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quarta-feira, julho 10

Teste 088

O sol não deixa de radiar. Invariavelmente, está nos revelando mais um dia a cada manhã, ainda que não percebamos. Chove, mas ele está lá. Anoitece, mas ele está lá. Talvez seja plausível que Rá fosse o deus mais importante da mitologia egípcia. Em nós, a constante radiação, direta ou indireta, nos consome e nos repõe energia. Nos faz viver, mesmo em dias tristes. Mesmo em dias incertos ou dias arrasadores. O sol nos consola com a promessa de mais um dia e a calmaria do luar; nos dá tempo para pensar e ordena, pacientemente, que tomemos qualquer atitude. A cada dia que passa, fazemos o que bem entendemos com as vinte e quatro horas que nos foram concedidas. Às vezes, sequer levantamos do conforto de nossa cama, enrolados em preguiça e cobertores enquanto alguém nos espera ansiosamente. Não importa quão desagradável o amanhã pareça, o amanhã surgirá repleto de possibilidades.
Sorria.
O sol acolhe um sorriso com certa satisfação - nos aquece internamente. E lá está ele, brilhando a seu favor e em favor de todos os outros. É um novo dia. Um dia para reconstruir velhos sonhos, alimentar novos e realizar alguns outros. É tempo de ser feliz, simplesmente, e permitir que a felicidade invada-nos a alma bem como parecem os raios de sol fazer.

"Não importa quão longa e escura lhe pareça a noite: o amanhecer é inevitável" - mamãe

Beijocolates,

#V

quinta-feira, novembro 29

Teste 072

Olá, olá, como estão todos? Andei lendo umas postagens jurássicas aqui na Fábrica e sinto que meu tanquinho rendeu mais com as gargalhadas do que renderia com uma série de abdominais - juro! Ainda bem que crescemos, apesar da síndrome do Peter Pan, e aprendemos coisas novas a cada dia - só assim pra aliviar os meus "vc", "psoa", "eae" e "chingar", porque, né...
Mas vamos falar mais sobre o passado.
Vamos falar sobre...
EX.NAMORADOS

Sim, sim, ex-namorados. Há ex-namoradas, também, mas não posso falar delas, pois nunca as tive.
Namorar é divertido, na maior parte do tempo: há todas aquelas piadas que só os dois entendem e a simplicidade com a qual ficam felizes. Trocam juras de amor e beijos devotos, crentes que jamais saciarão o desejo da companhia um do outro. O desapego vem espreitando, perigoso, sem ser notado pelo casal, provocando tropeços e salientando defeitos - antes charmosos - com os quais não se pode conviver.
E então a paixão perde força e intensidade, vai minguando, discreta... quando nos damos conta, já é tarde demais; estava acabado e não tínhamos percebido! Nos perguntamos como pudemos ser tão tolos, cegos e medíocres, mas a verdade é que já sabíamos - de alguma forma intuitiva, já sabíamos que o romance tinha chegado ao fim.
Términos causam felicidade, alívio, saudade, tristeza, raiva, desespero, entusiasmo, perdas (de peso ou de amigos) ou ganhos (de peso ou de amigos). Sempre reagiremos de forma diferente, dependendo de quem foi aquele certo alguém em nossas vidas.
Às vezes, colocar um ponto final em uma historia de amor acarreta fins trágicos de amizades agregadas - esses amigos-da-namorada-ou-do-namorado que acabam simpatizando com a gente (bem, a simpatia acaba por aí). O modo como cada um supera ou tenta enfrentar o "tchauzinho" varia, dependendo dos dois envolvidos.
É provável que você só consiga olhar para trás e odiar-se por todas as coisas mais odiosas que lhe foram feitas. Neste momento, peço-lhe que lembre-se também dos bons momentos. Das músicas que ouviram juntos, das noites insones, das sessões de cinema desperdiçadas, dos risos repentinos... Admita uma coisa: até que a metade da sua laranja era bem legal; afinal, se não fosse, por que raios se apaixonaria por ela, não é mesmo?
O que acontece em grande parte dos rompimentos é um declarar morte ao outro - e o ser, tão amado por tanto tempo e com tanta intensidade, é declarado morto, simplesmente. O indivíduo deixa de existir na vida de quem o matou psicologicamente: nada de sorrisos, nada de compaixão, nada de novidades, nada de cumprimentos educados - nada. Nada: ausência de tudo - me parece ser algo gigantesco. Pois como pode alguém ser nada na sua vida? Deve ser alguém importante - ou deve ter sido, um dia.
Durante os relacionamentos amorosos, um laço íntimo de amizade é criado entre os envolvidos: é ela para quem ele telefona, é ele em quem ela pensa... Mas e depois?
Criou-se uma lei boba: devemos esquecer aqueles que se foram. Deste modo, parece que estamos tratando de falência, mas espero que entenda o que eu quero dizer. Nos é dito, desde o ventre, que temos de superar quem nos quis mal um dia. Superar: tornar-se superior - quanto egocentrismo de nossa parte, não? Viveríamos mais em paz sendo altruístas e humildes, sorrindo sem segundas intenções.
A felicidade seria bem mais fácil se não fôssemos tão vaidosos.
Todas as pessoas do mundo têm algo bom dentro de si, até mesmo a "chata" da sua vizinha. Você é o porre da vida de alguém, também, não pense que brilha no escuro. O ex-namorado tem qualidades que superam muitos de seus defeitos - e quero que saiba disso. Você não precisa apaixonar-se por ele, mas precisa confessar que ele é uma boa pessoa. Sabe aquelas saudades lamentáveis do bom amigo de um tempo atrás? Por que continuar fazendo pose de forte, se a única pessoa a perder com isso é você?
Chame. Pergunte como vai. Ofereça um de seus melhores sorrisos.
A amizade pós-experiência amorosa não é estranha, é maravilhosa! Contanto que você permita a si mesmo provar dela, verá quão boa é. Não vou lhe esconder os riscos, porque sei que cada um é cada um e, como já disse, as pessoas reagem de modos distintos: mas por que não tentar?
Se um testemunho é válido nessas horas, terei orgulho de anunciá-lo: dois de meus melhores amigos são ex-namorados (meus) e isso - infelizmente - não os faz poupar detalhes sobre o que andam lendo ou o que andam sentindo; não me arrependo de nada que tenha feito! Alguns rolos enrolaram-se, mas a amizade, ainda que enevoada, perdura. Um coleguismo relutante devido à praga do primeiro amor e, por fim, se nada na vida são flores, admito meu fracasso: não pude manter um outro próximo por muito tempo. Mas sustentarei de cabeça erguida e um sorriso no rosto - quem sabe ele não para de desviar o olhar?
Estou lhe pedindo que tente, faça um esforço, construa pontes, derrube muros, ultrapasse linhas, cruze limites, ouse, arrisque e abuse da sinceridade - vale a pena. Entenda se a resposta a seus apelos não for muito boa: reconciliações exigem um grau de maturidade que a muitos falta. Não sinta a culpa cair sobre seus ombros pela rejeição, mas permita-se exultar ao conquistar o que cobiça.
Ainda estou falando de amizade - a amizade, indiferente a todos os fatores, é maravilhosa.
"Até o erro mais irremediável é mil vezes melhor do que nunca tentar" - Grey's Anatomy

Beijocolates,
#V
P.S.: sobre a tensão sexual que rola no ar, passa com o tempo, prometo! Mas seja forte e resista, a Lei de Murphy só quer que tudo dê errado, hahaha.

sábado, maio 12

Teste 048

Às vezes a gente se perde na busca da felicidade, procurando em coisas tão erradas que nós mesmos jamais acreditaríamos se soubéssemos da verdade. Mas não é tão difícil assim, sabe? Saber a verdade - não a absoluta, mas a suficiente.
Acontece que, voltando do colégio no único dia em que meu melhor amigo não me levou até a parada de ônibus e o certo acabara de passar relativamente vazio sem que eu percebesse, adentrei o segundo, um pouco mais cheio, segurando minha bolsa pesada e meus cadernos que mais pareces placas de chumbo.
Uma velhinha falava alto para que todos os passageiros ouvissem, do assento preferencial, enquanto eu girava a catraca, e começou a cantar "a música da novinha", ao que muitos se puseram a rir. Eu ri, também.
Aproximei-me de quem tinha à frente, reconhecendo o rosto baixo, e cumprimentei-o, um tanto quanto sem graça - as pessoas podem morrer alegando que sou uma garota extremamente comunicativa, mas parece que travo sempre com os veteranos do EJD. A cons. eras fluiu um pouco, a mulher ainda cantando "mulher brasileira", ou sabe-se lá o nome daquela música secular, e alguns cantarolavam baixinho, junto, distraídos do que faziam.
Foi nesse momento que descobri.
De súbito, pareceu-me muito fácil ser feliz, quando se sabe que é a felicidade que se busca. Porque então percebi que dentro daquele ônibus, cheio de gente aperreada e ansiosa pra chegar em casa depois de um dia difícil, uma mulher cantava, simplesmente por querer cantar.
E ela era feliz porque cantava; e os outros eram felizes por terem pressa ao chegarem às suas famílias e lares.
Repentinamente, entendi que devemos sempre sonhar o mais alto que pudermos, sem medo da queda. Quem sonha em Deus jamais chegará ao chão.
Talvez nossos sonhos não sejam totalmente realizados, ou mesmo cheguem perto disso, mas nossas intenções nos regozijarão e farão um bem a todos aqueles que nos cercam, assim como aquela senhorinha fazia sorrir alguns com a escolha de músicas pouco oportunas.
Nossas aflições, medos e neuroses deveriam dar um tempo. Um tempo para que vivamos atentamente, preocupando-nos apenas em sorrir.
As pessoas vivem sempre tão desatentas ao fato de como a vida é curta, que a vivem como se tivessem muito tempo para dançar, comer, brincar, brigar, rir e chorar. Mas então eu penso que, se as pessoas realmente parassem para analisar em quão pouco tempo têm para viver a vida, não estariam a vivendo da forma certa.
O grande sentido da vida, afinal, é não buscarmos um sentido para a vida, apenas segui-lo.

"Confiai-Lhe todas as vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós." - 1Pd 5,7

Beijocolates,
#V

segunda-feira, abril 9

Teste 040

Ouvi, em minha vida, muitas pessoas falando sobre a amizade. Já escrevi muito sobre ela, e já passei muitas noites em claro refletindo a seu respeito.
Em verdade, tantas pessoas me decepcionaram no cargo de melhor amigo que eu já desacreditava que qualquer laço íntimo que não familiar fosse possível: todos que me cercavam eram, basicamente, colegas próximos.
Passei um tempo com esse conceito como em em corda bamba: tinha bons momentos que me faziam acreditar mais uma vez, mas eu tropeçava e logo em seguida desistia. Estava fazendo mal e sendo hipócrita, afinal, não era eu mesma quem insistia em dizer que cada ser é composto de qualidades e defeitos?
Certa vez conversava com Lucas sobre um guindaste que erguia um ferro longo e pesado. Eu falava sobre as tragédias que poderiam acontecer se o gancho não fosse forte o bastante. Ele ficou indignado, me dizendo que aquilo era feito exatamente para segurar bem o peso e, se deixasse que o ferro pendesse, não estaria executando sua função, possuiria defeitos.
Abri a boca para contradizer falando que, se fosse assim, todos nós tínhamos defeitos, mas congelei em meio a frase, sentindo as bochechas esquentarem ao me dar conta do que era óbvio e praxe.
Jesus nos dá um conselho fundamental antes de morrer na Cruz por amor à humanidade: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Uma certa palestra sobre amizade me deixou confusa. João, quem falava, dizia que a amizade verdadeira era aquela em que de punha Deus no meio; mas eu não entendi. Ficou claro e clichê, a meu ver, que qualquer relação seria real e faria bem se fosse unida por Deus, mas... Como por Ele em uma relação?
Passei quase um ano pensando nessa certa 'bateria' e me empertigando cada vez mais.
Até que hoje bati em minha testa e dei-me conta de que o que se formou nesses últimos dias jamais seria possível por motivos mundanos.
Semana Santa. Para uma boa parcela de minha sociedade, um feriadão recheado de festas, shows, bebidas, descanso, repouso, isolamento. Mas não foi assim que vivi as datas.
Fui em missão a Jupi, com mais 30 jovens, para levar o real sentido dessa semana a cada cidadão em sua casa, fazendo encontros nas comunidades.
Tivemos uma pequena equipe de apoio: Bola, Neta, Suanmy, Lêdson, João e Marcos. Com uma exceção, não tinha amizade com ninguém dos 36 que estavam comigo. Tínhamos em comum um único propósito: anunciar o amor que Deus tem por nós.
Voltamos domingo pela manhã; as despedidas chorosas e dolorosas pela madrugada de sábado.
Me dei conta do quão feliz sou e estou. Aqueles estranhos que foram comigo a Jupi deram lugar a amigos que voltaram comigo a Recife. O nome 'Victoria' mal ouvia-se, por tantos me chamando por 'Vic'. Sorrisos foram trocados no colégio, os assuntos em comum emergindo com fluidez. A longínqua falta que sentia dos cinco jupienses e do Pe. Thiago por vezes fazendo-me armar um bico em meu rosto.
Hoje respondi, enfim, o que é a amizade; o que mais seria se não cada laço criado nesta breve viagem? Porque eu mais me sinto íntima de cada um com quem convivi nestes últimos dias que de tantos que conheço há 9 anos.
Eu não entendia como colocar Deus em uma relação, mas, se foi Ele que nos uniu, se foi Ele nosso propósito em comum, é bem provável que eu de fato ame todos sincera e verdadeiramente em unidade e totalidade.
Porque bem mais se recebe quando se está disposto a doar-se por inteiro.

"Eu sei que, quando amar um de meus sobrinhos menos que amo meus próprios filhos, não estarei amando como Deus me pediu para amar." - Amara (do verbo amar), minha mãe.

Beijocolates,
#V