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domingo, outubro 19

Prioridades

Eu estava agora a pouco brincando com o meu cachorro e ele insistentemente querendo o brinquedo novo que ele ganhou de dia das crianças, então eu dei o brinquedo a ele e fui comer. No momento em que o cachorro viu o sanduíche, ele largou o brinquedo e ficou me olhando com a maior cara de pidão. Tentei distraí-lo com o brinquedo, mas ele não tava nem aí, ele queria a comida, como sempre. E aí eu percebi que ele sempre larga qualquer coisa por comida... A prioridade dele, mesmo que inconsciente, é comer. Eu posso ter passado o dia inteiro dando comida de gente (que é o que ele quer) a ele e se eu aparecer com mais uma gostosura, ele come do mesmo jeito, porque é o que ele mais quer na vida: comida gostosa. Inclusive, se eu colocasse a cama dele, todos os brinquedos e tudo o que é tido como "dele" nessa casa de um lado, inclusive eu e a minha família, e derrubasse comida do outro, ele nem pensaria duas vezes sobre que lado iria, uma vez que, novamente, É O QUE ELE MAIS QUER.
E aí finalmente chego ao meu ponto: raros os humanos que largaram/largariam tudo o que têm em prol de sua prioridade absoluta.
Vejamos um exemplo.
Fulano é uma menina (não quero limitar gêneros aqui) que sabe com toda a certeza do mundo que, se ela tivesse pele verde e cabelo azul, seria plenamente feliz. O que ela mais quer na vida é ter pele verde e cabelo azul, do fundo do seu coração. Então, com o avanço da medicina/tecnologia/arte/enfim, surge uma forma de ela fazer uma operação pra ser verde e ter cabelo permanentemente azul e Fulano fica extasiada!
Fulano para e pensa "se eu fizer essa operação, todos vão me olhar estranho, meu namorado/minha namorada/meu gato não vai mais se sentir à vontade perto de mim, minha família pode ter vergonha, a operação pode não dar certo e eu teria que tentar de novo ou, na pior das hipóteses, eu posso até morrer". Pontos válidos, querida Fulano. Ou será que não?
As pessoas te olhando estranho é problema delas ou seu? Quem está incomodado com a sua aparência são os outros ou você? Porque eu acho que são os outros. A sociedade não deveria impor essas barreiras comportamentais e padrões estéticos sobre ninguém e você não deveria aceitá-los sendo impostos sobre a sua vida.
Seu/sua namoradx realmente gosta suficientemente de você pra te aceitar independente de decisões externas ao relacionamento de vocês? Se sim, essa pessoa não vai te deixar por você estar seguindo seu sonho e sendo feliz à sua maneira. Se ele te deixar, algum dia você encontrará alguém melhor.
Sua família te aceitará eventualmente se ela realmente te amar, afinal de contas, sua personalidade e suas memórias em conjunto não mudaram nada. A vergonha que eles talvez viessem a sentir de você, novamente, se reflete nos padrões impostos pela sociedade.
Se seu sonho é realmente esse, você não tentaria repetidas vezes fazer com que ele se concretizasse? Você não continuaria tentando e tentando alcançar seu objetivo principal da vida?
E, finalmente, até onde você iria pelos seus sonhos? Porque muitas pessoas usam o termo "farei isso ou morrerei tentando" e, na hora do 'vamo ver', dão pra trás. Será que Fulano prefere uma vida sem ir atrás do que ela mais quer, sabendo que existe uma forma de chegar lá, a morrer tentando?
Só acho isso.

Esse post não é sobre nenhum sonho específico meu, é sobre pessoas, em geral, com sonhos que não saem do papel.

"Don't give up, 'cause somewhere there's a place where we belong"
J

terça-feira, junho 19

Teste 054

AMAR OU NÃO AMAR:
EIS A QUESTÃO

Mas e os motivos pelos quais esta é indagada?
Prioridades ou medo?
Ei, você, que se magoou uma vez e jurou que jamais se apaixonaria desde então: quão lassas e falsas são essas promessas? Se tantos poetas e profetas já diziam que ninguém seria feliz nesta vida tendo amado um alguém, não me faço entender as razões ao discordar com realidades que todos tentamos esconder.
Pensamos naquele romance romântico, de fato - idelizado e perfeito, mesmo nas imperfeições.
Pois lhe digo uma coisa: não há como saber quem é certo ou quem é errado. Passamos a vida inteira tentando e errando, sofrendo e chorando pelo fracasso, mas - e sempre há um mais - por que ignorar a parte boa da coisa?
As cosquinhas no estômago que nem Freud explica, de onde surgem? Não me diga que não gosta da sensação; tenho certeza que não faria a tirolesa ou brincaria em balanços se o friozinho na barriga não lhe agradasse.
Sorrisos bobos fluindo e surgindo; risos sem motivo no meio de uma noite insone a encarar o teto, com o que justificá-las? Porque eu tenho certeza de que ele (o teto) não é TÃO interessante assim.
Tudo, de fato, fica mais bonito quando estamos com estas lentes apaixonadas; quem não amaria sentir-se feliz assim?
Então você me diz: "mas eu sei que não vai dar certo"; eu rebato: "quem é você, a Madame Zara, por acaso?"
Não é assim. Não topamos com alguém e descobrimos que aquela é a pessoa com a qual teremos filhos - NÃO! Aliás, qual seria a graça se fosse assim? O jogo da conquista é como qualquer outro. Tente se trancar por uma semana em seu quarto com um joystick e me diga os resultados - você lutou para zerar a pontuação, e agora? Vai continuar o jogo depois disso?
A conquista é feita, provada e comprovada, mas você não fica nela - há outras coisas além do nível 50, e você ficará ansioso até que o próximo jogo seja lançado, com novos desafios. Você passa por esta fase e então se pega debatendo consigo mesmo: "será"? - Bem, arrisque-se. Por menor que seja essa sua paixonite insandecida, é válida.
Segundo o casal Pease, a paixão dura, no máximo, 3 meses - tempo necessário para que o macho e a fêmea se conheçam e reproduzam (afinal, para que mais fomos feitos, não é mesmo?) -, depois disso vem a assimilação e depois a ciência não explica: imagine por quê. Só que depende de você, se vai dar certo ou não. Ver a pessoa que invade seus sonhos e não fazer nada? Você está é querendo que alguém de maior coragem aproxime-se, para que possa se torturar com o quão covarde é.
Depende unicamente de você, se vai dar certo ou não; da sua vontade.
Se o coração insiste em pulsar mais forte quando aquele alguém passa, não tente esconder: lute. Lute porque seu coração sozinho é apenas um órgão sem vida - ele precisa de você por inteiro para funcionar.
Conheceremos pessoas simpáticas nessa vida, nos apaixonaremos por muitas, encantaremos algumas e amaremos outras poucas, mas, se não tenho como garantir que não é você, leitor, que me fará sorrir sozinha em uma noite insone, não posso simplesmente descartar essa opção, entende? Não posso descartar nada.
É uma questão de prioridades? Definir que uma paixonite é pouco importante por não ser o "amor de sua vida" não me parece nem um pouco certo - afinal, paixonite só evolui a casório com um pouco de esforço.
Você se recusa a nadar e morrer na praia, mas perde um bom mergulho - e é tropeçando que aprendemos a cair.
Se formos parar para julgar o que é ou não é importante em nossas vidas vamos acabar entrando em um paradoxo desgastante: não somos nada e somos tudo - deste modo, como subjulgar algo que é tanto e ao mesmo tempo insignificante? -; ou, ainda pior, podemos perder o pouco tempo que temos - analisar a vida é deixar de vivê-la, se me permite dizer.
Abra seus olhos por um instante. Olhe aquela garota do outro lado da rua, com as mãos nos bolsos e ausente em consciência, esperando que um carro pare para que cruze a faixa de pedestres. Se te encanta tanto, não ponha e não crie razões para não apostar todas as suas fichas. Espere que ela levante o rosto, sorria, pergunte como foi o seu dia e vá em frente.
Tudo vale a pena - sem exceções.
E, no fim de tudo, o que nos forma e faz forte não é, de fato, achar o ser amado, mas procurá-lo.

"Quando o mundo tiver mostrado suas cartas, se estiver muito dificil, juntos poderemos consertar seu coração" - Rihanna

Beijocolates,
#V

sexta-feira, fevereiro 3

Teste 027

Nessas férias, não fiz muita coisa senão sair com minha família. Tenho certeza que não "curti com as amigas" mais que 4 vezes no mês que passou. Não que eu esteja reclamando, mas, depois de me preocupar bastante, de ligar desesperadamente e morrer de saudades por 10 dias, eu simplesmente -isso, é isso, mesmo - cansei. As pessoas não vêm atrás de mim, então não vou atrás delas, certo? Que seja, é indiferente. Sim, tudo ficou indiferente - amigos, eu digo. Minha vida se resumiu a família e cachorra. Não quero que todos fiquem grudados em mim como se fossem meus cachorrinhos - Lilica é literalmente uma cadela e nem ela fica mais que 1 hora comigo - , mas um abraço bem dado até que faz falta.
Sabe, eu fico pensando... E minha mãe, pra arrematar tudo, radicaliza todos os meus pensamentos: "pode acreditar que você não lembrará de sequer uma pessoa que fez o colegial com você." Em parte, eu acredito, principalmente quando ela me faz rir dizendo que a única menina que guardou o nome foi Aalgumacoisa, a mais chata da turma. Mas, pelo outro lado discordo: HA, eu tenho um diário, mãe, consultarei se preciso.
O ponto é que realmente é triste ficar reconsiderando as pessoas. Definir quem é mais ou menos importante é insuportável, além de ridículo e mesquinho. Porém voltar à realidade é como por o rosto no freezer depois de um banho quente - pelando, que eu digo, senão o choque não rola e pá (atenção, crianças: não tentem fazer isso em casa) -, e o choque é tão grande que até me deixa um pouco... desnorteada. Desconsiderar pessoas do convívio durante trinta e três dias e ter que depender delas em um minuto seguinte é algo preocupante, ao menos para meu humilde ser.
Putz, colégio grande é um porre! Gente se esmagando nos corredores, aquele tumulto pelo reencontro, a falsidade no primeiro e único abraço do ano letivo, os grupos, as panelinhas, as fofocas, ARGH! Cadê meu mundinho? Cadê minha casinha, minha mãe, meus filmes, minha televisão e um bom livro?
A indiferença ficou, e peço sinceras desculpas se magoei alguém - não era minha intenção. O terceiro dia de aula chegou na sexta-feira e estou virando, aos poucos, um zumbi. Não durmo direito, não acordo direito, não como direito, não penso direito; só tenho um único instinto: matar. Não que eu queira sugar o cérebro de ninguém por canudinho, é que, apenas... estou raivosa. Estressada. Mimada. Mal humorada.
Me ajudem a consertar isso e, acreditem: vocês podem me fazer sorrir.
"O que mais eu poderia ser? Todas as desculpas" - Kurt Cobain

Beijocolates,
#V