quinta-feira, novembro 8

Teste 070

Acontece, assim, de repente.
É bobo, é banal - talvez.
Tudo é ridículo vindo de um apaixonado - quando não estamos apaixonados.
Os poemas mal escritos, quem sabe.
Sonhadores - imaginam milhares de possibilidades.
Extremamente calculistas: qual o próximo passo?
E se...

Neurose existencial: e se?
Esperança reanimadora: e se?
Se um sorriso faz palpitar um coração apaixonado...
O nervosismo vem com força total - péssimo!
Gestos simples e comuns, ganhando, aos poucos, alta complexidade.
Universos paralelos infelizes, contaminando realidades.
Afogando desejos sem direitos equalitários.
Enamorar-se totalmente - embriagar-se.
Mergulhar em um profundo mar de sentimentos e sensações - misturadas, puras, poluídas.
A dor e a alegria se fundem - ego e ID lutando com o superego para ficarem juntos.
Um beijo suave, delicado, no rosto - e então o acordar.
Ao lado do amado, apenas a incerteza; quanto ao sonhador? Divagando em sua própria cama, lutando para voltar ao sono.
Fantasias perfeitas acabadas por um piscar de olhos - assim como começaram.
Quanta besteira! - Não percebe?
Apaixonar é bom e necessário - eleva a imunidade!
Desvaloriza-se quedas e fracassos, mas os ínfimos momentos particulares de felicidade radiante - estes já salvam qualquer machucado.
Não é perfeição, é vida.
Altos e baixos, subidas e descidas suntuosas - a adrenalina jorra nas veias como nunca.
Apenas uma frase incompleta e variável - embora constante.
Tortura a alma e perturba a sanidade - "e se...?"
Arrebente correntes, quebre barreiras, atravesse obstáculos - e sofra um pouco, se por consequência.
Mas lute - e não desista.
Se permita ser um fraco forte - umm fracote?
Um amante, apaixonado...
Deixe estar, apenas - não se preocupe com o próximo passo.

De maneira esquisita, tudo acaba sendo como deve ser - se assim se quer.
Espontâneo, figurado - você, sem neuras.
Amar não é difícil - se é feito com sossego, é tão natural (fácil?)
E mesmo os mais sábios poetas - tanto amaram, tanto se decepcionaram...
Por que não experimentar? - Arrisque-se.
E quem sabe não é o mais maravilhoso petisco que já provou na vida?

Beijocolates,
#V

domingo, novembro 4

Teste 069

Historias momentaneamente suspensas - quem sabe qual balanço domina um coração?

Todo mundo merece umas férias de si mesmo, de vez em quando - quem concorda comigo? Viver na mesmice cansa, inovar é necessário. Tantas regras impostas e tantos detalhes inatingíveis; qual é? Vamos apenas viver!
Rir alto dos rostos repreendendedores quanto à sua gargalhada exagerada é quase tão terapêutico quanto nadar em uma piscina de gelatina (a propósito, que delícia deve ser! Fiquei morta de vontade depois de ler "Se Houver Amanhã", do Sidney Sheldon - quantas mais maluquices devem haver por aí? Haha), é prazeroso, faz bem.
Vestir umas roupas largadas, não usar sutiã, e desabar no sofá para ver uns filmes cujos títulos são bem atraenes, mas dos quais você nunca ouviu falar - provavelmente serão todos maravilhosos, acompanhados de pipoca ou qualquer outro tipo de besteira mastigável, como leite condensado. (Céus, tudo fica bem com leite condensado!)
Ou quem sabe tomar um bom banho e passear, à deriva, com roupas frescas, sem um rumo certo. Apenas andar por aí, só, pensando na vida, mas sem muito tempo para pensar - ocupado demais se desviando dos carros e observando os jardins bem cuidados da vizinhança.
Talvez você carregue algumas notas no bolso e tope com uma sorveteria bem bacana - ao lado dela, a casa da melhor amizade (coincidência?). Visita surpresa numa tarde inicialmente vazia, começando a ser preenchida com fofocas, jogos e música. Uma recuada se o amigo não estiver em casa - quantas outras pessoas podiam acompanhar sua ida à banca de revistas?
Viajar em uma enorme livraria, bem no centro da cidade, e passar horas a fio folheando todos os livros que provavelmente esquecerá de comprar mais tarde. Coleções infindáveis que enchem os olhos de cobiça, mas o mar quebrando suas ondas na praia...
Sentir a brisa bater no seu rosto, salgada, e emaranhar os cabelos, deixar as roupas pesadas e desalinhadas.
Provar a chuva, sem se preocupar se vai pegar um resfriado - talvez dançar, sentindo o corpo ensopar-se.
Gritar o mais alto que pode, escutando o mínimo eco que os altos prédios da cidade deixam voltar - e provavelmente as reclamações dos vizinhos.
Viver, sem medo de ser feliz ou de errar - sem medo de cair, porque sempre poderá se levantar.

Beijocolates,
#V

domingo, outubro 14

Teste 067

Essa historia é de longa data, antiga, de uma época na qual confiávamos em estranhos bem intencionados e as críticas machistas à moral feminina se dissipava, mas ainda era sensível.

QUEBRE A EXCEÇÃO
(Pedro e Alice - nomes meramente ilustrativos)

O dia estava morno e agradável; a brisa, suave, arrastava consigo o queimor dos raios solares, brilhantes e cegos. Tudo exalava um aroma adocicado, como quando se retiram biscoitos do forno. Cães passeavam, junto a seus donos, satisfeitos com a caminhada, enquanto atletas praticavam cooper na pista paralela. O parque estava repleto de famílias sorridentes, estendendo toalhas sobre a grama verde, bem cuidada, para um bom piquinique.
"Vamos, Clara, você consegue!" Estimulou Alice, rindo da adolescente que se desdobrava para rebater a bola. Estavam jogando frescobol, gargalhando das habilidades precárias e comuns às duas, quando um homem aproximou-se, em uma moto, tímido.
"Com licença, você gostaria de dar uma volta comigo?" Perguntou, inocente, esperando por uma resposta - e que fosse de seu agrado. Alice virou-se para a outra, duvidosa, e voltou o olhar para o desconhecido à frente.
"Qual seu nome?" Indagou, curiosa, ao homem de vestes quadriculadas e óculos de armação grossa. Teria, no máximo, 36 anos, não muito mais que ela, e portava um sorriso encantador.
Ele estendeu a mão direita, a fim de cumprimentá-la, e fez uma reverência atípica, engraçada, ao responder: "Pedro é o nome pelo qual atendo." O ar irônico não lhe abandonava os olhos negros, nem um instante sequer.
"Alice é o nome dela" clamou Clara, fazendo a companheira corar pelo objetivismo, e encolheu os ombros quando percebeu a repreensão muda da morena alta, embora de menor estatura que a primeira. Pedro fitava-a, empertigado com o mistério que aparentemente cercava o rosto juvenil dela.
Alice, enfim, sentou no assento da motocicleta e agasalhou as mãos frágeis, macias, nos bolsos da jaqueta de seu recém-apresentado, que, por uma fração de segundo, esqueceu-se de como girar a chave na ignição.
O motor rugiu e o vento começou a bagunçar os cabelos caramelo de Alice, graciosos, como a tal. Rodaram pela grande cidade, sem trocar palavras em meio ao som dos carros passando ao lado, zunindo à resistência física do ar. Quando voltaram ao parque, Clara lia, sossegada, com as costas apoiada em um tronco de árvore. Ela ergueu os olhos na direção dos dois e sorriu, feliz, as madeixas escuras e encaracoladas derramando-se por suas costas.
"Nós podíamos tomar um café" ele sugeriu à mais velha. Alice analisou-o com o sorriso costumeiro e assentiu, ditando-lhe onde poderiam encontrar-se às cinco da tarde. Despediram-se e ela abraçou Clara, satisfeita.
Encontraram-se seis horas mais tarde, em uma cafeteria próxima à casa onde vivia Alice.
"Sua irmã me pareceu bastante simpática" comentava Pedro, bebericando a xícara fumegante de café torrado. Notando a inquietação de sua acompanhante, tomou uma expressão preocupada para si. "O que há, Alice?" Ela soltou o ar de forma pesada e inclinou-se um pouco mais à mesa, hesitante.
"Ouça, Pedro, não sei por que lhe contarei isso, mas peço que não me julgue, está bem?" Ele consentiu, esperando que continuasse. "Clara é minha filha, não minha irmã mais nova. Fui mãe antes da hora e me divorciei, mas..." O homem parecia abatido com a notícia, quase chocado. Endireitou-se na cadeira e remodelou o rosto, com ânimo.
"É uma ótima filha" ele corrigiu, e o sorriso em seus lábios fez sorrir também Alice, em paz memorável.

***

Se foi fácil? Não foi nada fácil. Naquela época, era impura a mulher divorciada, e as críticas da família de Pedro, além da pressão de todos mais, quase os fez desistir - quase. Lutaram como lutam idealistas: contra o mundo, mas conseguiram. Por carinho indubtável, Clara chama de pai o pai de seu irmão mais novo, Lucas, e de tal forma Pedro adentrou a família que não mais se imagina como seria sem ele. O casamento de Alice e Pedro dura até hoje, estão nas bodas de pérola e seguirão às de vinho, se a vida os deixar. O amor brota em novidade a cada dia, e a paixão que parecia frágil e condicional, hoje, a mim, é referencial de persistência.
Não desista nos primeiros obstáculos, vale a pena.

Beijocolates,
#V

terça-feira, outubro 9

Teste 066

OU CONSEQUÊNCIA
(Giovanna e Felipe - nomes meramente ilustrativos)

Ela consultou o relógio mais uma vez, impaciente.
Os risos, altos e escandalosos, faziam ser ouvidos por toda a sala aberta, imensa, mas ele parecia não notar a garota acanhada ao canto, muda.
Levantou-se, vagarosamente, de onde estava sentada, apanhou os cadernos e se pôs a caminhar, frustrada, pelos corredores ensolarados do colégio.
"Gio!" Ouviu chamar, depois de muito tempo passado, e tentou não sorrir ao ver Felipe então correndo em sua direção.
As primeiras gotas de chuva espalharam por suas camisetas, manchando o tecido.
Os corações desritmados, desesperados, mergulhavam no beijo que seguiria, devoto, apaixonado.
Giovanna o olhou com atenção, sentindo a água cair sobre os cabelos com mais intensidade.
"Me namora." Felipe professou, sem ar interrogativo ou qualquer ar que fosse.
Ela sorriu, apenas, puxando-o para mais perto, e um arco-íris formou-se, tímido, com o sol exibindo-se por entre as nuvens pesadas.
O mundo parecia girar ao ritmo de uma música em particular.

Beijocolates
#V

segunda-feira, setembro 10

Teste 065

TIMIDEZ DESFERIDA
(Beatriz e Gustavo - nomes meramente ilustrativos)

Era a primeira vez que aquilo acontecia.
O grande grupo de universitários enfim dispunha de todos os integrantes solteiros; tinham que comemorar. A prima de Victor, um dos estudants de engenharia, finalmente superara o fim dramático de seu último namoro, e foi convidada à festa sem qualquer hesitação. As luzes agitavam-se, misturadas aos corpos dançantes espalhados no grande salão; a música era ensurdecedora. Quando Beatriz chegou à danceteria, estava decidida a, no máximo, trocar alguns beijos frios - "Ou nem mesmo isso", pensou ela, distraída. Encontrou Victor no bar e foi conduzida até o grupo de amigos, trocando sorrisos desajeitados que mencionavam o prazer que tinham em conhecerem-se.
Beatriz já havia dispensado uma dúzia de pretendentes quando um homem alto se aproximou, alegre, com uma pequena garrafa de cerveja em cada mão. Ele a chamou e ela o encarou, atordoada. Podia jurar que nunca o vira antes, mas ele lhe tratava como íntimo. Pediu para que segurasse ambas as garrafas por algum momento e alargou um sorriso bonito.
"Gustavo" anunciou, cortês. Beatriz observou-o atentamente, sentindo o suor gelado do vidro em suas mãos. "Não fomos devidamente apresentados, mas faço parte daquilo ali" meneou a cabeça em direção ao grupo tumultuado no qual Victor se encontrava. Ela revirou os olhos, entoando um discurso sobre não estar interessada, mas não foi capaz de dar continuidade; ele tapou-lhe a boca. Se o mundo fosse como nos desenhos animados, Beatriz estaria vermelha e com uma veia estourando na testa, mas estava apenas com uma expressão desagradável: não o suportava!
As horas passaram e Beatriz corou ao se dar conta de que se divertia. Victor lhe chamou em um código genérico e familiar, ela lançou um último olhar para o novo amigo e lá se foi: era hora de voltar para casa. Enquanto ela dormia tranquilamente em sua cama alcochoada, desconhecia a realidade de quem conhecera mais cedo. Exausto, empriagado, mas empertigado. Adormeceu no sofá, mesmo, com as roupas com as quais chegara, e os dois esperaram, inconscientemente, que a manhã chegasse.
Um bipe despertou Beatriz de seus sonhos confusos e ela tateou, desajeitadamente, a cômoda, à procura do celular. O visor indicava que o número era desconhecido. Franziu o cenho e atendeu, preguiçosa. "Quem é?" resmungou, trôpega.
"Beatriz, é Gustavo, lembra-se de mim?" Ela acordou por completo ao ouvir a voz rouca do outro lado da linha; sabia que não lhe tinha dado qualquer meio para que voltassem a se falar, mas... "Será que você poderia me encontrar na sorveteria? Te encontro lá em uma hora, exatamente" e desligou. Beatriz fitou o telefone, desconcertada, sem saber bem o que fazer em seguida. Simultaneamente, Gustavo passeava pela casa apressado, arrumando-se; estava uma pilha de nervos.
***
Beatriz e Gustavo namoraram por sete anos e jamais se cansaram. Os amigos de Gustavo até hoje riem por Beatriz tê-lo apaixonado na primeira oportunidade que tiveram de assumirem-se todos descompromissados. Beatriz descobriu que Gustavo era um homem bastante tímido e que algo como puxar uma conversa com uma estranha não lhe seria possível nem mesmo depois de porre pesado; o destino sempre acaba dando o seu jeito de fazer as coisas acontecerem. Casaram-se há quatro anos e estão juntos há onze, mas ela ainda insiste em recebê-lo decentemente todas as noites, devidamente perfumada e doce. Os anticoncepcionais já foram abolidos da vida do casal e estão nos preparativos finais para a chegada de um filho.
Estão radiantes com a companhia um do outro.

Beijocolates,
#V

segunda-feira, setembro 3

Teste 064

Este episódio romântico relatarei de modo inteiro; não há muito do começo nem do fim, mas muito da melhor e da pior partes. Divirtam-se!

CONCEDA-ME UMA DANÇA
(Higor e Virgínia - nomes meramente ilustrativos)
Havia quase um mês desde que acabara, mas ela não conseguia evitar a nostalgia que a acometia sempre que ele adentrava seu campo de visão. Higor. O garoto que lhe prometera amar para sempre, que fizera planos e rira escolhendo os nomes para os futuros filhos. Virgínia correu apressada para o banheiro, sentindo uma pressão esmagando seu crânio: estava prestes a chorar.
Era uma manhã de quinta-feira e Virgínia mal conseguia respirar de tanta ansiedade, atravessando as ruas perigosamente distraída. Se aproximava cada vez mais do local combinado, e não o enxergava em lugar algum. Higor levantou-se, sorrindo, Virgínia desviou o olhar, encabulada. Cumprimentaram-se nervosamente, sem saber como deviam reagir na presença um do outro, e poram-se a andar, sentindo a maresia acabar-lhes os cabelos.
Virgínia apertou os olhos com força, negando-se a derramar mais uma lágrima, e recordou-se de si mesma sozinha, esquecida debaixo da chuva, soluçando. Não podia suportar a dor, mas não podia deixar que emergisse. Foi acometida mais uma vez por historias lassas que jamais teria de volta e tapou a boca para abafar um grito de pavor genuíno.
"Você está linda" ele disse, afastando os fios emaranhados do rosto dela. A garota sorriu, pouco convencida, e sentiu os braços envolverem-na com carinho raro. E sentiu-se completa e protegida, naquele abraço. "Nunca fui tão apaixonado por alguém" Higor declarou, os olhos procurando o amendoado que a si lhe parecia o tom claro dos olhos maternos. A face de Virgínia iluminou-se, e ela beijou-lhe suavemente os lábios, sentindo a brisa salgada envolver os dois.
As recordaçōes apaixonadas lhe pareciam golpear o estômago, cada vez mais forte. A enxaqueca aumentava gradativamente, assim como os minutos passavam, e lá estava ela, trancada em um dos sanitários individuais, mordendo os dedos em vã tentativa de acalmar-se.
"Sua filha me faz muito feliz" Virgínia corou, encantada, e seu pai admirava o casal apaixonado à frente, com um sorriso discreto e pouco petulante, ao vê-los selarem as bocas por frações de segundo. Higor fitou a namorada por um bom tempo, satisfeito e sinceramente feliz. Ele sabia que ela também sentia-se assim. Entrelaçou os dedos aos dela, acariciando-lhe a mão com o polegar, e levou o conjunto de encontro à própria bochecha, flertando de um modo bobo e fascinante.
A umidade não cessava e seus olhos pareciam cada vez mais perto de transbordar. Virgínia respirou lenta e pausadamente, mas não pode evitar um engasgo choroso. E não pôde mais aguentar.
O contato entre os dois era urgente e desesperado: um precisava do outro mais que tudo no mundo. Os beijos eram carregados de palavras, sentimentos e tudo o mais que jamais poderia ser explicado, mas já não havia tempo, ele teria de ir embora. "Só mais dez minutos, Gina..." e beijou, fracamente, todo o seu rosto, tentando-a. Ela tentou conter-se, exasperada, mas sentia-se mole demais para fazer qualquer coisa. Abriu os olhos de súbito, encarando-o, assustada, e empurrou-o levemente, deixando-o aturdido. "Céus, Higor, acho que amo você" e uniu as bocas mais uma vez.
Ela apenas deixou que as lágrimas escorressem, quentes, por seu rosto, sem mais detê-las. Não queria parecer fraca, mas sabia que não precisava ser forte: ninguém a observava. Os papéis arranhavam-lhe a pele, mas Virgínia continuava secando-a, secando-a... Até que os dutos lacrimais secassem por inteiro.
Um risinho masculino fez-se escutar pelo quarto de Virgínia e ela revirou os olhos, divertida. "Desculpe, amor, prometo não incomodar" Higor prometeu, e Virgínia sabia que não honraria a promessa. Voltou a atenção ao reflexo de seu rosto, tentando maquiar-se dignamente, e sentiu que um olhar pesava sobre si. Um beijo foi depositado em seu pescoço, enquanto as mãos envolviam-lhe a cintura por trás. Higor a fez ficar de frente para si, mas o movimento brusco fez o pó compacto cair no chão. Ela encarou o namorado de forma repreendedora, com os braços cruzados, e o fez ver a maquiagem destruída; Higor apenas sorriu e puxou-a para mais perto, ignorando os protestos que cessaram com o primeiro toque suave.
Virgínia levou algum tempo para estabilizar-se. Destravou a cabine, receosa, e lavou o rosto com a água fria disponível. Contemplou a face levemente inchada e avermelhada, e ergueu o rosto, destemida a encarar todo o turno que tinha pela frente. Uma última cena lhe passou à mente, mas ela pôde sorrir, adentrando a sala de aula. Desculpou-se pelo atraso, sentou-se à banca e abriu o caderno para tomar suas anotações.
O som era agradável aos seus ouvidos, o corpo era conduzido pela música. Higor aproximou-se, hesitante, e murmurou: "Virgínia, é um pouco constrangedor, mas... Eu não sei dançar isso, será que você..." Ela virou-se, divertindo-se com a falta de jeito do rapaz e o interrompeu, no meio de uma frase: "Mas é claro que sim."

Beijocolates
#V