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quinta-feira, outubro 2

Voto Útil

Em quem você quer votar?
Em quem você vai votar?
São duas perguntas distintas, com respostas, infelizmente, distintas para a maioria brasileira - pela pouca fé. É interessante como tudo funciona em um paradoxo de medos e receios: quero votar em um candidato cuja popularidade está escassa, então opto por um dos que mais investiram em campanha política, que por isso ganhou fama, ainda que não concorde com suas propostas. Faço isso porque penso que ninguém mais vai votar nele, e por isso o meu voto será inútil. E tantos outros que votariam, por pensar da mesma forma, fazem vista grossa para escândalos dos "maiores" candidatos.

Em quem você não quer votar?
Em quem você não vai votar?
São duas perguntas distintas, com respostas, infelizmente, distintas para a maioria brasileira - pela pouca coragem. Porque eu tenho medo de votar em quem eu quero, procuro, entre aqueles cujos discursos soam copiosamente, em grande frequência, um "menos pior" que me garanta que aquele candidato que me faz nojo pelas falsas promessas não será eleito. Mas ainda estarei votando em quem eu não queria votar, porque pensei que quem me representa não era "forte" o suficiente - e por que estou votando, afinal?

Neste domingo, cumpriremos nossa obrigação nas urnas - cumpriremos? Teremos, nós, coragem de assumir nossos ideais e pressionar o conjunto de números que combina com aquilo pelo que brigávamos nas ruas?

Vote, mas não vote nulo, nem vote "por votar". Exprima sua opinião. Lute. Tente. Faça a sua parte e, se seus medos concretizarem-se em um futuro nem tão distante, continu fazendo. Exercer a cidadania é dever de todos nós - e não é dever bienal, só em dia de eleição.
É nosso dever lutar por nossos direitos todos os dias.

beijocolates,
#V

segunda-feira, setembro 22

Descartando

Uma vez, a mãe de uma amiga minha me disse que tudo o que a gente realmente quer para as nossas vidas eventualmente acontece. Obviamente, eu questionei, mas, depois de perceber alguns exemplos na minha própria vida, percebi que, com um minimo de esforço sincero na direção certa, as coisas acontecem e acho isso simplesmente o máximo. Não sei se tem alguma evidencia espectral-filosófica ou científica de que isso acontece, tenho quase certeza de que nada confirma, mas é uma forma bastante positiva de se olhar a vida e se questionar o que você REALMENTE quer para si, sabe? O que você sabe que PRECISA fazer acontecer pra ser feliz e satisfeito consigo mesmo?

Meu cérebro de madrugada vai de um lado pro outro e eu tava agora a pouco pensando sobre aquela historia de Descartes de que Deus existe porque é perfeito, e, se ele é perfeito, ele tem a perfeição da existência. Mas aí é que tá: existir implica em viver? Alguém que já morreu pode ser dito "existente"? Algo que nunca viveu pode ser dito "morto"? Acabei de pesquisar aqui e achei que "vida significa existência. É o estado de atividade incessante comum aos seres organizados. É o período que decorre entre o nascimento e a morte". Certo, então. Se Deus é eterno, nunca nasceu e nunca morrerá, portanto não tem vida. Se a morte é a ausência de vida, então Deus estaria morto... Mas se vida significa existência, algo morto imediatamente deixaria de existir? Um pedaço de pedra, então, seria ilusório, inexistente no plano real, por não possuir vida? Deus, então, seria como o pedaço de pedra em questão? Ilusório e existente apenas no intelecto? Faz sentido, exceto pelo fato de que cada célula dos nossos corpos é formada por partículas infinitamente menores que, isoladas, poderiam ser consideradas mortas e, portanto, ilusórias. Como seres 'reais' como os humanos poderiam ser compostos de infinitas partes ilusórias e inexistentes? Então seríamos somente ideias, uns nas cabeças dos outros? Mas quem garante que sequer existem outros? O que nos garante que toda a vida e mundo e realidade que pensamos conhecer não é só o fruto da imaginação do primeiro ser pensante de todos os tempos? Quem garante que TUDO não é só uma farpa da poderosa imaginação do "criador" e "Deus" não é apenas a forma como a mente pensante quer que todos os seres que ela imaginou se refiram a ela?
Claro que a teoria de Descartes não é a unica existente e, como ser humano, ele pode facilmente ter criado uma teoria falha e cheia de brechas. Não vou ficar aqui analisando cada pensador e cada teoria, até por desconhecer a grande maioria delas, mas principalmente por causa do sono.
Vou sair só depois desse pensamento: Se a grande mente pensante tivesse um personagem em foco, você, por que ela não faria da sua vida a mais perfeita possível? E outro: se você não for o personagem principal da mente pensante, o que te faz pensar que ela te daria consciência pra pensar qualquer uma dessas coisas? Mas, de novo, a perfeição sequer existe? É uma ideia tão abstrata e distante que nem milênios de humanidade conseguiram definir propriamente em nada que não fosse o chamado "Deus". Sendo que, pelo que eu percebi em experiencias e contatos com diferentes pessoas, o deus de cada pessoa tem traços diferentes e propósitos diferentes. Quem garante que o que chamamos de "deus" não é pura e simplesmente nossa própria consciência, nossos ego e super-ego combinados? Será possível que as religiões nada mais sejam do que pessoas que são regidas pelos mesmos princípios se reunindo pra louvar o quanto suas mentes pensam parecido?

Quero deixar claro que eu tenho ideias mais bem formadas sobre as coisas do que isso. Esses foram só questionamentos pra contestar o pensamento do qual discordo, não deixam de ser questões válidas a se considerar...


#J

quinta-feira, setembro 11

Tiramisù!

São momentos raros, mas são momentos desesperadores, estes em que sentimos a própria fraqueza nos sufocar. Os músculos não se movem, e o ar custa a entrar. Ficamos imóveis, incapazes de enxugar as lágrimas que escorrem, amargas, pelo rosto. Nos sentimos tão frágeis e indefesos, que a ideia de obter qualquer solução ao problema parece ridícula.
Precisamos de ajuda. Mas que tipo de ajuda?
Meu quarto está bagunçado. Deixei a roupa do balé jogada por cima da cama, onde já estavam a caixa dos meus mocassins novos, as calças jeans que usei mais cedo, os comprovantes de matrícula do curso de Inglês e a papelada das vacinas que andei tomando. Só me dei conta agora de que as visitas viram as minhas calcinhas penduradas pelo banheiro, e sei que, dentro de dois dias, não caberá mais nada na escrivaninha. Quando a bagunça realmente me atrapalhar, vou prestar atenção nela e começar a desfazê-la. Vou tirar um dia para organizar o meu quarto, embora saiba que levarei apenas uma ou duas semanas para me deparar mais uma vez com a desordem. É curioso que só consigamos resolver nossos problemas quando alcançam um grande grau de complexidade, e, do mesmo modo, parece que precisamos chegar ao fundo do poço para conseguir nos reerguer.
Muitos se orgulham por serem "lobos solitários". Dizem, com um sorriso no rosto, que não precisam de conforto, porque podem consolar a si mesmos. Sendo eles seres humanos, animais naturalmente codependentes, não poderiam estar mais enganados. É importante que choremos tudo o que temos para chorar, ainda que fiquemos desidratados e com dor de cabeça. Podemos chorar sozinhos - e choramos. Mas jamais seremos capazes de avaliar e compreender uma situação na qual estamos tão imersos, não sem companhia.
Quando admitimos a nossa vulnerabilidade para alguém, sentimos o rosto queimar de dentro para fora; nossos olhos umedecem, nos chega um pouco de vertigem e podemos sentir os batimentos cardíacos em nossas orelhas. Parecem sintomas familiares? "A vergonha é, por natureza, reconhecimento. Reconheço que sou como o outro me vê... Assim, a vergonha é vergonha de si mesmo diante do outro: essas duas estruturas são inseparáveis. Porém, ao mesmo tempo, preciso do outro para perceber plenamente todas as estruturas do meu ser" disse Carl Schneider.
Precisamos do outro.
O outro não é qualquer outro, devemos selecioná-lo com cautela. Quando um católico procura um padre para confessar os seus pecados, está fazendo do padre o seu ouvinte, e espera que, expondo-se a ele, obtenha respostas para os próprios erros. Se você opta por um psicanalista, também espera que ele o ajude a se descobrir como indivíduo... Mas esqueça a experiência, o profissionalismo e a sabedoria: somos jovens. Somos teimosos. Somos amigos.
Quando estamos encolhidos sob nossas cobertas, sem sequer conseguir falar direito, esticamos nossos braços, alcançamos o telefone e pedimos socorro para aquele único amigo que nos viu chorar. Esperamos que ele entenda nossa voz engasgada, e nos encolhemos ainda mais sobre a cama - bem antes de suspirarmos, alongarmos nossos membros e relaxar. A voz do outro soa ao telefone, e uma certa paz se desenvolve dentro de nós. As palavras erradas e desajeitadas do amigo nos sossegam porque, de repente, nos damos conta de que não estamos sós. E não há nada melhor que descobrir que não estamos sozinhos nesse mundo gigantesco de tecnologia e preocupação.
Sobre o tiramisù, bem, não tenho certeza de como aconteceu, mas penso que tenha sido um dia difícil para um certo alguém. Imagino que tenha chegado exausto àquele pequeno restaurante e sorrido à primeira garfada daquela sobremesa estranha. "Questo tirami sù" deve ter dito, e quis dizer, em italiano, "isto me faz feliz". Acredito em sua real felicidade naquele exato momento, mas há doçura que nos agrade além do paladar.
Mais que qualquer sobremesa do mundo, a amizade é essa coisa gostosa que alivia o coração.

Beijocolates,
#V

domingo, setembro 7

Algo

Balanço, balança, peso, cadeira, sofá.
Balance, balance, respire, suspire, acompanhe.
Hesite, sorria, hesite, respire, suspire, deixe chegar...

Questione, mostre, experimente, recuse e sorria.

Observe.

Observe o olhar fixo, turvo, dilatado, e condenado.
Tome uma dose de ar.

Certeza, dúvida, mas seu olhar está vidrado.
Um sorriso comedido, torto, sacana e amado.


Pesa e puxa, faz-se sentir.
Prenda, relaxe e solte o ar.
Prenda, segure, não deixe ir.

Não deixa ir embora, que ainda é cedo!
Embora, nessas horas loucas da vida, nunca seja tarde ou cedo demais para amar.

#V

quarta-feira, fevereiro 19

Poesia

- Escreveu um poema para ele?
- Não. Só escrevi; o poema fez-se por si mesmo.
- Lhe agradou?
- Sequer imagino, se sim, se não... Não tomou conhecimento dos versos.
- Ora, a troco de quê?
- Ele não será o último a ignorar palavras; nem foi o primeiro, também.
- Então fez outros poemas?
- Não. Só escrevi; a poesia explorou suas próprias formas.
- Poemas têm forma?
- Poesia, você quis dizer?
- Há divergência?
- Alguém certa vez me explicou que poesia é o acelerar do pulso ou do punho, a emoção pura, simples, quase translúcida. Poema é texto. Poesia é vida.
- Vida?
- Que mais poético há, se não a vida?
- Poesia é beleza? Não há beleza no amontoado de parágrafos tecidos que tenho à frente. Veja só esses poemas todos. Seus remetentes não têm ideia de sua existência. Jamais a terão!
- Não se trata de poema, mas de poesia, e a poesia foi verdadeira em cada traço curvo de letra unida a letra.
- Planeja guardar sua poesia em segredo.
- Me insulta! De forma alguma, poesia não deve ser secreta. Deve espalhar-se apressadamente, a fim de tocar cada coração a seu alcance.
- O que fará com todas essas palavras?
- Levarei comigo.
- Em pasta? Nada servirá a tantos papéis!
- Ora, por que pensa em papéis? Pretendo carregar poesia em meus traços, em meus gestos, em meu ser. Quero ser poesia.
- Sendo poesia, entregará aos destinatários estas frases compostas?
- De forma alguma...
- Para eles escreveu, a eles nega a escrita?
- É tolo. Não percebe?
- O quê?
- Escrevi para mim mesma, para mais ninguém. Essa poesia é só minha, e de mais ninguém.
- Pensei que fosse espalhá-la em sorrisos!
- E vou! E todos terão um pedaço de mim dentro de si. Um pedaço só meu, de mais ninguém, confiado aos cuidados do hospedeiro.
- Como cuidar de parte que não dele próprio?!
- Não sabe? Com poesia...

Beijocolates,
#V

sexta-feira, agosto 30

Teste 093

"Às vezes você conhece uma pessoa maravilhosa, mas apenas por um rápido instante. Talvez em férias, num trem ou até numa fila de ônibus. E essa pessoa toca sua vida por um instante mas de uma maneira especial. E, em vez de lamentar o fato de ela não poder ficar com você por mais tempo ou por você não ter a oportunidade de conhecê-la melhor, não é mais sensato ficar satisfeito por ter chegado a conhecê-la um dia?" - Marian Keyes

A DITADURA DA RAZÃO

Um calor que se estende por todo o corpo - o rosto parece estar em chamas. Hesitamos e nos pomos a ponderar: faço? não faço? e sequer ousamos dar um primeiro ou segundo passo.
Não entendo por que temos tanto medo dos outros.
É um tanto difícil enxergar que somos todos iguais. Quero dizer: eu penso, discuto, temo, imagino, sonho e tenho meus motivos para tudo isso, mas só conheço o superficial do que é alheio a meus dilemas pessoais. O rosto visto sem uso de espelho é vago - as atitudes, os modos de ser, são pouco conhecidos por nós. Funcionamos de modo particular, e entendemos nosso próprio mecanismo, mas o outro? O outro nos é desconhecido. Cada um tem seus sonhos e razões, medos e dilemas - e precisa de compreensão. Uma era de individualismo exacerbado talvez nos cegue um pouco a isso tudo - o que é uma pena, pois, enquanto seres sociais e mutantes, precisamos do contato com o outro, principalmente com aqueles que não pensam como nós. Nos apegamos muito ao comodismo, aos mesmos amigos de sempre, às pessoas que não ofendem nossos princípios - mas o que demais há nisso? É muito fácil ouvir e curtir as mesmas músicas que nosso círculo, mas crescemos tão mais ao provar do desconhecido e prejulgado!
Temos muito receio em falar com estranhos, e por estranho me refiro àquela pessoa que está sozinha, com o olhar perdido, provavelmente tão desconfortável quanto nós estaríamos em sua situação. É um qualquer, como qualquer um de nós - e não nos arriscamos por quê?
Humanos não mordem, geralmente.
Ei, racionalismo, dá um tempo! Se a gente perder tempo por medo, o momento passa e, quando a coragem vem, já é tarde demais. Deixa... acontecer.

IMPULSÃO À FELICIDADE

É muito mais divertido agir imprudentemente, sem calcular o que falar, sem esperar o nervosismo passar.
Qualquer assunto é assunto - jamais haverá "nada" a ser dito, pois mesmo o nada pode ser discutido. As pessoas são seres pensantes e incríveis. Experimente falar com aquela com quem sempre quis conversar e entenderá o que estou falando: o primeiro contato é excitante, o momento de descoberta. Todos têm um potencial verdadeiramente extraordinário.
Engaje em uma conversa que dure dois minutos ou duas horas e já estará mais rico em espírito. Sempre nos surpreendemos com o encontro de mundos particulares -  e como não? Entre tantos indivíduos que passam por nossas vidas com a riqueza de um "bom dia", haverão também aqueles que farão culminar um aceno breve em relação firme, seja ela de qual gênero for.
Se abra ao impulso, ao desejo primário de se comunicar verbalmente, e verá quão bom, libertador e construtivo poderá ser algo que começou com um simples "olá". A imprudência, em medida certa, nos encaminha ao que nos é, factualmente, agradável.
7,2 bilhões de pessoas ocupam o planeta Terra; são 7,2 bilhões de mundos a serem explorados. É provável que nunca consigamos investigar um a um, mas por que não tentar? 

Beijocolates,
#V

segunda-feira, agosto 19

Teste 092

Amor aos pedaços.
 
1)

2)
"Se o navio afundar, afundamos juntos - se tivermos de morrer esta noite, seremos eu e você para sempre, juntos, até que nos acabemos; eu estarei ao seu lado, mesmo que estejamos do outro lado." - Eli Lieb
 
3)
Quem somos nós para amar? - frágeis, imaturos.
Quem somos nós para não amar? - frágeis, imaturos.
Frágeis, imaturos, poetas natos.
Quebradiços, nos reconstruímos: esbanjamos vitalidade e desespero.
Pulsa, pulsa, pulsa.
Pulsa com intensidade - e cada célula é banhada em vida.
Jovens, amantes ou loucos.
Jovens, amantes e loucos.
 
4)
A iminência de ser feliz em conjunto, um abismo temporal.
O início reprimido do belo - reprimido por quê?
Quis. Quis intensamente.
Quis que quisesse tanto quanto eu.
Lutar por algo cuja visão foge de horizontes é exaustivo - lutamos?
Me contento - exausta.
Sorrindo ao imaginar se minha boca sentiria falta do gosto da sua.
 
5)
Eu ainda lembro de você nos dias chuvosos.
Por bobagem, penso quem seríamos - se eu houvesse dito.
O que foi? O que houve?
Decifrar gestos em ações - complexos.
Penetrar seus sonhos como invadiu os meus.
 
6)
"Insista, persista!" - desisto.
Não por raiva, medo ou mágoa: por cansaço.
Talvez, não agora.
Quando deva ser, se houver de ser.
Será.
 
Beijocolates,
#V

segunda-feira, agosto 5

Teste 091

Tendo chegado da Jornada Mundial da Juventude e ainda com gritos de guerra me assaltando pensamentos, poderia muito bem dissertar sobre a experiência espiritual que vivi comentando a taquicardia ao perceber uma multidão, vinda de países cuja existência me era desconhecida, unida por um motivo nobre: a fé. Mas não é para isso que estou aqui - não, não: quero escrever, ainda me recuperando com comida caseira e boas horas de sono em minha própria cama, quero falar sobre o que andam me falando.
OUVI DIZER...
#1 Que meus queridos não fazem parte do mundo real.
Sim, isso me deixou um pouco confusa. Algumas pessoas justificam atos rudes com intimidade e, quando questionadas, permanecem firmes com argumentos sobre como é melhor que sejamos destratados logo por nossos menores círculos, porque assim estaremos preparados para toda a brutalidade que enfrentaremos mais à frente. Devemos pensar um pouco sobre isso, afinal, não são poucos a dizer que carinho desprepara para a realidade, mas creio que não estão com a razão!
Não é maior a dor ao ouvir palavras bruscas de quem queremos bem do que aquela ao ouvir as mesmas palavras de um estranho qualquer? Me machuca muito mais receber críticas de quem me conhece bem do que de alguém que me flagrou em erro por alguns segundos de vida. Ora, que há de saber sobre mim um mero estressado, enquanto partilho segredos e bons momentos com meus amigos?
Em minha tão pouco humilde opinião, devemos sempre AMAR quem amamos, sem pecar em medo de redundância. Se formos amados ao máximo, desencadearemos um magnânimo ciclo perfeito: ansiaremos por amar mais os que nos têm amado, e estes amarão, e amararemos mesmo aqueles que participam brevemente de nossas vidas, e talvez eles amem também. A caridade elevada fará tão bem...
O mundo real é maligno se assim o enxergamos. A qualquer modo, haverá sempre alguém a nos acolher em abraços reparadores. Nossos queridos, familiares e amigos, são nossos portos seguros. A quem devemos recorrer em alegria e tristeza, certos em ter amparo. Não estão lá para amaciar-nos, como quem amacia um bife, e preparar-nos para a tão dura realidade, mas para serem nossa mais linda, pura e sublime realidade.

#2 Que abraços são pequenas orações.
O que me encheu de alegria! O discurso foi um pouco mais longo, mas acredito que esta frase se destaque e traduza muito do que o gesto tão simples realmente é. Há várias maneiras de abraçar, é verdade. Existem abraços que nos dissolvem e abraços que libertam lágrimas - não um enlace de braços qualquer, mas uma rápida comunhão de almas. Tornou-se algo corriqueiro, mas o especial é sensível.
Abraços dignos não deveriam acompanhar tapinhas nas costas - odeio tapinhas nas costas. Abraços dignos deveriam ser fortes e duradouros, para que cada palavra indizível seja ouvida e respondida. Ah, tantos abraços, e tanto num gesto simplório de amor!

#3 Que esquecerei pessoas importantes.
Eu não sei bem o que faz pessoas tornarem-se importantes. Tampouco perco tempo a perceber ausência de especialidade, só vejo o que está em destaque, em negrito, marcado em tinta colorida, sem motivo aparente. Pessoas especiais ocupam-nos pensamentos e nos fazem sorrir de um jeito gostoso. São companhia boa, não enjoativa, e que não requer contato constante. Os encontros entre você e quem "brilha no escuro" podem ser espaçados em meses, sem sequelar relacionamento em nível qualquer, pois, ainda assim, ela brilhará, e seu brilho parecerá lhe fazer cócegas.
A frase "Você sequer lembrará meu nome." foi proferida por uma boca cujo dono tenho em carinho. A princípio, que fique claro: nomes e fisionomias são meu campo forte (não é simplesmente maravilhoso reencontrar alguém na rua e perceber mudanças de causa temporal em corpo e energia, sem ser reconhecida?), ai de sua ousadia ao desrespeitá-lo!
Lembranças, como minha professora de Literatura há pouco falou, são nosso refúgio. Se não tivermos estas boas memórias a nos trazer felicidade em uma época em que lágrimas desgostosas nos cegam para a alegria, corremos o infinito risco de deixar a alma apodrecer. O passado nos ampara quando o presente, mesmo breve, é inóspito a nossos sonhos. Não apenas o bom passado acalenta nosso coração, mas também aquele que remete à tristeza - sabendo que já sofri e que, depois, sorri, renovo esperanças e bebo da certeza de que serei feliz outra vez. Alimentando-nos de sonhos e memórias, tendemos ao gozo eterno de cada instante.
Basta um esbarro de ombros - "desculpe!" - e a presença de cada um marcou a vida do outro. O esbarro, ínfimo contato momentâneo e ocasional, modificou caminhos, futuros e mesmo os genes de nossos filhos. Os acasos que modelam nossa existência, na verdade, não devem ser tão casuais quão pensa-se, e a mínima passagem de uma vida por outra já deixa sua marca em ambas. Tendo chegado ao ponto em que eu percebo e admito que você me marcou, acredito que seja importante e, sendo importante, é de difícil esquecimento. Sendo especial, espero de você o mais prolongado abraço e as palavras silenciosas mais ternas. Sendo especial, tenho atitudes suas registradas em mente e tinta, rosto em lápis e impressão, saudades em cenário e protagonismo.
Lhe direi uma coisa, porque sei que, enquanto ser humano, você, leitor, é especial - talvez não a mim, mas a alguém, e estou certa disto -: ainda que esqueçamos seu nome, recordaremos sua voz; ainda que esqueçamos sua voz, recordaremos suas palavras; ainda que esqueçamos suas palavras, recordaremos seu sorriso; e, ainda que esqueçamos tudo isso, recordaremos o bom sentimento que nos trazia com sua presença.
Lembranças, se não são eternas, são, certamente, duradouras. Porque transcendem o material, estão além do conhecido... Memórias se escondem em cada curva de nosso cérebro e, quando por bem, vêm à tona. Se confundem em tempos e nos surpreendem em horários inoportunos, anulando certezas e desenhando sorrisos em nossos rostos - ah, fotografias passadas...
Por agora, nos preocupemos em criar o passado que nos será célebre um dia.

#4 Que silêncios prolongados são carregados de sentimentos.
Sentimentos diversos - há diversos silêncios.
Há silêncios ternos, silêncios secretos, silêncios cúmplices, silêncios amorosos, silêncios impetuosos.
Há momentos nos quais sentimos uma necessidade tremenda de pronunciar algo, mas nada é dito - e a sensação parece atingir também a pessoa com a qual estamos; um silêncio no qual ambos desejem pronunciar verdades, mas se reprimam, quebrando a doçura da calmaria momentânea com inquietação pessoal, ainda que, não notoriamente, conjunta. Foi-me dito que haveria certeza do querer em tais situações - mas querer o que? Nos custa revelar. O que nos embriaga e nos faz bobos nos deixa, também, tímidos, mas, em sinceridade silenciosa, o que não é dito é sensível aos envolvidos.
Algumas pessoas comentaram que adorariam estar apaixonadas.
"Sinto falta de ansiar pela visão, pelo perfume de alguém" confessaram-me.
Sou partidária das paixonites e do calor que a gente sente só de pensar em um certo alguém, mas talvez argumente a favor por raramente estar apaixonada. O sentimento condicional, que depende do outro, nos deixa desconfortáveis. Passamos horas contra argumentando com nosso próprio umbigo: será que sim?, será que não? Somos dominados por uma incerteza que nos custa bastante - e seguimos em tortura, em pensamentos, julgando possibilidades e atrevimentos. Nos regulamos em tudo, nos transmutando ao agradável que parece desagradar o outro. Todavia, quando deslizamos um pouco e sentimos o rosto corar, abre-se um sorriso terno no rosto amado e aquela sensação assustadora e plena nos invade por completo, o estranho choque que percorre nossa espinha em ansiedade pelo toque, pela descarga do que é acumulado a cada retração de timidez. Se pudéssemos calar medos e nos entregar por inteiro...

#5 Que só é feliz quem tem coragem.
Uma verdade, por si só, contraditória, dita por quem não ouve os próprios conselhos, mas, ainda assim, verdade. Posso estar feliz, sem riscos, mas ainda sonhando com o que poderia alcançar sem o medo que tenho. Há sempre algo que sabemos que estamos perdendo, algo que desejamos, mas tentamos esquecer. Tentamos dizer a nós mesmos que o desejo dá e passa, mas, quando culmina em vontade, já não é facilmente ignorado.
É tão difícil abandonar receios... Woody Allen encaixa bem, em uma de suas produções, que "toda covardia vem do não amar". Podemos ficar um pouco chateados com sua colocação, mas jamais dizer que está mentindo. Quando o amor é real, faz com que negligenciemos quaisquer preocupações. O querer que consome expectativas traça meios e nos impulsiona ao abandono da incerteza.
Segundo alguns filósofos, a coragem é supervalorizada por uma historia de honra a guerreiros. Eu, por minha vez, acredito que coragem seja confiar em si próprio, e a autoconfiança é, sem dúvidas, uma porta larga à satisfação.
Mais importante que metodologia, porém, é objetivo, o que nos fará agir e quebrar barreiras, desafiar nossos próprios limites. Devemos sonhar. Sonhar bem alto e buscar realizar cada utopia particular. Se fracassarmos, saberemos quem procurar. As doces palavras consoladoras nos envolverão em uma aura de amor enlaçado, realizado, familiar. Em lembranças construídas e no acalento de um coração latente, habitará a certeza de que voltaremos a sorrir.
 

"O que eu ganho e o que eu perco, ninguém precisa saber." - Lulu Santos

Beijocolates,
#V

quarta-feira, julho 10

Teste 088

O sol não deixa de radiar. Invariavelmente, está nos revelando mais um dia a cada manhã, ainda que não percebamos. Chove, mas ele está lá. Anoitece, mas ele está lá. Talvez seja plausível que Rá fosse o deus mais importante da mitologia egípcia. Em nós, a constante radiação, direta ou indireta, nos consome e nos repõe energia. Nos faz viver, mesmo em dias tristes. Mesmo em dias incertos ou dias arrasadores. O sol nos consola com a promessa de mais um dia e a calmaria do luar; nos dá tempo para pensar e ordena, pacientemente, que tomemos qualquer atitude. A cada dia que passa, fazemos o que bem entendemos com as vinte e quatro horas que nos foram concedidas. Às vezes, sequer levantamos do conforto de nossa cama, enrolados em preguiça e cobertores enquanto alguém nos espera ansiosamente. Não importa quão desagradável o amanhã pareça, o amanhã surgirá repleto de possibilidades.
Sorria.
O sol acolhe um sorriso com certa satisfação - nos aquece internamente. E lá está ele, brilhando a seu favor e em favor de todos os outros. É um novo dia. Um dia para reconstruir velhos sonhos, alimentar novos e realizar alguns outros. É tempo de ser feliz, simplesmente, e permitir que a felicidade invada-nos a alma bem como parecem os raios de sol fazer.

"Não importa quão longa e escura lhe pareça a noite: o amanhecer é inevitável" - mamãe

Beijocolates,

#V

domingo, julho 7

Teste 087

Acordar em meio à madrugada e ficar pensando, pensando...
Memorando bons momentos e formulando alguns outros que te façam sorrir.

Beijocolates,
#V

sexta-feira, dezembro 7

Teste 073

"Talvez exista um céu, como dizem, um lugar onde tudo o que já fizemos está anotado e registrado, calculado nas enormes balanças do karma. Talvez não. Talvez essa coisa toda seja apenas uma grandiosa experiência conduzida por alienígenas que acham divertido esse nosso oba-oba humano. Ou talvez sejamos um projeto abandonado que foi iniciado por uma deidade que caiu fora há um tempão, mas nós ainda estamos programados para acreditar, para tentar encontrar sentido num mundo aparentemente aleatório. Talvez todos nós façamos parte do mesmo ensopado do inconsciente, sonhando os mesmos sonhos, compartilhando as mesmas esperanças, precisando da mesma conexão, tentando encontrar e errando, tentando de novo - cada um de nós encenando os nossos papéis nos roteiros dos outros, apenas um enorme novelo humano todo embaraçado. Talvez seja isso."
Libba Bray em "Louco aos Poucos"

Beijocolates,
#V

quarta-feira, julho 4

Teste 056

É verdade que eu acabo de voltar da Chapada Diamantina e, ao invés de tentar escrever sobre emoções, descobertas, Deus e paisagens, venho a vós preparar um milkshake de chocolate sobre o que mais agrada sua língua: a fala.

Você fala sem pensar, sem saber, sem gostar, você simplesmente fala, independente se pré-meditou aquilo ou não. No fim das contas, as palavras que jorraram por sua boca foram exatas, diretas e corretas, e não as trocaríamos por nada nesse mundo - ou talvez trocássemos.
As frases que brotam sem sutileza alguma ou ricas em suavidade desaguam em um mar de complexidades que nenhum acadêmico poderia integrar em um currículo: gestos, tons de voz, caras e bocas... É engraçado como lemos e computamos cada sorriso - e como podemos discerní-lo de todos os outros - sem sequer sabermos que estamos fazendo isso.
O interesse e a simpatia entre duas pessoas se dá, como já foi dito pelo meu professor de Física (e eu nem queria lembrar do colégio agora), por gestos espelhados - veja só eu e minha mãe: eu começo a contar uma história de quase morte e ela já está com o rosto agoniado e semelhante ao meu.
Quando você e alguém de quem você gosta muito - hmmm... - estão conversando, é normal que gesticulem de modo a aproximar-se ou que o contato visual seja duradouro, além dos movimentos serem dados como em uma sincronia que, se fosse ensaiada, não seria tão perfeita.
É engraçado pensar que mesmo o toque e a intensidade dele diferem cada contato - há mil modos de abraçar alguém, e podemos, com um pouco de esforço, entendê-los. É como sorrir! Um sorriso apaixonado e cauteloso não é diferente de um sorriso intencional e objetivo? Bem, eu acho. Quando sorriem falsa e forçosamente, não machuca? Mas quando sorriem verdadeiramente, o coração da gente até esquenta um tantinho...
Sem contentar-se, o ser humano inventa códigos, teatros, linguagens, poesia, música, Literatura; e expressa-se como uma dança ou um jogo, ambos os corpos conectados e completos, movendo-se e comunicando-se de um jeito próprio e belo.
Racionalizar a comunicação só faz utilizá-la mais e mais: telefonemas, sonhos, mensagens, olhares - ah, os olhares... -, mas o que quero dizer é que... não quero dizer. Apenas olhe para mim e sinta tudo o que está no estreito espaço entre nós.

"Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua, qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar vivo" - Jota Quest

Beijocolates,
#V

terça-feira, maio 1

Teste 045

"'Milagres termodinâmicos...
Eventos tão improváveis que são impossíveis na prática, como oxigênio virar ouro espontaneamente.
Eu quero muito observar algo assim.
No entanto, em cada par humano, milhões de espermatozóides avançam rumo a um só óvulo. Multiplique as possibilidades por incontáveis gerações, junte à chance de seus ancestrais estarem vivos, de se conhecerem, de conceberem esse preciso filho, essa exata filha... até mesmo sua mãe amar um homem que tinha todas as razões para odiar, e dessa união, das milhões de crianças competindo pela fertilização, foi você, apenas você que emergiu, extraindo uma forma específica desse caos de improbabilidades, como o ar se transformando em ouro.
Isso é o pináculo do improvável. O milagre termodinâmico.'
'Mas, se eu, meu nascimento, se isso for um milagre termodinâmico... pode-se dizer o mesmo de qualquer pessoa no mundo!'
'Sim. Qualquer pessoa no mundo.
Mas o mundo é tão cheio de pessoas, tão repleto desses milagres que eles se tornam lugar comum e nos esquecemos...
Eu esqueci.
Nós contemplamos continuamente o mundo e ele se torna opaco às nossas percepções.
No entanto, encarado de um novo ponto de vista, ainda pode nos tirar o fôlego.
Vamos, enxugue as lágrimas, porque você é vida, mais rara do que um quark e mais imprevisível do que qualquer sonho de Heisenberg; a argila na qual as forças que moldam a existência deixam as impressões digitais mais visíveis.
Enxugue suas lágrimas... e vamos para casa.'"
-Alan Moore (Watchmen)

Beijocolates,
#V

terça-feira, fevereiro 14

Teste 030

(Trigésimo teste *.*)
A mente não para, o tempo não para, os olhos não param, o corpo não para, a gente não para.
Tente ficar cinco minutinhos sem pensar em nada - impossível. Testei isso mais que o preciso, e nada funcionou. Não que eu não acredite que todos aqueles monges e yogues fiquem pensando na morte da bezerra enquanto meditam - óbvio que não. Tenho certeza que, enquanto você estiver "pensando em nada", sua cabeça vai trabalhar tão depressa assimilando coisas, que nem palavras serão formadas: você simplesmente sente. "Viu? Ela tava errada, eu consigo não pensar. Droga. Quando a pessoa para, fica tudo branco? Como é bom não pensar. Casa vermelha, loja, que calças feias, parei. Droga, pensei! De novo, do início..." - E só terão sido os primeiros 20 segundos.
Impossível não se maravilhar com o mundo. Me desculpem, sou apaixonada por essa bola torta e aquática em que vivemos. E quanto ao universo? Essa maravilha pulsante e incontrolável, quem toma conta dela, quem? Um trecho de Harlan Coben me chamou bem a atenção. "Esqueça o fato de que este planeta, aliás, o sistema solar, é tão ridiculamente pequeno que a gente nem consegue entender isso. Tente imaginar que você está numa praia enorme. Então você pega um único grão de areia. Um só. Depois olha para os dois lados e a praia se estende até perder de vista. Você acha que o sistema solar é tão pequeno em relação ao universo quanto este grão de areia é em relação à praia? Bem, se achasse, estaria errada. Porque é muito, muito menor. Imagine que você ainda está segurando o grãozinho de areia. Só que agora vai compará-lo não apenas à praia em que está, mas a todas as praias do planeta, as da costa da Califórnia e as da costa Leste, desde o Maine até a Flórida; as do Índico e da África. Todas as praias do mundo mesmo. Pois bem. Comparativamente, nosso sistema solar ainda é muito, muito menor em relação ao universo. Dá pra entender como somos insignificantes?"
Mesmo antes de ser louca e fissurada pelos suspenses de Coben, já discutia isso com minha mãe. Nos consideramos tão importantes, e somos todos tão insignificantes! Mas, ao mesmo tempo, pensar que ainda dentro de tanta insignificância há inúmeras células microorganizadas, funcionando, vivendo, morrendo; e que em cada sistema dessas coisas invisíveis a olho nu existem microórgãos que são formados por coisas que até hoje desconhecemos, moléculas, átomos, elétrons, squarks... O que mais não está por vir? Cada um com seu próprio mundinho, sua própria preocupação!
A vida é, simplesmente, maravilhosa!
"Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa - a vida é tão rara." - Lenine
Beijocolates
#V

domingo, março 13

Amor


Sim, afinal, o que é amor?




Passei semanas, se não meses, me fazendo essa pergunta. Alguém me disse que pensar demais sobre o assunto acaba me bloqueando para sentir uma coisa que supostamente viria de forma natural. Mas é que tudo parece tão dedicado nos filmes, nos livros, ou até mesmo nas letras de música. Parece sempre que o casal apaixonado vai viver assim para sempre, um dependendo do outro, enquanto durar enquanto viverem.
Uma amiga minha disse que adolescentes não amam. Também, para quem acha que casamentos não existem, não vejo por que ela acharia que coelhos da páscoa são reais. Em contrapartida, um outro alguém alegou que todos têm direito de amar, independentemente da idade, até porque não há padrões sociais nem regras que delimitam o sentimento humano.

Um amigo foi mais fundo, filosofando que pessoas são completamente substituíveis (é foda aceitar isso, mas é a pura verdade). Adorei esta frase, mas não creio que esteja 100% correta. Eu não colocaria pessoas no lugar daquelas que já passaram por mim, eu deixo pessoas se assemelharem a elas, mas nunca vou esquecer as que antecederam. Jamais.

Cheguei à conclusão que todos amam. Mas a visão do amor é algo que se modela ao tempo, não há como encontrar uma definição definitiva, permanente. Eu amo de um modo diferente que minha mãe ama, ou que meus amigos podem amar, sabe? Varia de pessoa pra pessoa, nunca será um padrão.


Para mim, amar é querer estar perto. Querer ao menos ouvir a voz daquela pessoa e ver seu sorriso. Saber como está sua vida e desejar um bom dia, independente se é uma amiga, um primo, um irmão, uma mãe.





O amor romântico, só vou saber quando realmente estiver apaixonada, mas, enquanto isso, deixo os livros fazerem minha cabeça, me deixando acreditar que, quando eu conhecer a pessoa certa - uma das, quem sabe -, nada mais vai importar.




- Quem sabe não importe, mesmo.
#V

segunda-feira, fevereiro 7

Resultados

Você leu e seguiu orientações de uma super loser que NUNCA FOI NOVATA NA VIDA - isso é mentira, mas ser novata com 7 e 8 anos, sendo crianças os seres mais sociáveis do mundo (by @jade_oliveira), fica meio que difícil comparar alguma coisa, ou até mesmo lembrar de como aconteceu. Sempre tem alguém suprasocial que chega falando com você, e, do nada, quando você acorda no dia seguinte, sabe que tem um novo melhor amigo. Mas, à medida que vamos crescendo, as coisas mudam. Não sei se a gente pode justificar tudo com os hormônios, mas posso dizer que, quando a adolescência vem com um peso imenso: a crítica. Quando você é um adolescente, você precisa ter um cabelo legal, uma pele legal, um humor legal... É tudo tão exigente, que algumas pessoas chegam a ter medo uma das outras. É se sentir exposto, com medo de ser julgada, e como vai ser julgada. Quando cheguei nesse colégio novo, percebi que poderia ter lido 50 livros de auto-ajuda a respeito (não que eu já tenha lido um) e mesmo assim não conseguiria. Imagine 300 pessoas que já vivem uma realidade completamente distinta, e a intrusa lá é você. Ainda assim, nessa coisa de não ficar confortável, você pode me questionar, afinal, eu não estava com duas amigonas do peito na mesma sala que eu? Pois eu lhe respondo que, talvez, seja ainda pior se você já tem seu grupinho formado, porque, de 50 pessoas que formam sua sala, 47 se conhecem e todas amam umas às outras.
Na Mater, dizíamos que éramos uma família, e éramos, mas uma família bem mais aberta que qualquer outra. Porque, quando se faz parte de uma família tão unida e tão aglomerada, é bem difícil ser filha adotiva e, principalmente, se tiver sido adotada já grande. Porque você tem consciencia de que foi adotada, e sabe que existem tantos outros irmãos que se sobressaem, e você é capaz de ver a diferença em tudo. É uma coisa quase palpável.
Eu não consigo me conformar, porque estou me queixando do deslocamento depois de uma semana, e já tem pessoas estáveis ou totalmente miseráveis que tiveram que se desfazer do que era nossa casa antes. Isso. Um lar quebrado, e pessoas lutando por um novo.

Não tô tão deprê quanto parece, as pessoas são bem legais no DAMAS, mas, ainda assim,
#V