Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, julho 27

ve-la


é quando a luz cessa, quando a noite a faz sentir sozinha, que me procura
na escuridão.
as mãos que me buscam tocam paredes e móveis, cegas, até encontrarem meu corpo.
seus dedos me tocam, me sentem, me esquentam... me deixam momentaneamente, e o ruído produzido por um risco é gostoso aos ouvidos.
o calor me toca e me envolve, deliciando-me - está dentro e fora de mim.
seus lindos olhos são visíveis a todos mais uma vez - seus lindos olhos.
mas estamos apenas as duas ali. sou privilegiada por isso.
aqueço-a, me sinto querida, mas ela já não está ali. o toque se foi.
a chama que arde em mim não mais é das carícias, mas do que ela fez comigo enquanto me acariciava.
meu próprio fogo me consome, literalmente, me destruindo aos poucos
dói. a dor excruciante me toma por inteiro.
minha paixão me derrete, me machuca e me diminui - a troco de quê estou morrendo em mais uma noite escura?
algo muda no ambiente, mas a dor não me deixa entender o que é.
ela move-se vagarosamente pelo cômodo, cada vez mais perto de mim. estou a poucos centímetros de seu rosto agora, mas não posso tocá-la.
ela abre um sorriso delicado e delicioso, e meu fogo expande-se, iluminando suas bochechas.
esqueço a dor em sua companhia, e me derreto ainda mais rapidamente.
vou morrer! vou morrer de amor!
sua boca toma outro formato lentamente, preparando-se para um beijo.
minha chama é agora inquieta, diante dessa imagem. a quero mais perto, mais perto!
mas não é um beijo. é um sopro.
ainda atordoada, já morna e sem vida, me descubro inútil no cômodo iluminado.
suas mãos, agora ágeis e precisas, removem-me de meu altar recém-conquistado, me quebrando no ato.
estou menor e machucada quando sou posta de volta na gaveta. já fria, desolada e esquecida.
mas só penso nela. e mal posso esperar para ser lembrada outra vez.

#V

quarta-feira, junho 8

70

Erivanderson, nascido pra brilhar, me desafiou a listar 70 fatos sobre mim, e eu pensei que não ia conseguir. Surpreendentemente, porém, consegui, e nem foi tão difícil assim. Então, a quem interessar possa, aí vão 70 fatos que acho importantes por algum motivo.
1. minha cor favorita é cor-de-rosa
2. já pintei o cabelo de roxo, rosa e azul
3. gosto de puxar papo com desconhecidos, mas analiso-os bem antes de me atrever a dizer "oi"
4. faço amizade facilmente com porteiros, zeladores, secretárias e vigilantes
5. me esqueço dos meus problemas subindo no telhado do meu prédio, ilegalmente
6. subo no telhado do meu prédio sempre acompanhada, para ser seduzida pelo horizonte
7. tenho muito medo de deixar de ser eu
8. tento aproveitar todos os momentos
9. choro quando me dou conta de que não estou aproveitando minha vida plenamente
10. amo dançar, e danço mal, mesmo, mas danço até as pernas ficarem bambas
11. para sair do sedentarismo, comecei a fazer balé clássico
12. me orgulho de meus avanços no balé, embora não sejam tão incríveis
13. já fiz ginástica rítmica
14. quando criança, me sentia adulta
15. quando cansei de usar franja, fui até o banheiro com uma tesoura e cortei fora
16. todos ficaram loucos quando fiz isso, porque eu podia ter me cortado, e eu só pensava: "até parece que eu sou uma criancinha!" eu tinha 5 anos
17. arranquei todos os meus próprios dentes de leite, menos um
18. minha primeira queda foi aos 2 anos de idade, quebrei dois dentes
19. em meu pior pesadelo, estrelava zé vampir, da turma do penadinho
20. criança, fazia a camisolinha de seda de saia e fingia dançar dança do ventre
21. já fiz um curso de dança do ventre
22. já fiz um curso de teatro
23. já fui muito tímida, e ainda sou, mas aprendi a ser maluca
24. fiz parte da edição do jornal da minha escola
25. prestei vestibular para 4 cursos diferentes - engenharia eletroeletrônica, história, psicologia e design gráfico -, porque não sabia, mesmo, o que queria fazer da minha vida
26. passei em todos os vestibulares que fiz
27. recusei uma bolsa integral em uma faculdade particular sem saber o resultado da universidade pública
28. sou péssima em entrevistas de trabalho
29. a meus olhos, sou péssima em apresentações, embora seja frequentemente elogiada
30. sou extremamente perfeccionista e autocrítica e, embora isso resulte em bons trabalhos, resulta também numa gastrite crônica, ansiedade e noites insones
31. gente desleixada me dá uma agonia na alma
32. odeio atrasos, principalmente se nada foi dito a respeito
33. odeio quando desmarcam comigo bem em cima da hora, e já estou pronta há tempos
34. tenho rituais de limpeza para receber pessoas em casa
35. fico angustiada com a bagunça alheia
36. cultivo e protejo minha bagunça, com unhas e dentes
37. não amo sushi
38. não amo açaí
39. minha comida favorita é feijão, e vai bem com arroz, com cuscuz, com banana, com o que mais vier
40. pipoca de panela é minha especialidade culinária
41. quero estar certa sempre
42. nem sempre estou certa, mas defendo minhas ideias até o fim
43. morro de vergonha quando sou pega espalhando algum dado errado
44. já escrevi um livro, mas nunca tive coragem de publicar
45. morro de medo e de preguiça de lutar pelos meus sonhos
46. gosto de sair de casa andando, sem rumo, até os pés cansarem
47. gosto de fazer visitas surpresa
48. adoro receber visitas
49. a minha programação favorita é juntar uns amigos meio nada a ver pra conversar e comer pizza
50. meus desenhos são propositadamente toscos, pra ninguém vir e colocar defeito
51. durante uma época de minha vida, costumava ler dois livros por semana
52. desde que entrei na universidade, li vários primeiros capítulos de livro
53. desde que entrei na universidade, acho que li menos que 10 livros por inteiro
54. me apaixono facilmente por qualquer pessoa ou coisa
55. quase morri de amor uma vez por semana, nos últimos 20 anos, por pessoas diferentes
56. estabeleço um primeiro contato com facilidade, mas não sei manter amizades
57. fujo de semi-conhecidos e conhecidos de quem não gosto tanto assim
58. perco o interesse tão facilmente quanto o desenvolvo
59. já fui apaixonadinha por pelo menos 3 professores meus
60. curso psicologia, mas não quero ouvir seus problemas de graça nem os de mais ninguém sendo paga
61. o meu sonho profissional é ser professora
62. nunca brinquei de boneca sendo a mãe das bonecas, eram sempre minhas irmãs
65. nunca fingi que minhas barbies fossem kens para namorarem, sempre as assumi como mulheres que relacionavam-se com mulheres
66. brinquei de boneca até os 15 anos de idade, e aproveito os meus sobrinhos para ainda brincar, de vez em quando
67. já viajei pra caramba, pra dentro e pra fora do país, mas ainda quero mais, bem mais...
68. sou teoricamente fluente em alguns idiomas, mas não me arrisco a falar por divertimento
69. beijar na boca é definitivamente um hobby, embora eu ame tanto paquerar

70. troco facilmente horas de sono por atividades banais, como a confecção de uma lista de 70 fatos sobre mim

E é isso aí. Até a próxima. Beijocolates,
#V

terça-feira, fevereiro 3

[EL]-es

Ela guardou
Ele deu

Ela prendeu
Ele soltou

Ela teve medos
Ele teve sonhos

E agora, o quê?

Há sorrisos em ambos os rostos
Sorrisos diferentes

Ela parece ter mais olhos
Ele parece ter mais dentes

Curioso, curioso

E o amor que aflorou num
Desabrocha em outro

Outro, mesmo
Não mais aquele

E tudo ficará bem
Não tenha dúvidas quanto a isso

Ainda que um não faça o bem
Que o outro fazia a um

Porque essa coisa de amar
Revigora e permanece
Quentinha no coração

E ainda que lhe digam "não"
A ele, seu coração
Não se preocupe, que a vontade sincera só cresce

Pois o amor não reconhece
Essa historia de "diminuir"

Beijocolates,
#V

segunda-feira, janeiro 19

Cor-de-dois

Dizem que o nome da cor não é igual ao da fruta - tem que fazer referência à fruta quando não é dela que a gente tá falando. É "cor-de-laranja", se a Laranja não estiver presente. Nada mais nesse mundo - nada além dos bagos suculentos e cheios de vitamina C -, teria o direito de tomar aquela tonalidade para si ou alegar que é mais sua que de qualquer outrem.
Pois bem. Naquela noite, a Lua foi ousada o suficiente.
Ninguém esperaria uma postura como essa vinda de um astro tão terno e conhecido, pois não era rotineiro tê-lo como ladrão - talvez roubasse do Sol um pouco mais que a quantia ofertada de brilho em ocasiões especiais, mas uma cor?
Apesar das evidências, porém, não sei se posso classificar o sequestro como um crime, porque a voz da contrariedade não se fez ouvir.
O mar respirava calmamente, tomando e devolvendo ondas; fazendo a água molhar a areia fina e já úmida da praia. Ele refletia a maravilha que acontecia sobre si, em meio ao breu noturno, e tudo mais refletia o delito fantástico: o mar, as nuvens, as estrelas, o sorriso dos dois e o calcário sob seus pés. Envoltos em um abraço, sentiam a cor invadi-los, vibrante e harmoniosa, enquanto espalhava-se por aquele céu nublado de dezembro.
A Lua estava baixa e volumosa. Calada, contemplava os olhares que a admiravam compassivamente. Ela tinha uma remota consciência da própria beleza, mas estava extasiada com cada abraço iluminado por uma cor própria... a cor-de-dois.

Beijocolates,
#V

segunda-feira, novembro 24

(Seus) Olhos

Os olhos me dizem mais, bem mais que qualquer boca poderia me dizer.
Os olhos me olham, envolvidos, embriagados, e a embriaguez é boa, porque me embriaga, também.
Estes olhos que amo fazem do olhar algo demasiadamente verdadeiro.
Os olhos são compenetrados, carinhosos e transbordantes.
Admiro muito esses olhos, até por me admirarem tanto.
Sinto, por esses olhos, mais do que pode ser expresso por palavras, então converto as funções de minha boca, e ela já não fala, mas beija.
O beijo é sincero, porque a boca é sincera e os olhos são sinceros.
Nunca antes fui capaz de ver tanta sinceridade em um par de olhos.
Nesses olhos, vejo meus próprios olhos, mas da forma que os olhos os veem.
E sorrio com os olhos.
Com os seus olhos.
É engraçado como podemos morrer com um olhar.
Me sinto morrendo aos poucos, mas morrendo de felicidade.
É algo curioso: sinto-me prestes a explodir.
Explodir em gioia.
Sinto explodir em um sorriso, mas não me contento com tão pouco.
Deixo vazar dos meus olhos sobre seus olhos, e me preencho com tudo.
Tudo o que posso sentir em seu olhar.

"Meu amor, juro por Deus que a luz dos olhos meus já não pode esperar; quero a luz dos olhos meus na luz dos olhos teus, sem mais la-ra-ra-ra..." - Vinícius de Moraes

Beijocolates,
#V

sábado, novembro 1

Madrugada

E, na madrugada, acontece.


A cidade dorme, não se ouve nada. Todos fazem silêncio em seu sono profundo, tudo o que se ouve é o quase sempre abafado som do vento fazendo caminho entre árvores e janelas.
O barulho se restringe à minha cabeça. Dentro dela, tudo são gritos. É ensurdecedor, mas só eu posso ficar surda com a gritaria. É a minha poluição sonora particular.
Me deixa inquieta.
Não consigo dormir.
Nem calar meus pensamentos.
Estou ansiosa pela fervorosidade dos murmúrios que tomam o meu corpo inteiro. Algo deve ser feito a respeito disso, ninguém pode ficar nervoso assim, consigo mesmo.
O imediatismo também me mantém acordada. Eu queria me levantar da cama, apanhar as chaves do carro e só parar de dirigir quando estivesse em frente à sua casa. Então, sentiria minha alma abandonar meu corpo, amedrontada por incertezas, e tocaria a campainha.
Eu adoraria pôr um fim nesse barulho. O mais rápido que pudesse. Quero que a gritaria cesse, porque me impede de falar. Me faz ficar ausente de mim mesma, e ninguém gosta de conversar com alguém ausente de si mesmo.
Eu preciso conversar com ele. Ouvir sua voz.
Sua voz fará parar todo esse tormento dentro de mim. E, se não for suficiente, quem sabe a aurora me traga um pouco de paz...


"A noite é muito longa e eu dou plantão dos meus problemas que eu quero esquecer" - Kid Abelha


beijocolates,
#V

quinta-feira, setembro 18

Querer alguém

este texto foi confeccionado sob efeito de sono
É comum querer um bom romance. Em algum ponto de nossas vidas, já quisemos, desesperadamente, sentir o calor dos dedos de um certo alguém em nossas mão. Sonhamos com o toque hesitante, com os sorrisos provocadores, com os segredos, com o mundo próprio do casal, que parece surgir em torno de um beijo apaixonado. Sonhamos, e sonhamos alto. Vemos, claramente, todas as vantagens de uma boa e amada companhia em uma tarde tediosa de domingo. Mas, se uma historia de amor pode ser tão boa assim...

POR QUE NÃO NAMORAR?
Por proposta de um professor, a turma teve de dialogar sobre os relacionamentos amorosos passados. Fui inquerida sobre o meu namoro e, finalmente, após cinco anos, me dei conta da razão de termos acabado: eu não gostava das obrigações. Me perguntaram, então, o que mudou desde então. Pensei, pensei... e descobri que não mudou muita coisa: continuo detestando a ideia de ter que falar com alguém todos os dias e ter que atender ao telefone todas as vezes que esse certo alguém ligar. O comprometimento não lhes parece tedioso?
Há desejos e necessidades que devemos suprir de alguma forma. Momentos e olhares que devemos compartilhar com alguém. Então a nossa cultura inovadora e ousada nos apresenta uma solução: o sexo casual. A modo amplo, condeno o envolvimento compulsivo com estranhos, mas que mal faz aprofundar uma velha amizade?
A amizade colorida faz sucesso aos sussurros. É secreta. Ninguém anuncia que andou prensando o melhor amigo contra a parede -  e por quê? Porque não há compromisso. Podemos dar atenção aos nossos apelos sexuais e nem precisamos falar por horas ao telefone sobre como foi o nosso dia. Mas será essa a resposta para todos os nossos desejos? Por algum tempo, é capaz que os beijos livres nos supram em todos os aspectos, mas, em algum ponto de nossas vidas, perceberemos que há algo mais. Enquanto indivíduos, temos apelos que transcendem o plano físico. Precisamos sentir o perfume que não é nosso no travesseiro com o qual dormimos e sorrir, memorando algum sorriso atraente e distinto que o dono daquele cheiro nos abriu. Podemos chamar de carência, mas não me apegarei a ela.
Me dou conta, hoje, que não me canso de falar com os meus amigos. Falo com eles todos os dias e sou capaz de passar horas conversando bobagens, ainda que esteja com sono ou mal humorada. Não me parece esforço algum atendê-los, e me recordo facilmente deles se ouço determinadas músicas ou como determinadas coisas. São meus amigos, e sinto prazer em fazer tudo aquilo que me custa tanto a fazer com um namorado. O compromisso é diferente? Só porque não beijo esses amigos aos finais de semana, a rotina tediosa é, de repente, empolgante?
Conhecemos bem a amizade com benefícios. Mas e os benefícios com a amizade?
Penso que, se conseguisse converter uma grande amizade em um namoro, seria maravilhoso. Teríamos liberdade para falar e fazer qualquer coisa, sem receio algum, e seria tão divertido quanto o relacionamento aberto sobre o qual falei, exceto, é claro, pela questão da abertura. Mas quantos anos nos demanda solidificar uma amizade assim? E por quantos de nossos amigos sentimos a tal da atração?
Muitos são os defensores da friendzone. Afinal, isso sequer existe? A amizade pode impedir, de alguma forma, a atração entre duas pessoas?
Muitas perguntas sem resposta, muitas respostas sem pergunta e muitas incertezas sobre certezas, mas uma clara ilusão de certeza: por enquanto, estou muito bem sem ter que segurar a mão de ninguém.

"One more fucking love song, I'll be sick" - Maroon 5

beijocolates,
#V

quinta-feira, março 13

Praxe

Pensei que pudesse passar o resto de minha vida sem ele. Descobri, angustiada, que não posso esquecê-lo: o amei.

O amor é um tanto desgraçado: me fez feridas, me viu chorar e me chamou à atenção quando quase me distraí. Eu queria estar distraída. Mas o amor retificou sua existência dentro de mim, desmerecendo todas as minhas vontades.

Não se engane, remetendo meu amor à paixão que tem em mente: é amor-amor, o que eu sinto. Se não fosse amor, eu me teria distraído, mas não pude, você sabe, esta parte já lhe contei.

O amor é eterno e incondicional. A ele, não importa se o amante está machucado, seguirá firme, forte e voluptuoso. Também faz-se de cego para as imprudências cometidas pelo amado, perdoando-o a qualquer custo. O amor é, por isso, um tanto estúpido.

O amor é inevitável, incontrolável e irremediável: uma vez feito o amor, está feito. O amor nunca assistiu a "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", mas teria abominado a hipótese do filme. Ele não nos deixa esquecer de ninguém que nos tenha provocado ternura.

Eu já conversei muitas vezes com o amor, mas ainda não o entendo muito bem. Talvez, para poder entender o amor, eu precise estar pura de toda a minha vida e voltar a ser um bebê. Os bebês não sabem o que Sócrates pensava sobre o amor, e talvez por isso já amem como se deve amar e sejam, por essência, amor. Pena que não saibam falar - embora, se soubessem, talvez, já não fossem puramente amor.

Quis não me importar, mas descobri que me importo, sim, com o amado. O amado, por vezes, se mostrou tão estúpido e desgraçado quanto o amor, mas, assim como amo o amor, percebi que o amo também.

Há amados, como esse meu amado, que assemelham-se bastante àqueles lindos pesos de papel. Não fazem nada, não têm lugar definido, não são muito úteis, mas, ainda que não usemos pilhas de papéis, o mantemos por perto, ainda que perdidos dentro de alguma das caixas que só tornaremos a abrir daqui a alguns anos, e fazemos isso por amor.

Se amar fosse tão bom para quem ama, ser um amante em boca popular não seria motivo de julgamento.

Amar não é fácil: dói, e dói muito. A dor do amor, porém, também faz crescer o amor. A saudade, a nostalgia, a preocupação com o outro: amor. Amor que acresce a si e à alma.

O amor não é mau por inteiro, não me entenda mal. O amor é um sujeito complicado e conviver com ele, às vezes, pode ser bastante cansativo, é verdade. O amor dá mancadas, erra, e deixa tudo por isso mesmo.

O amor parece uma criança - e até porta-se como uma. Toda criança precisa de atenção e cuidado, toma o nosso tempo, nos deixa estressados, rala os joelhos, pede uma sobremesa, chora, fala e faz muito sem pensar em possíveis consequências e toma um grande espaço em nossa vida. Mas basta um único sorriso, e já esquecemos de cada penitência. E esquecemos porque cumprimos a primeira necessidade de uma criança: lhe demos amor.


"A partir desta data,
Aquela mágoa sem remédio
É considerada nula
E sobre ela, silêncio perpétuo."
- Paulo Leminsk


beijocolates,
#V

segunda-feira, agosto 19

Teste 092

Amor aos pedaços.
 
1)

2)
"Se o navio afundar, afundamos juntos - se tivermos de morrer esta noite, seremos eu e você para sempre, juntos, até que nos acabemos; eu estarei ao seu lado, mesmo que estejamos do outro lado." - Eli Lieb
 
3)
Quem somos nós para amar? - frágeis, imaturos.
Quem somos nós para não amar? - frágeis, imaturos.
Frágeis, imaturos, poetas natos.
Quebradiços, nos reconstruímos: esbanjamos vitalidade e desespero.
Pulsa, pulsa, pulsa.
Pulsa com intensidade - e cada célula é banhada em vida.
Jovens, amantes ou loucos.
Jovens, amantes e loucos.
 
4)
A iminência de ser feliz em conjunto, um abismo temporal.
O início reprimido do belo - reprimido por quê?
Quis. Quis intensamente.
Quis que quisesse tanto quanto eu.
Lutar por algo cuja visão foge de horizontes é exaustivo - lutamos?
Me contento - exausta.
Sorrindo ao imaginar se minha boca sentiria falta do gosto da sua.
 
5)
Eu ainda lembro de você nos dias chuvosos.
Por bobagem, penso quem seríamos - se eu houvesse dito.
O que foi? O que houve?
Decifrar gestos em ações - complexos.
Penetrar seus sonhos como invadiu os meus.
 
6)
"Insista, persista!" - desisto.
Não por raiva, medo ou mágoa: por cansaço.
Talvez, não agora.
Quando deva ser, se houver de ser.
Será.
 
Beijocolates,
#V

segunda-feira, julho 15

Teste 089

A pele arrepiou-se por completo ao dedilhar suave em sua nuca. Pareciam estar envoltos por uma grande bolha, distraídos do mundo exterior - ali, na troca de olhares fumegantes, residia o puro amor, em um universo à parte. Suas unhas percorreram o comprimento de se braço, e os olhos adormecidos abriram em um sorriso terno - ela deixou-se deliciar com a curva dos lábios dele. Em silêncio, pensava se ele saberia quão bem lhe faz, mas jamais poderia afirma-lo em momento tão preciso. As mãos tocavam-se em lentidão e firmeza, dispersas, mas congruentes às palavras não ditas. Conversavam - ou não? As dissertações fluíam de boca a boca, ambas cerradas, caladas e secas. Imagina se ele se importaria em passar tanto tempo a seu lado e experimenta deleite inegável. Mas quão firmes estamos sobre sentimentos alheios?
O pulso é sensível aos tímpanos, a felicidade irredutível pregando-lhe um riso à garganta. Fita-o, mais uma vez, e ergue as sobrancelhas ponderando sua insegurança. Abraça-lhe o corpo, pedindo, secreta e silenciosamente, que fique um pouco mais. Em gesto desagradável de pressa, ele esquiva-se, sem demonstrar qualquer lamento profundo. Não querendo ser abusiva, engole em seco, volta-se a outros e inicia uma nova conversa, negando ressentimentos. Guardam novamente seus romances incertos e procuram aparentar, em intuito de proteção ao outro, indiferença.
Mais tarde, ao reencontrarem-se, mostrarão dentes em gesto exultante, ansiosos por códigos próprios cujas traduções não cabem à língua em pronúncia, mas em dança e calmaria desesperadas.
Ainda não serão capazes de admitir quão necessários são um ao outro.

Beijocolates,

#V


Devemos confessar que nada nos faz mais ansiosos por algo que o contexto misterioso no qual está inserido, não é mesmo?

sexta-feira, março 22

Teste 081



H: Você me dá um arrepio com todos os seus defeitos. Eu ainda amo você; tinha de ser você... Tenho pensado muito, e é isso: eu amo você.
S: O quê?
H: Eu amo você.
S: Como espera que eu responda a isso?
H: Que tal: 'eu também amo você'?
S: Que tal: 'vou embora'?
H: O que eu disse nada significa para você?
S: Desculpe, Harry. Eu sei que é véspera de Ano Novo, sei que você se sente só... mas não pode aparecer e dizer que me ama, e esperar que fique tudo bem. Não é assim que funciona...
H: Então, como funciona?
S: Não sei, mas não é assim.
H: Então que tal assim: adoro que você sinta frio quando lá fora faz 22 graus. Adoro que demore uma hora e meia|para pedir um sanduíche. Adoro esta covinha sobre o seu nariz quando me olha como se eu fosse um louco. Adoro quando passo um dia com você e sinto seu perfume na minha roupa. E adoro que você seja a última pessoa com quem falo à noite antes de dormir. Eu não vim só porque estou sozinho ou porque é véspera de Ano Novo. Vim porque, quando chegamos à conclusão de que queremos passar o resto da vida com uma pessoa, desejamos que o resto da vida comece o mais cedo possível.
S: Está vendo? Isso é bem seu, Harry. Você diz essas coisas, tornando|impossível para mim lhe odiar. E eu odeio você, Harry. Eu realmente odeio você... Odeio você.
Harry e Sally: feitos um para o outro (1989)

Beijocolates,
#V
P.S.: Com as minhas tias em casa, tenho acompanhado flashes de "Salve Jorge" e, depois de aulas sobre a fortíssima cena que Graça Aranha retrata em sua obra, "O Canaã", devo dizer que a intertextualidade está em entrelinhas berrantes no nosso dia-a-dia. Me revoltam os adultérios, os desencontros, o "quase" e toda essa coisa real que as telenovelas retratam. Ah, por favor! Agora o mocinho está apaixonado pela vilã cruel que estragou sua vida romântica? E esses nomes? O marido da delegada ouve o adjetivo - porque, no meu país, "morena" é característica, não nome próprio - e começa a boicotar a droga da novela inteira?! Espero, mesmo, só ter paciência pra essas coisas depois dos 76...

domingo, março 17

Teste 079

Qual o segredo em se apaixonar?
Ando muito intrigada acerca do tema, buscando e buscando uma resposta que não vem. Claro que todos vão me responder "Ah, sabe como é: simplesmente, acontece!", mas... Como conseguem? Estou sendo pouco esclarecedora, sei disso. Então vamos contornar tudo isso.
Nem comecem a cantarolar, não estou aqui para rituais diabólicos nem nada do tipo.
BAD ROMANCE
Você olha para aquela pessoa übercool e sente o coração acelerar.
Alguém toca seu braço, com um sorriso bonitinho no rosto, e você sente o sangue fluir para as bochechas, ou para qualquer outro lugar.
Outrem lhe dá um beijo perigosamente perto da boca, e o melhor a ser feito parece ser segurar firmemente sua nuca e manter uma proximidade razoável e tentadora.
Pois bem, é assim que começa - às vezes. O que fazer quando todas as pessoas ao seu redor são übercool, têm um sorriso bonitinho, não sabem beijar rostos e fazem sua cabeça explodir (não literalmente, por favor)?
Alguém nesse mundo já parou para pensar sobre quão ótimos são todos aqueles com quem passamos bom momentos, maus momentos e, bem, momentos?
Essa coisa de se apaixonar é muito injusta: fazemos uma seleção, naturalmente, e sequer percebemos qualquer coisa, até que nos pegamos pensando um  pouco mais em certo indivíduo - o vencedor dessa loteria fajuta, nosso coração - tum. tum.
Coração é um dos principais órgãos para a nossa vida ou sobrevida: é ele quem bombeia sangue para todos os nervos de nosso corpo e ainda permite um pouco de rubor facial, só para nos quebrar. Mas então, o que tem a ver o coração com o amor? Se alguém não tem uma explicação tão criativa, deixa subentendido que foi puro luxo de alguma era antiga - beeeem antiga. Que tal empregar clichês? "O amor/coração é a razão de ser, é o amor/coração que nos dá a vida; o amor/coração é hábil, o amor/coração coordena cada movimento, desde um sorriso até uma lágrima; o amor/coração..." Bem, pois não. Meu córtex não fica exatamente contente com todo esse monopólio amoroso.
Então você tem mil e trocentas amigas super gatas e simpáticas e meigas e que lhe dão vontade de convidá-las para entrar, tomar um chá e conversar besteiras? Hmmm... E acredita mesmo que, um dia, conhecerá uma outra mulher super gata e simpática e meiga e que lhe dará vontade de convidá-la para entrar, tomar um drink e conversar sobre a bolsa de valores? Suponhamos que isso realmente aconteça, e você fique especialmente encantado por essazinha aleatória. E isso lá é justo? Poxa, suas mil e trocentas amigas foram super gatas et cetera durante anos e você simplesmente dá a preferência à novata? Por quê? O que ela tem a mais?
É uma pergunta sincera que também faço às garotas: não neguem que seus amigos são uns fofos. O jeito que cada um tem de abraçar você, ouvir seus dramas, fingir que se importa, rir com timidez, bagunçar os cabelos... bem que lhe deixa abalada, não? (Só um pouquinho, vai!)
O que alguém deve fazer para se destacar em meio a pessoas tão espetaculares? Porque até podemos sentir um carinho especial ao lado de um, mas, quando estamos na presença de outro, pensamos que é o certo. Quantas facetas! Talvez fosse bem mais simples triturar todas essas pessoas e bancar o louco do Frankenstein - conceberíamos o ser perfeito...
Mas talvez não fosse tão perfeito se fosse um só - hmmm...
Não adianta fugir desse jogo de sorte - sim, o amor. Seu coração, córtex, alma, ou como preferir, talvez esteja mandando sinais agora mesmo, e você não esteja conseguindo captar muito bem... Essa droga de sinais "disfarçados", terríveis. Parecem óculos de grau extra-forte, quando só precisamos de um pouco de colírio! Digam, da próxima vez, que precisam, sim, de um novo telefone celular. Quanto ao velho? Dê de presente para essa coisa abstrata à qual refere-se por "coração" - quem sabe assim fique mais fácil.
E quem disse que o amor não sabe enviar mensagens de texto?!


"As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física." - Friedrich Nietzsche

Beijocolates,
#V

quinta-feira, novembro 8

Teste 070

Acontece, assim, de repente.
É bobo, é banal - talvez.
Tudo é ridículo vindo de um apaixonado - quando não estamos apaixonados.
Os poemas mal escritos, quem sabe.
Sonhadores - imaginam milhares de possibilidades.
Extremamente calculistas: qual o próximo passo?
E se...

Neurose existencial: e se?
Esperança reanimadora: e se?
Se um sorriso faz palpitar um coração apaixonado...
O nervosismo vem com força total - péssimo!
Gestos simples e comuns, ganhando, aos poucos, alta complexidade.
Universos paralelos infelizes, contaminando realidades.
Afogando desejos sem direitos equalitários.
Enamorar-se totalmente - embriagar-se.
Mergulhar em um profundo mar de sentimentos e sensações - misturadas, puras, poluídas.
A dor e a alegria se fundem - ego e ID lutando com o superego para ficarem juntos.
Um beijo suave, delicado, no rosto - e então o acordar.
Ao lado do amado, apenas a incerteza; quanto ao sonhador? Divagando em sua própria cama, lutando para voltar ao sono.
Fantasias perfeitas acabadas por um piscar de olhos - assim como começaram.
Quanta besteira! - Não percebe?
Apaixonar é bom e necessário - eleva a imunidade!
Desvaloriza-se quedas e fracassos, mas os ínfimos momentos particulares de felicidade radiante - estes já salvam qualquer machucado.
Não é perfeição, é vida.
Altos e baixos, subidas e descidas suntuosas - a adrenalina jorra nas veias como nunca.
Apenas uma frase incompleta e variável - embora constante.
Tortura a alma e perturba a sanidade - "e se...?"
Arrebente correntes, quebre barreiras, atravesse obstáculos - e sofra um pouco, se por consequência.
Mas lute - e não desista.
Se permita ser um fraco forte - umm fracote?
Um amante, apaixonado...
Deixe estar, apenas - não se preocupe com o próximo passo.

De maneira esquisita, tudo acaba sendo como deve ser - se assim se quer.
Espontâneo, figurado - você, sem neuras.
Amar não é difícil - se é feito com sossego, é tão natural (fácil?)
E mesmo os mais sábios poetas - tanto amaram, tanto se decepcionaram...
Por que não experimentar? - Arrisque-se.
E quem sabe não é o mais maravilhoso petisco que já provou na vida?

Beijocolates,
#V

quarta-feira, abril 25

Teste 042

Vivemos reclamando do nosso coração, dizendo que ele não é bom pra gente, que ele não escolhe as pessoas certas; sempre criticando o pobre coitado cujas batidas fortes e revigorantes são aquelas sem as quais não podemos viver.
"Ah, para de me maltratar.", diria o coração se nós sequer o deixássemos falar.
Mas não deixamos. Calamos a emoção o mais rápido possível com o intuito de deixar o cérebro gritar algo mais rígido e imperativo.
Pobre coração, mal sabe o que faz... Quer apenas amar e encontrar companhia, e o restringimos de tal forma que o sufoca...
O amor é sábio, e tem instintos vorazes. Tem sede de si próprio em outro, e quer suprir qualquer necessidade que seja.
A paixão platônica ou proibida pode parecer errada e defeituosa; nós pouco vamos velá-la; mas, se nutrirmos um pouco a sensação queimante que cora as bochechas em um tom tão lindo e rosado, perceberemos que, afinal, o coração estava certo, mas precisava de esforços e insistência.
Porque, de repente, quem mais te faz sorrir é quem mais você fez chorar.

"Um dia eu vou estar à toa e você vai estar na minha" - Negra Li

Beijocolates,
#V

segunda-feira, abril 9

Teste 040

Ouvi, em minha vida, muitas pessoas falando sobre a amizade. Já escrevi muito sobre ela, e já passei muitas noites em claro refletindo a seu respeito.
Em verdade, tantas pessoas me decepcionaram no cargo de melhor amigo que eu já desacreditava que qualquer laço íntimo que não familiar fosse possível: todos que me cercavam eram, basicamente, colegas próximos.
Passei um tempo com esse conceito como em em corda bamba: tinha bons momentos que me faziam acreditar mais uma vez, mas eu tropeçava e logo em seguida desistia. Estava fazendo mal e sendo hipócrita, afinal, não era eu mesma quem insistia em dizer que cada ser é composto de qualidades e defeitos?
Certa vez conversava com Lucas sobre um guindaste que erguia um ferro longo e pesado. Eu falava sobre as tragédias que poderiam acontecer se o gancho não fosse forte o bastante. Ele ficou indignado, me dizendo que aquilo era feito exatamente para segurar bem o peso e, se deixasse que o ferro pendesse, não estaria executando sua função, possuiria defeitos.
Abri a boca para contradizer falando que, se fosse assim, todos nós tínhamos defeitos, mas congelei em meio a frase, sentindo as bochechas esquentarem ao me dar conta do que era óbvio e praxe.
Jesus nos dá um conselho fundamental antes de morrer na Cruz por amor à humanidade: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Uma certa palestra sobre amizade me deixou confusa. João, quem falava, dizia que a amizade verdadeira era aquela em que de punha Deus no meio; mas eu não entendi. Ficou claro e clichê, a meu ver, que qualquer relação seria real e faria bem se fosse unida por Deus, mas... Como por Ele em uma relação?
Passei quase um ano pensando nessa certa 'bateria' e me empertigando cada vez mais.
Até que hoje bati em minha testa e dei-me conta de que o que se formou nesses últimos dias jamais seria possível por motivos mundanos.
Semana Santa. Para uma boa parcela de minha sociedade, um feriadão recheado de festas, shows, bebidas, descanso, repouso, isolamento. Mas não foi assim que vivi as datas.
Fui em missão a Jupi, com mais 30 jovens, para levar o real sentido dessa semana a cada cidadão em sua casa, fazendo encontros nas comunidades.
Tivemos uma pequena equipe de apoio: Bola, Neta, Suanmy, Lêdson, João e Marcos. Com uma exceção, não tinha amizade com ninguém dos 36 que estavam comigo. Tínhamos em comum um único propósito: anunciar o amor que Deus tem por nós.
Voltamos domingo pela manhã; as despedidas chorosas e dolorosas pela madrugada de sábado.
Me dei conta do quão feliz sou e estou. Aqueles estranhos que foram comigo a Jupi deram lugar a amigos que voltaram comigo a Recife. O nome 'Victoria' mal ouvia-se, por tantos me chamando por 'Vic'. Sorrisos foram trocados no colégio, os assuntos em comum emergindo com fluidez. A longínqua falta que sentia dos cinco jupienses e do Pe. Thiago por vezes fazendo-me armar um bico em meu rosto.
Hoje respondi, enfim, o que é a amizade; o que mais seria se não cada laço criado nesta breve viagem? Porque eu mais me sinto íntima de cada um com quem convivi nestes últimos dias que de tantos que conheço há 9 anos.
Eu não entendia como colocar Deus em uma relação, mas, se foi Ele que nos uniu, se foi Ele nosso propósito em comum, é bem provável que eu de fato ame todos sincera e verdadeiramente em unidade e totalidade.
Porque bem mais se recebe quando se está disposto a doar-se por inteiro.

"Eu sei que, quando amar um de meus sobrinhos menos que amo meus próprios filhos, não estarei amando como Deus me pediu para amar." - Amara (do verbo amar), minha mãe.

Beijocolates,
#V

sábado, fevereiro 11

Teste 028

Isso é uma resposta a um apelo.
O amor romântico - quantos de nós já não sonhou com ele?
Quem nunca passou horas pensando e sorrindo com as maravilhas que é o amor a dois?
Bem, quem não, que atire a primeira pedra ou procure amadurecer um pouco.
A ideia que todos querem comprar e que até hoje busco.
O desespero que surge a cada menção de oportunidade.
A pergunta insistente ao trocar sorrisos: "Quem sabe...?"
O calafrio que percorre o corpo a cada toque desprevinido.
Nunca é hora para amar; porque sempre estamos amando.
Sou uma pessoa loucamente apaixonada, sem alvo preciso; em quem pensar.
Talvez um dia você desista do amor, mas ele jamais desistirá de você.
Romance? Existe.
Não morra porque a primeira paixão não deu certo.
Tenho sorte por ter tido ao menos uma chance com cada garoto que gostei um dia.
Lamento por ser tão apaixonável.
Acredito piamente no "felizes para sempre" - é possível.
A paciência constrói pontes, o amor traça caminhos.
Não tema, ouse.
Não negue, responda.
Não julgue, ame.
Frases que não formam textos, textos que não formam palavras.
Confuso, talvez.
"Para bom entendedor, meia palavra basta." - Seylah Kenfoi
#V

sábado, janeiro 14

Teste 021

A noite cai, eu sinto frio.
"Frio" - essa coisa que eu, enquanto nordestina, não sei bem o que é.
"Frio" - esse termo que eu uso para nomear a ausência do calor de seus braços.
Eu sinto falta do gosto de sua boca, e confesso que, às vezes, quando me deito em minha cama e fecho os olhos, os momentos que passamos juntos vêm todos à tona e assolam minha mente. Dominam minha cabeça, tomam meu espaço e invadem meus sonhos.
Dizer que esqueci do que houve entre nós sou eu mesma tentando me convencer disso. Mas quem sou eu para ocultar as borboletas que voam livremente por meu estômago cada vez que você sorri, cada vez que chama meu nome, cada vez que me abraça; ou para ocultar as bochechas que queimam sempre que me fala alguma verdade amável e sigilosa que eu pensei que fosse um segredo só meu?
Tenho saudades também do tempo em que éramos inconsequentes e ríamos sem parar sequer para respirar; do jeito como só você consegue estar eternamente com os cabelos completamente desgrenhados; da aflição que eu sentia sempre que me abraçava por trás para me assustar; das piadinhas sem graça que fazia com a situação.
As vezes em que me lançou aquele sorriso torto, ou mesmo quando simplesmente segurou nossas mãos: seria tão errado assim ainda gostar de você? Porque, por mais que eu tente fazer de você alguém respeitável e certo, ainda assim...

"Estranho é gostar tanto do seu All Star azul" - Cássia Éller

beijocolates,
#V

sexta-feira, janeiro 6

Teste 014

Estou colocando "Teste 000" até chegar no 100. Quando chegar no 100, eu volto a por nomes bonitinhos. Então o título de hoje é o que segue abaixo. Nunca ansiei tanto por escrever um post como o que se seguirá.
"AMOR PERFEITO"
 
O delicioso sabor de sorvete que eu só pude experimentar hoje. E como é gratificante pedir "uma bola de amor perfeito, obrigada"! Amor Perfeito é uma combinação do azedinho do morango com a doçura do leite condensado - e eu não gosto de sorvete de morango, viu? Toda vez eu pego uma bolinha só de retardada, porque dá amnésia e eu não lembro se eu gosto ou não, mas que fique registrado - eu não gosto!
Enquanto me deliciava com mais uma maravilha da Fri-Sabor, fiquei me perguntando sobre seu nome. "Amor Perfeito". Muitos duvidam que realmente exista. Aqui estou eu para relatar o que passou nessa cabecinha mal penteada que eu carrego em cima do pescoço.
Muitas pessoas duvidam que o amor perfeito exista. Afinal, brigamos tanto com nossos namorados, nos desentendemos, declaramos ódio, choramos... Mas também rimos, beijamos, damos as mãos, abraçamos, partilhamos segredos. Namoro é uma coisa vaivém, acho que a ideia da Katy Perry define muitos casos em Hot N' Cold. Quando a gente pensa em amor perfeito, provavelmente imagina uma companhia que sempre esteja lá, ao nosso lado; que seja bonita, inteligente, observadora; que fale a coisa certa na hora certa; que brinque e também saiba ficar séria; que seja paciente e que saiba argumentar; que seja prestativa, mas que modere; que seja ciumenta, mas seja liberal; que seja, simplesmente, perfeita.
A ideia de pessoa perfeita que temos em um modo geral se assume na sociedade, mas é impossível encontrar um homem ou uma mulher com todos os carácteres acima listados. Não há "a pessoa certa", mas há a pessoa certa para você. É uma pessoa comum e cheia de defeitos. Provavelmente você já esbarrou nela em um dia em que estava cheio de complicações, ou mesmo passou batido. Alguém que nem mesmo chame a atenção. 
Encontrar a pessoa perfeitamente imperfeita é como montar um imenso quebra cabeças: você busca tanto alguma peça que se encaixe à que tem à mão que acaba não percebendo a certa, a que completa seu quebra-cabeças. Claro que você testará muitas outras peças e, ao ver que não ficam bem juntas, deixará a montagem de lado, mas haverá um dia em que você tropeçará em algo raro que deixou caído debaixo da mesa e talvez seja aquela a peça que dá sentido à imagem que tentava montar.
Mas isso não é "amor perfeito", isso é seu "par perfeito", e olhe que de um pra outro ainda tem muito pra caminhar. O amor de mãe, o amor de amigo, o amor de namorados, o amor de irmãos, o amor divino, o simples ato de amar. Quem ama vai longe, quem gosta cai na metade do caminho. Ame, sem preconceitos ou prejuízos e não tenha medo de se soltar - haverá sempre uma mão que não te deixará cair. 
A todos aqueles que não acreditam no amor perfeito, devo-lhes dizer que vocês não acreditam no amor, simplesmente, afinal, o que é a perfeição se não o amor, e o que é o amor, se não a perfeição?

"Há eternidade em um beijo" - Libba Bray

beijocolates,
#V