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domingo, março 4

Teste 035

Pode ser infantilidade de minha parte ainda sentir as lágrimas de frustração quando isso acontece. Quero dizer, isso já é tão passado pra mim, ou pelo menos deveria ser. É que isso me incomodou por tanto tempo e me causou tamanha repulsa e/ou índiferença durante um período impassional de minha vida, e agora insiste em reaparecer para tirar-me mais uma noite de sono.
A grande questão é que sempre fui mimada - bem deve ser isso, não é? O fato de eu ter sido caçula por tanto tempo deve ter feito com que isso soasse pior a meus ouvidos. Eu chamaria os efeitos que isso me causa como uma mistura de raiva com decepção mas, no fim das contas, mal posso contestar qualquer coisa relacionada a isso.
Já chorei por isso, é claro, porque é comum que os olhos tornem-se úmidos e molhem nossos rostos quando isso nos magoa. A fartura me deixa em uma corda bamba que me deixa balançar por minha tamanha arrogância e a autossuficiência, mas me faz erguer o olhar e, ainda com medo, seguir em frente por meus deveres, princípios e possibilidades.
É estranho que isso me seja algo tão custoso e duvidoso enquanto que para a maioria das pessoas venha fluente e rapidamente, com facilidade extrema e estonteante. Para mim já foi assim, até que isso se mostrou diferente do esperado. Isso também me fez chorar.
Isso é complicado, embora que também seja lindo.
Eu só queria poder entender essa coisa toda, e seguir, afinal, a corda que, ainda bamba e machucando meus pés, me garante felicidade ao conduzirme ao lado oposto do palco.

"Se adquires um amigo, adquire-o na provação, não confies nele tão depressa. Pois há amigos em certas horas que deixarão de o ser no dia da aflição. Há amigo que se torna inimigo e há amigo que desvendará ódios, querelas e disputas" - Livro do Eclesiástico (6,7 - 6,9)

Beijocolates,
#V

segunda-feira, fevereiro 27

Teste 033

Uma amizade que tinha tudo para dar errado.
Uma amizade que já surgiria da breve troca de olhares entre a menina fardada e o novato que vestia uma pólo listrada grande demais para seu corpo.
Uma amizade que enfrentou anos de silêncio.
Uma amizade que rendeu boas gargalhadas a partir do primeiro trabalho feito em conjunto.
Uma amizade que ouviria pacientemente as lamúrias de um amor de infância.
Uma amizade que se descobriria apaixonada.
Uma amizade que namoraria.
Uma amizade que provaria e exploraria novas coisas.
Uma amizade que guardaria segredos.
Uma amizade que apoiava as frustrações amorosas.
Uma amizade que sorriria um dia com petulância.
Uma amizade que se desdobraria em fofocas, por mais que os protagonistas não ligassem.
Uma amizade que permitia socos e petelecos indignados.
Uma amizade que saberia rir nos momentos certos.
Uma amizade que se colocaria a prova de tantas coisas e que, ainda assim, persistiria.
Uma amizade tão forte e benéfica como nunca passaria pela cabeça daquelas duas crianças que se olhavam com estranheza no primeiro dia de aula.
Uma amizade que embaralhava e perturbava suas cabeças, às vezes.
Uma amizade, simplesmente... Uma grande e forte amizade.

"Velho amigo, por que está tão tímido?" - Adele

Beijocolates,
#V

segunda-feira, janeiro 16

Teste 023

Preciso que me encham o saco.
Tem alguém aí?
Preciso que alguém me incomode.
Preciso que alguém me abrace.
Preciso que alguém me jogue na piscina.
Preciso que alguém me faça cócegas até doer.
Preciso que alguém morda minha bochecha.
Preciso que alguém me deixe morder a bochecha (odaxelagnia)
Preciso que alguém me perturbe.
Preciso que alguém brigue comigo.
Preciso que alguém brinque comigo.
Preciso que alguém que me beije a testa.
Preciso que aluguém ria de mim.
Preciso que alguém coma pizza com as mãos e me deixe fazer o mesmo.
Preciso que alguém me irrite.
Preciso que alguém...
Preciso de mim.

"Ai, meu coração, ligeiro, não se teria partido - ou se partisse, colava, com cola de maresia; eu amava e desamava..." - Adriana Calcanhoto
#V