. subo no telhado do meu prédio sempre
acompanhada, para ser seduzida pelo horizonte
7. tenho muito medo de deixar de ser eu
8. tento aproveitar todos os momentos
9. choro quando me dou conta de que não estou
aproveitando minha vida plenamente
10. amo dançar, e danço mal, mesmo, mas danço
até as pernas ficarem bambas
11. para sair do sedentarismo, comecei a fazer
balé clássico
12. me orgulho de meus avanços no balé, embora
não sejam tão incríveis
13. já fiz ginástica rítmica
14. quando criança, me sentia adulta
15. quando cansei de usar franja, fui até o
banheiro com uma tesoura e cortei fora
16. todos ficaram loucos quando fiz isso,
porque eu podia ter me cortado, e eu só pensava: "até parece que eu sou
uma criancinha!" eu tinha 5 anos
17. arranquei todos os meus próprios dentes de
leite, menos um
18. minha primeira queda foi aos 2 anos de
idade, quebrei dois dentes
19. em meu pior pesadelo, estrelava zé vampir,
da turma do penadinho
20. criança, fazia a camisolinha de seda de
saia e fingia dançar dança do ventre
21. já fiz um curso de dança do ventre
22. já fiz um curso de teatro
23. já fui muito tímida, e ainda sou, mas
aprendi a ser maluca
24. fiz parte da edição do jornal da minha
escola
25. prestei vestibular para 4 cursos
diferentes - engenharia eletroeletrônica, história, psicologia e design gráfico
-, porque não sabia, mesmo, o que queria fazer da minha vida
26. passei em todos os vestibulares que fiz
27. recusei uma bolsa integral em uma
faculdade particular sem saber o resultado da universidade pública
28. sou péssima em entrevistas de trabalho
29. a meus olhos, sou péssima em apresentações,
embora seja frequentemente elogiada
30. sou extremamente perfeccionista e
autocrítica e, embora isso resulte em bons trabalhos, resulta também numa
gastrite crônica, ansiedade e noites insones
31. gente desleixada me dá uma agonia na alma
32. odeio atrasos, principalmente se nada foi
dito a respeito
33. odeio quando desmarcam comigo bem em cima
da hora, e já estou pronta há tempos
34. tenho rituais de limpeza para receber
pessoas em casa
35. fico angustiada com a bagunça alheia
36. cultivo e protejo minha bagunça, com unhas
e dentes
37. não amo sushi
38. não amo açaí
39. minha comida favorita é feijão, e vai bem
com arroz, com cuscuz, com banana, com o que mais vier
40. pipoca de panela é minha especialidade
culinária
41. quero estar certa sempre
42. nem sempre estou certa, mas defendo minhas
ideias até o fim
43. morro de vergonha quando sou pega
espalhando algum dado errado
44. já escrevi um livro, mas nunca tive
coragem de publicar
45. morro de medo e de preguiça de lutar pelos
meus sonhos
46. gosto de sair de casa andando, sem rumo,
até os pés cansarem
47. gosto de fazer visitas surpresa
48. adoro receber visitas
49. a minha programação favorita é juntar uns
amigos meio nada a ver pra conversar e comer pizza
50. meus desenhos são propositadamente toscos,
pra ninguém vir e colocar defeito
51. durante uma época de minha vida, costumava
ler dois livros por semana
52. desde que entrei na universidade, li
vários primeiros capítulos de livro
53. desde que entrei na universidade, acho que
li menos que 10 livros por inteiro
54. me apaixono facilmente por qualquer pessoa
ou coisa
55. quase morri de amor uma vez por semana,
nos últimos 20 anos, por pessoas diferentes
56. estabeleço um primeiro contato com
facilidade, mas não sei manter amizades
57. fujo de semi-conhecidos e conhecidos de
quem não gosto tanto assim
58. perco o interesse tão facilmente quanto o
desenvolvo
59. já fui apaixonadinha por pelo menos 3
professores meus
60. curso psicologia, mas não quero ouvir seus
problemas de graça nem os de mais ninguém sendo paga
61. o meu sonho profissional é ser professora
62. nunca brinquei de boneca sendo a mãe das
bonecas, eram sempre minhas irmãs
65. nunca fingi que minhas barbies fossem kens
para namorarem, sempre as assumi como mulheres que relacionavam-se com mulheres
66. brinquei de boneca até os 15 anos de
idade, e aproveito os meus sobrinhos para ainda brincar, de vez em quando
67. já viajei pra caramba, pra dentro e pra
fora do país, mas ainda quero mais, bem mais...
68. sou teoricamente fluente em alguns
idiomas, mas não me arrisco a falar por divertimento
69. beijar na boca é definitivamente um hobby,
embora eu ame tanto paquerar
70. troco facilmente horas de sono por
atividades banais, como a confecção de uma lista de 70 fatos sobre mim
E é isso aí. Até a próxima. Beijocolates,
#V
quarta-feira, abril 20
voar, voar
Foi difícil, muito difícil, mas eu aprendi, enfim, a voar.
O processo todo foi incômodo, mas fascinante. Abri as asas vagarosamente, por timidez, e acabei gostando. Desenhei-as largas, inspirei fundo e inflei o peito - eu estava linda.
Após contemplar a beleza de meu corpo alado, arrisquei bater as asas, só um pouquinho. Me assustei, logo no início, com o ar que o movimento transformo em vento, mas a sensação até que não era tão mal... me fazia cócegas... Ergui a cabeça, aprumei o corpo e decidi que estava na hora. Experimentei acelerar os batimentos e, quando me dei conta do que estava acontecendo, meus pés já não encostavam o chão. Corria, por mim, uma coisa gostosa à qual não pude atribuir nome.
Vislumbrei, por cima das penas, a prisão que tinha chamado de lar por tanto tempo, a velha gaiola em que me haviam posto. Me amaram, sei que amaram, mas erraram pensando ser donos das lindas asas que jamais seriam deles. São minhas, e minhas apenas. As movo a meu gosto, e elas me levam não aonde preciso estar, mas aonde quero e aonde mereço.
Agradeço o carinho, a água e os cereais. Sei que, sem vocês, sequer teria força para expandir-me pelo céu. Mas eu preciso de mais, bem mais que isso. Preciso sentir-me inteira, na completude que se forma de vento, de mim e de minhas belas asas.
É um voo espetacular... vem também voar...
O processo todo foi incômodo, mas fascinante. Abri as asas vagarosamente, por timidez, e acabei gostando. Desenhei-as largas, inspirei fundo e inflei o peito - eu estava linda.
Após contemplar a beleza de meu corpo alado, arrisquei bater as asas, só um pouquinho. Me assustei, logo no início, com o ar que o movimento transformo em vento, mas a sensação até que não era tão mal... me fazia cócegas... Ergui a cabeça, aprumei o corpo e decidi que estava na hora. Experimentei acelerar os batimentos e, quando me dei conta do que estava acontecendo, meus pés já não encostavam o chão. Corria, por mim, uma coisa gostosa à qual não pude atribuir nome.
Vislumbrei, por cima das penas, a prisão que tinha chamado de lar por tanto tempo, a velha gaiola em que me haviam posto. Me amaram, sei que amaram, mas erraram pensando ser donos das lindas asas que jamais seriam deles. São minhas, e minhas apenas. As movo a meu gosto, e elas me levam não aonde preciso estar, mas aonde quero e aonde mereço.
Agradeço o carinho, a água e os cereais. Sei que, sem vocês, sequer teria força para expandir-me pelo céu. Mas eu preciso de mais, bem mais que isso. Preciso sentir-me inteira, na completude que se forma de vento, de mim e de minhas belas asas.
É um voo espetacular... vem também voar...
#V
quarta-feira, outubro 28
Não sou gorda
Ultimamente, tendo muito mais contato do que o de costume com o ponto de vista de pessoas que em alguma altura da vida já foram tidas como 'gordas' pela sociedade devido a um blog que passei a ler, venho percebendo a relação dessa minoria com todas as outras (coisa que eu não percebia antes pela falsa noção de que pessoas acima do peso estão assim por opção). *e mesmo que fosse opção, não deveria ser condenada*
(fonte: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2014/03/vitimas-da-gordofobia.html)
Percebo então as gordofobias diárias que antes me eram invisíveis, assim como passei a perceber os machismos, racismos, as homofobias e a cultura do estupro depois que parei para prestar atenção em falas, músicas, filmes, olhares e em tantas outras sutilezas que agem como alfinetadas na moral de quem as sofre.
Engraçado como as pessoas se acham no lugar de opinar sobre o que faz bem ou mal para você, independente de você poder/querer ou não mudar essa realidade. Quando me diziam que ser gay era arriscado e eu poderia ser vítima de violência, não me fez menos gay. Infelizmente, por vezes já me fez ressentir o fato antes de me aceitar completamente, mas eu não deveria ter passado por um processo para poder me aceitar, isso deveria ter vindo naturalmente, sem negação ou constrangimento, e vejo claramente como isso se aplica a todas as outras minorias, excluídas e marginalizadas.
Então me vejo numa posição de analisar o que eu mesma já fiz que pode algum dia ter marcado negativamente outras pessoas (sinceramente, não foram poucas as vezes que soltei alguma merda verbal sem pensar), e caio nas trocentas falas de "tô tão gorda" que já proferi, e aí está a questão toda.
Então me vejo numa posição de analisar o que eu mesma já fiz que pode algum dia ter marcado negativamente outras pessoas (sinceramente, não foram poucas as vezes que soltei alguma merda verbal sem pensar), e caio nas trocentas falas de "tô tão gorda" que já proferi, e aí está a questão toda.
Para alguém trans, ouvir alguém cis dizer ser trans é revoltante; sendo lésbica, ouvir alguém hétero falar que é gay incomoda e, igualmente, imagino que, como gorda, ouvir alguém magro dizer que está com sobrepeso deve ser o mesmo saco. Essas pessoas que não se encaixam na minoria, mas usam do rótulo como se não significasse nada (não vou entrar agora no mérito de discutir os lados positivos e negativos dos rótulos), ofendem por diminuírem o sofrimento e as provações associadas ao grupo.
Posso estar insatisfeita com meu corpo vez ou outra, como todo mundo tem o direito de estar (assim como todo mundo tem o direito de não estar, independente do que falem), mas acho que devo dizer também que não sou gorda. Nunca passei por situações constrangedoras no ônibus envolvendo a catraca ou recebi olhares feios quando sentei ao lado de alguém, ninguém nunca me aconselhou a ir para um spa ou disse que se eu perdesse um pouquinho de peso talvez eu arranjasse uma namorada. Ninguém esqueceu que eu posso sim escolher com quem eu fico ou deixo de ficar numa festa se alguém indesejado tentar algo comigo e, o mais importante, ninguém esqueceu que eu posso gostar de mim mesma do jeito que estou, sem tirar nem por.
Vivemos num período que vejo como maravilhoso, no qual as pessoas estão abraçando suas individualidades e permitindo as individualidades alheias, mesmo que isso não ainda ocorra em escala global. O "legal" agora é ser você, se aceitar e promover a aceitação do próximo. É se colocar nos sapatos do vizinho e entender que ele tem o direito de viver sem amarras. Promovamos esse movimento, sejamos amor.
Vivemos num período que vejo como maravilhoso, no qual as pessoas estão abraçando suas individualidades e permitindo as individualidades alheias, mesmo que isso não ainda ocorra em escala global. O "legal" agora é ser você, se aceitar e promover a aceitação do próximo. É se colocar nos sapatos do vizinho e entender que ele tem o direito de viver sem amarras. Promovamos esse movimento, sejamos amor.
xu
ingredientes:
#baunilha,
#J,
#x,
gorda,
gordofobia,
preconceito
segunda-feira, março 30
Sem Vergonha
Todos já ouvimos os ensinamentos de Gonzaguinha, cantando junto à melodia: "viver e não ter a vergonha de ser feliz", não é verdade? E muitos de nós vibramos com essa música, já feliz por sabermos que podemos ser felizes sem qualquer peso de consciência moral. Podemos mesmo? Afinal, cada um é feliz a seu próprio modo e, se ser feliz é algo tão subjetivo, quando cantarolamos esse trecho, a que vergonha nos referimos?
Geralmente, pensamos que tem de que se envergonhar quem não sabe manusear bem os talheres, ou quem gosta de sexo sem compromisso, ou quem não conseguiu ser aprovado na prova trimestral. É verdade, nos envergonhamos quando não atendemos aos apelos da sociedade padrão, moralista e hipócrita.
Mas são só os "errados" que sentem-se intimidados?
Observei um pouco a postura de meus amigos diante de alguns assuntos e descobri que não trata-se apenas de fazer coisas "feias". Descobri que um religioso pode ficar bem quietinho, com medo que julguem-no pela sua fé. Descobri que quem não gosta de Coca-Cola pode bebê-la chorando por dentro, sentindo a garganta arder, só para não contrariar a companhia. Descobri que quem gosta de indagar sobre o sentido da vida corre o risco de tornar-se mais um tolo, por inibir a prática, só para não afastar ninguém com um papo "chato".
O que há para se envergonhar em gostar de beijar na boca, não querer se embriagar, admirar Freud, entender aborto como assassinato, acreditar no amor, ir à igreja aos domingos e questionar verdades populares?
É vergonhoso não beijar na boca e olhar torto quem beija. Fazer careta para quem recusa uma dose de tequila, revirar os olhos ao ouvir um argumento contra o aborto, rir de uma declaração amorosa, ridicularizar um compromisso com a igreja, mandar alguém calar a boca quando começa a aprofundar o tema da conversa... Isso, sim, é algo de que vale a pena se envergonhar.
Todos somos diferentes uns dos outros, e jamais nos encaixaremos em qualquer padrão. Nem no "certo", nem no "errado", ou "preto", ou "branco", ou "sério" ou "risível". Nossas qualidades devem ser compreendidas, e respeitadas, mas não tomadas como "aprováveis" ou "reprováveis".
Há um motivo para cada um ter chegado onde chegou e da forma que chegou. Um vegetariano tem motivos para fugir de um filé com fritas, e um conservador tem motivos para não adotar a poligamia, mas esses motivos, que, em um tribunal, lhes serviria como argumentos de defesa, não podem, de modo algum, justificar um ataque.
É fácil reconhecer a vergonha no rosto de quem ultrapassa paradigmas sociais, mas ela domina todos nós. Porque dependemos do outro e do juízo que o outro faz de cada um de nós - se minha roupa está "legal", se meu cabelo está "okay", se minhas olheiras foram "bem cobertas por maquiagem", se meus tópicos de conversa são "interessantes"...
Não podemos esquecer, porém, que o "outro", na verdade, é só mais "um", como nós. Tem suas características próprias, seus desejos e seus receios, assim como todo o resto do mundo, e, embora nos faça caretas, é só isso que nos pode fazer. O mais quem faz é você, se ceder à pressão - e fique firme! Não esconda o seu rosto, nem a si mesmo. Não imponha seus valores aos outros, mas imponha-os a si mesmo. Vista seus ideais, seus hábitos, suas razões, com orgulho, e defenda o que está vestindo. Só não ridicularize quem escolheu uma outra coisa pra vestir - não seria justo, afinal, pedir que o entendam, quando não entende os outros.
Só eu sei onde meu sapato aperta e, se eu quiser trocar as minhas sandálias de salto-alto novinhas por um All-Star surrado, não tente me impedir.
Beijocolates,
VERGONHA DE QUÊ?
Esse sentimento que nos paralisa, de vez em quando, e nos faz corar, constrangidos, tem uma fonte interessante, o conceito de certo e errado. É engraçado como damos valor a esses conceitos, preocupados com o que os outros irão pensar de nossas "boas" maneiras. Mas, afinal, quem disse o que era bom e o que era ruim?Geralmente, pensamos que tem de que se envergonhar quem não sabe manusear bem os talheres, ou quem gosta de sexo sem compromisso, ou quem não conseguiu ser aprovado na prova trimestral. É verdade, nos envergonhamos quando não atendemos aos apelos da sociedade padrão, moralista e hipócrita.
Mas são só os "errados" que sentem-se intimidados?
Observei um pouco a postura de meus amigos diante de alguns assuntos e descobri que não trata-se apenas de fazer coisas "feias". Descobri que um religioso pode ficar bem quietinho, com medo que julguem-no pela sua fé. Descobri que quem não gosta de Coca-Cola pode bebê-la chorando por dentro, sentindo a garganta arder, só para não contrariar a companhia. Descobri que quem gosta de indagar sobre o sentido da vida corre o risco de tornar-se mais um tolo, por inibir a prática, só para não afastar ninguém com um papo "chato".
O que há para se envergonhar em gostar de beijar na boca, não querer se embriagar, admirar Freud, entender aborto como assassinato, acreditar no amor, ir à igreja aos domingos e questionar verdades populares?
É vergonhoso não beijar na boca e olhar torto quem beija. Fazer careta para quem recusa uma dose de tequila, revirar os olhos ao ouvir um argumento contra o aborto, rir de uma declaração amorosa, ridicularizar um compromisso com a igreja, mandar alguém calar a boca quando começa a aprofundar o tema da conversa... Isso, sim, é algo de que vale a pena se envergonhar.
Todos somos diferentes uns dos outros, e jamais nos encaixaremos em qualquer padrão. Nem no "certo", nem no "errado", ou "preto", ou "branco", ou "sério" ou "risível". Nossas qualidades devem ser compreendidas, e respeitadas, mas não tomadas como "aprováveis" ou "reprováveis".
Há um motivo para cada um ter chegado onde chegou e da forma que chegou. Um vegetariano tem motivos para fugir de um filé com fritas, e um conservador tem motivos para não adotar a poligamia, mas esses motivos, que, em um tribunal, lhes serviria como argumentos de defesa, não podem, de modo algum, justificar um ataque.
É fácil reconhecer a vergonha no rosto de quem ultrapassa paradigmas sociais, mas ela domina todos nós. Porque dependemos do outro e do juízo que o outro faz de cada um de nós - se minha roupa está "legal", se meu cabelo está "okay", se minhas olheiras foram "bem cobertas por maquiagem", se meus tópicos de conversa são "interessantes"...
Não podemos esquecer, porém, que o "outro", na verdade, é só mais "um", como nós. Tem suas características próprias, seus desejos e seus receios, assim como todo o resto do mundo, e, embora nos faça caretas, é só isso que nos pode fazer. O mais quem faz é você, se ceder à pressão - e fique firme! Não esconda o seu rosto, nem a si mesmo. Não imponha seus valores aos outros, mas imponha-os a si mesmo. Vista seus ideais, seus hábitos, suas razões, com orgulho, e defenda o que está vestindo. Só não ridicularize quem escolheu uma outra coisa pra vestir - não seria justo, afinal, pedir que o entendam, quando não entende os outros.
Só eu sei onde meu sapato aperta e, se eu quiser trocar as minhas sandálias de salto-alto novinhas por um All-Star surrado, não tente me impedir.
Beijocolates,
#V
terça-feira, fevereiro 3
[EL]-es
Ela guardou
Ele deu
Ela prendeu
Ele soltou
Ela teve medos
Ele teve sonhos
E agora, o quê?
Há sorrisos em ambos os rostos
Sorrisos diferentes
Ela parece ter mais olhos
Ele parece ter mais dentes
Curioso, curioso
E o amor que aflorou num
Desabrocha em outro
Outro, mesmo
Não mais aquele
E tudo ficará bem
Não tenha dúvidas quanto a isso
Ainda que um não faça o bem
Que o outro fazia a um
Porque essa coisa de amar
Revigora e permanece
Quentinha no coração
E ainda que lhe digam "não"
A ele, seu coração
Não se preocupe, que a vontade sincera só cresce
Pois o amor não reconhece
Essa historia de "diminuir"
Beijocolates,
Ele deu
Ela prendeu
Ele soltou
Ela teve medos
Ele teve sonhos
E agora, o quê?
Há sorrisos em ambos os rostos
Sorrisos diferentes
Ela parece ter mais olhos
Ele parece ter mais dentes
Curioso, curioso
E o amor que aflorou num
Desabrocha em outro
Outro, mesmo
Não mais aquele
E tudo ficará bem
Não tenha dúvidas quanto a isso
Ainda que um não faça o bem
Que o outro fazia a um
Porque essa coisa de amar
Revigora e permanece
Quentinha no coração
E ainda que lhe digam "não"
A ele, seu coração
Não se preocupe, que a vontade sincera só cresce
Pois o amor não reconhece
Essa historia de "diminuir"
Beijocolates,
#V
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