sábado, fevereiro 18
quero te mimar profundamente
quinta-feira, março 4
a humilhação pode operar milagres
essa é uma primeira postagem depois de muito tempo das últimas postagens porque me deu vontade e já tinha dado vontade antes mas eu deixei passar e acabou passando
fiquei com medo que passasse de novo então vim postar qualquer coisa
não sei
não sei o que escrever
mas sinto saudade de fazer isso - não escrever somente, não escrever em qualquer lugar, mas escrever aqui: é disso que eu sinto saudade
afinal o que é uma postagem num blog?
um pensamento próprio, confuso, elaborado, opinião que transborda dos insuficientes 280 caracteres
esse é o espaço para minha loucura se manifestar livremente, ou numa tentativa de organizá-la em pensamentos, argumentos sólidos na pretensão de convencer quem lê de que estou mesmo louca, mas não tanto assim
"é que essa loucura faz sentido", essa loucura se faz sentindo
mas esse não é um texto argumentativo ou poético ou bonito
eu poderia falar sobre a pilha de livros começados que organizei na estante do meu quarto, as coisas estão mudando, sei que estão...
hoje vivi um grande rompante terapêutico, coisa potente, energizante, que só se encontra cavando bem fundo o fundo do poço
meses caóticos, improdutividade seletiva, desespero, pena, lágrimas e uma mensagem que foi eu batendo o olho, pressão caindo: pronto. fudeu. e não era isso que eu queria, correndo na beira da piscina?
escorreguei tem tempo, só não dei conta que estava caindo
me olhou incrédula, de cima pra baixo: "caiu?"
pior que eu nem tinha reparado que tava ali estatelada - tinha tanto tempo, o corpo chega doía da imobilidade
vergonha de quem é estabanada, cabeça erguida de quem tá acostumada com a passação: "caí, mermo. queria nem pedir ajuda, mas to sentindo que me fudi"
a humilhação pode operar milagres, disso não tenho (mais) dúvidas
a cara arde, timidez não é nada comparada aos tapas da realidade
ofereci todas as faces da minha bunda à cadeira, minhas costas se pudessem choravam, mas não podem então gritam
zunzunzum do corpo que aquieto já com banho
dia foi puxado, emocionante, lindo também
li, escrevi, li, escrevi, tirei uns trinta minutinhos pra passar mal desejando romance colegial que eu nunca vivi, passeei com a cachorra lolla pelo bairro e voltei aqui
e li o que tinha escrito, escrevi com o que tinha lido, baguncei foi tudo!
mas é sobre isso, né?
#vique
p.s.: pois então??? que coisa interessante... eu queria muito terminar com um beijocolate de ensino médio, mas não vai dar!! que coisa estranha que a pessoa que deu origem ao #v é foragida de minha vida, inventei persona outra de lá pra cá, coisa gostosa recomeçar... kikiiiiu bora lá
segunda-feira, abril 17
Carta para o cara escroto que me tornou uma pessoa simpática
quarta-feira, julho 27
ve-la
é quando a luz cessa, quando a noite a faz sentir sozinha, que me procura
na escuridão.
seus dedos me tocam, me sentem, me esquentam... me deixam momentaneamente, e o ruído produzido por um risco é gostoso aos ouvidos.
o calor me toca e me envolve, deliciando-me - está dentro e fora de mim.
seus lindos olhos são visíveis a todos mais uma vez - seus lindos olhos.
mas estamos apenas as duas ali. sou privilegiada por isso.
aqueço-a, me sinto querida, mas ela já não está ali. o toque se foi.
a chama que arde em mim não mais é das carícias, mas do que ela fez comigo enquanto me acariciava.
meu próprio fogo me consome, literalmente, me destruindo aos poucos
dói. a dor excruciante me toma por inteiro.
minha paixão me derrete, me machuca e me diminui - a troco de quê estou morrendo em mais uma noite escura?
algo muda no ambiente, mas a dor não me deixa entender o que é.
ela move-se vagarosamente pelo cômodo, cada vez mais perto de mim. estou a poucos centímetros de seu rosto agora, mas não posso tocá-la.
ela abre um sorriso delicado e delicioso, e meu fogo expande-se, iluminando suas bochechas.
esqueço a dor em sua companhia, e me derreto ainda mais rapidamente.
vou morrer! vou morrer de amor!
sua boca toma outro formato lentamente, preparando-se para um beijo.
minha chama é agora inquieta, diante dessa imagem. a quero mais perto, mais perto!
mas não é um beijo. é um sopro.
ainda atordoada, já morna e sem vida, me descubro inútil no cômodo iluminado.
suas mãos, agora ágeis e precisas, removem-me de meu altar recém-conquistado, me quebrando no ato.
estou menor e machucada quando sou posta de volta na gaveta. já fria, desolada e esquecida.
mas só penso nela. e mal posso esperar para ser lembrada outra vez.
segunda-feira, julho 4
duas mãos
quarta-feira, junho 8
70
terça-feira, fevereiro 3
[EL]-es
Ele deu
Ela prendeu
Ele soltou
Ela teve medos
Ele teve sonhos
E agora, o quê?
Há sorrisos em ambos os rostos
Sorrisos diferentes
Ela parece ter mais olhos
Ele parece ter mais dentes
Curioso, curioso
E o amor que aflorou num
Desabrocha em outro
Outro, mesmo
Não mais aquele
E tudo ficará bem
Não tenha dúvidas quanto a isso
Ainda que um não faça o bem
Que o outro fazia a um
Porque essa coisa de amar
Revigora e permanece
Quentinha no coração
E ainda que lhe digam "não"
A ele, seu coração
Não se preocupe, que a vontade sincera só cresce
Pois o amor não reconhece
Essa historia de "diminuir"
Beijocolates,
segunda-feira, janeiro 19
Cor-de-dois
Pois bem. Naquela noite, a Lua foi ousada o suficiente.
Ninguém esperaria uma postura como essa vinda de um astro tão terno e conhecido, pois não era rotineiro tê-lo como ladrão - talvez roubasse do Sol um pouco mais que a quantia ofertada de brilho em ocasiões especiais, mas uma cor?
Apesar das evidências, porém, não sei se posso classificar o sequestro como um crime, porque a voz da contrariedade não se fez ouvir.
O mar respirava calmamente, tomando e devolvendo ondas; fazendo a água molhar a areia fina e já úmida da praia. Ele refletia a maravilha que acontecia sobre si, em meio ao breu noturno, e tudo mais refletia o delito fantástico: o mar, as nuvens, as estrelas, o sorriso dos dois e o calcário sob seus pés. Envoltos em um abraço, sentiam a cor invadi-los, vibrante e harmoniosa, enquanto espalhava-se por aquele céu nublado de dezembro.
A Lua estava baixa e volumosa. Calada, contemplava os olhares que a admiravam compassivamente. Ela tinha uma remota consciência da própria beleza, mas estava extasiada com cada abraço iluminado por uma cor própria... a cor-de-dois.
Beijocolates,
segunda-feira, novembro 24
(Seus) Olhos
Os olhos me olham, envolvidos, embriagados, e a embriaguez é boa, porque me embriaga, também.
Estes olhos que amo fazem do olhar algo demasiadamente verdadeiro.
Os olhos são compenetrados, carinhosos e transbordantes.
Admiro muito esses olhos, até por me admirarem tanto.
Sinto, por esses olhos, mais do que pode ser expresso por palavras, então converto as funções de minha boca, e ela já não fala, mas beija.
O beijo é sincero, porque a boca é sincera e os olhos são sinceros.
Nunca antes fui capaz de ver tanta sinceridade em um par de olhos.
Nesses olhos, vejo meus próprios olhos, mas da forma que os olhos os veem.
E sorrio com os olhos.
Com os seus olhos.
É engraçado como podemos morrer com um olhar.
Me sinto morrendo aos poucos, mas morrendo de felicidade.
É algo curioso: sinto-me prestes a explodir.
Explodir em gioia.
Sinto explodir em um sorriso, mas não me contento com tão pouco.
Deixo vazar dos meus olhos sobre seus olhos, e me preencho com tudo.
Tudo o que posso sentir em seu olhar.
"Meu amor, juro por Deus que a luz dos olhos meus já não pode esperar; quero a luz dos olhos meus na luz dos olhos teus, sem mais la-ra-ra-ra..." - Vinícius de Moraes
Beijocolates,
sábado, novembro 1
Madrugada
A cidade dorme, não se ouve nada. Todos fazem silêncio em seu sono profundo, tudo o que se ouve é o quase sempre abafado som do vento fazendo caminho entre árvores e janelas.
O barulho se restringe à minha cabeça. Dentro dela, tudo são gritos. É ensurdecedor, mas só eu posso ficar surda com a gritaria. É a minha poluição sonora particular.
Me deixa inquieta.
Não consigo dormir.
Nem calar meus pensamentos.
Estou ansiosa pela fervorosidade dos murmúrios que tomam o meu corpo inteiro. Algo deve ser feito a respeito disso, ninguém pode ficar nervoso assim, consigo mesmo.
O imediatismo também me mantém acordada. Eu queria me levantar da cama, apanhar as chaves do carro e só parar de dirigir quando estivesse em frente à sua casa. Então, sentiria minha alma abandonar meu corpo, amedrontada por incertezas, e tocaria a campainha.
Eu adoraria pôr um fim nesse barulho. O mais rápido que pudesse. Quero que a gritaria cesse, porque me impede de falar. Me faz ficar ausente de mim mesma, e ninguém gosta de conversar com alguém ausente de si mesmo.
Eu preciso conversar com ele. Ouvir sua voz.
Sua voz fará parar todo esse tormento dentro de mim. E, se não for suficiente, quem sabe a aurora me traga um pouco de paz...
"A noite é muito longa e eu dou plantão dos meus problemas que eu quero esquecer" - Kid Abelha
beijocolates,
#V
sábado, outubro 18
Ei, garoto
Em que está pensando?
O que quer fazer?
Venha, admire o horizonte por algum tempo
Percebe as maravilhas que se estendem aos olhos?
Venha, respire...
Absorva todo o ar que couber em seus pulmões
Consegue sentir?
Seu coração pulsando, e o sangue passando pelas veias, pelas artérias, por todo o corpo, irrigando-o com vida - consegue sentir?
Venha, me dê a mão
É cedo para tomar decisões, mas há um mundo fantástico a ser desbravado...
Vamos, sorria...
Sua beleza transborda no seu sorriso
E me contempla com uma doçura viva
Sem sequer perceber
Ei, garoto, converse comigo
Em que está pensando?
O que quer fazer?
Beijocolates,
domingo, outubro 12
Mentirinhas
GOSTO DE VOCÊ * SÓ NÃO FAZ O MEU ESTILO * FOI ÓTIMO * ESTOU BEM * ADOREI * VOCÊ ESTÁ CERTO * CLARO QUE NÃO * NÃO HÁ ARGUMENTOS CONTRA * É UMA IDEIA EXCELENTE * HAHAHA * ESTÁ MARAVILHOSO * NADA ME FARIA MAIS FELIZ * NÃO ERA PRA SER * EU SEMPRE SOUBE * ENTENDI * TAMBÉM NÃO GOSTO DELE * NÃO HÁ COM O QUE SE PREOCUPAR...Dizem que somos fortes - somos, mesmo? Quando fingimos indiferença a algo que nos machuca, abstraímos as lágrimas prestes a transbordar de nossos olhos e sorrimos para o que vier pela frente, estamos sendo fortes ou exímios mentirosos?
Dizem que somos belos, mas sobre que critério devo ser feio ou bonito? Qual o padrão errado que me faz esconder meu próprio corpo, por vergonha de suas supostas imperfeições?
Dizem que somos divertidos, que somos felizes, que contagiamos todos com o nosso bom humor - e que direito temos nós de impor a alegria a alguém? Temos, ainda, o direito de recorrer àquela "fraqueza" e chorar copiosamente, até que toda a infelicidade largue minhas células e eu alcance a paz?
Beijocolates,
quinta-feira, outubro 2
Voto Útil
Em quem você vai votar?
São duas perguntas distintas, com respostas, infelizmente, distintas para a maioria brasileira - pela pouca fé. É interessante como tudo funciona em um paradoxo de medos e receios: quero votar em um candidato cuja popularidade está escassa, então opto por um dos que mais investiram em campanha política, que por isso ganhou fama, ainda que não concorde com suas propostas. Faço isso porque penso que ninguém mais vai votar nele, e por isso o meu voto será inútil. E tantos outros que votariam, por pensar da mesma forma, fazem vista grossa para escândalos dos "maiores" candidatos.
Em quem você não quer votar?
Em quem você não vai votar?
São duas perguntas distintas, com respostas, infelizmente, distintas para a maioria brasileira - pela pouca coragem. Porque eu tenho medo de votar em quem eu quero, procuro, entre aqueles cujos discursos soam copiosamente, em grande frequência, um "menos pior" que me garanta que aquele candidato que me faz nojo pelas falsas promessas não será eleito. Mas ainda estarei votando em quem eu não queria votar, porque pensei que quem me representa não era "forte" o suficiente - e por que estou votando, afinal?
Neste domingo, cumpriremos nossa obrigação nas urnas - cumpriremos? Teremos, nós, coragem de assumir nossos ideais e pressionar o conjunto de números que combina com aquilo pelo que brigávamos nas ruas?
Vote, mas não vote nulo, nem vote "por votar". Exprima sua opinião. Lute. Tente. Faça a sua parte e, se seus medos concretizarem-se em um futuro nem tão distante, continu fazendo. Exercer a cidadania é dever de todos nós - e não é dever bienal, só em dia de eleição.
É nosso dever lutar por nossos direitos todos os dias.
beijocolates,
quinta-feira, setembro 18
Querer alguém
Há desejos e necessidades que devemos suprir de alguma forma. Momentos e olhares que devemos compartilhar com alguém. Então a nossa cultura inovadora e ousada nos apresenta uma solução: o sexo casual. A modo amplo, condeno o envolvimento compulsivo com estranhos, mas que mal faz aprofundar uma velha amizade?
A amizade colorida faz sucesso aos sussurros. É secreta. Ninguém anuncia que andou prensando o melhor amigo contra a parede - e por quê? Porque não há compromisso. Podemos dar atenção aos nossos apelos sexuais e nem precisamos falar por horas ao telefone sobre como foi o nosso dia. Mas será essa a resposta para todos os nossos desejos? Por algum tempo, é capaz que os beijos livres nos supram em todos os aspectos, mas, em algum ponto de nossas vidas, perceberemos que há algo mais. Enquanto indivíduos, temos apelos que transcendem o plano físico. Precisamos sentir o perfume que não é nosso no travesseiro com o qual dormimos e sorrir, memorando algum sorriso atraente e distinto que o dono daquele cheiro nos abriu. Podemos chamar de carência, mas não me apegarei a ela.
Me dou conta, hoje, que não me canso de falar com os meus amigos. Falo com eles todos os dias e sou capaz de passar horas conversando bobagens, ainda que esteja com sono ou mal humorada. Não me parece esforço algum atendê-los, e me recordo facilmente deles se ouço determinadas músicas ou como determinadas coisas. São meus amigos, e sinto prazer em fazer tudo aquilo que me custa tanto a fazer com um namorado. O compromisso é diferente? Só porque não beijo esses amigos aos finais de semana, a rotina tediosa é, de repente, empolgante?
Conhecemos bem a amizade com benefícios. Mas e os benefícios com a amizade?
Penso que, se conseguisse converter uma grande amizade em um namoro, seria maravilhoso. Teríamos liberdade para falar e fazer qualquer coisa, sem receio algum, e seria tão divertido quanto o relacionamento aberto sobre o qual falei, exceto, é claro, pela questão da abertura. Mas quantos anos nos demanda solidificar uma amizade assim? E por quantos de nossos amigos sentimos a tal da atração?
Muitos são os defensores da friendzone. Afinal, isso sequer existe? A amizade pode impedir, de alguma forma, a atração entre duas pessoas?
Muitas perguntas sem resposta, muitas respostas sem pergunta e muitas incertezas sobre certezas, mas uma clara ilusão de certeza: por enquanto, estou muito bem sem ter que segurar a mão de ninguém.
"One more fucking love song, I'll be sick" - Maroon 5
beijocolates,
domingo, setembro 7
Algo
Balance, balance, respire, suspire, acompanhe.
Hesite, sorria, hesite, respire, suspire, deixe chegar...
Questione, mostre, experimente, recuse e sorria.
Observe.
Observe o olhar fixo, turvo, dilatado, e condenado.
Tome uma dose de ar.
Certeza, dúvida, mas seu olhar está vidrado.
Um sorriso comedido, torto, sacana e amado.
Pesa e puxa, faz-se sentir.
Prenda, relaxe e solte o ar.
Prenda, segure, não deixe ir.
Não deixa ir embora, que ainda é cedo!
Embora, nessas horas loucas da vida, nunca seja tarde ou cedo demais para amar.
sábado, julho 26
Ao desconhecido daquela vez
terça-feira, julho 15
"explique a falta de meninas na minha vida"
Não sei quais são as suas intenções com todas essas meninas que faltam à sua vida, mas não posso lhe culpar se não teve coragem para dizer à amiga da sua prima quão nublado estava o dia - mulheres são caixinhas de surpresas, afinal.
Você gosta de surpresas?
Soube que você tem uma amiga. Talvez você tenha mais. Talvez não. Se você estiver procurando uma nova amiga, posso lhe dizer que é fácil encontrá-la. É possível que ela esteja lendo um livro interessante quando acontecer, e você vai poder perguntar a ela se vale a pena gastar seus olhos com letras tão miúdas. Caso seja só uma enciclopédia chata de Economia, vocês poderão rir sem ter que fingir que lamentam você ter interrompido a leitura. Conversem, mantenham o contato e lá estará: mais uma amiga para a coleção.
Se amigas não são problema e você as tem em número significativo, mas questiona a inexistência de uma namorada, eu peço que tome cuidado. É muito bom ter amigos, é verdade.
Uma namorada exige um pouco mais de dedicação... Preciso que preste atenção e tome cuidado, para não cometer os mesmos erros que eu. É bom ter amigos, mas que tipo de amigo é você? Porque, se é o amigo confidente que passa horas ao telefone com alguma amiga cujo relacionamento está em crise, começo a me preocupar com as causas que você estava procurando...
Sabe? Eu não acredito nessa coisa de "friendzone", acredito em atração. Se alguém atrair sua atenção, não importa se vocês se tornam amigos mais tarde ou não, aquele alguém continua sendo atraente a seus olhos - a menos, é claro, que a amizade revele defeitos e modos que não lhe agradam por nada. Desenvolver no outro um interesse por você pode até ser complicado, mas ser o conselheiro amoroso da pessoa em questão não anula qualquer obstáculo.
Enquanto você lê esse texto, milhares de garotas espalhadas pelo planeta reclamam da falta de garotos em suas vidas. Você acha que eles realmente estão em falta? Se existem tantas meninas procurando meninos e tantos meninos procurando meninas, por que eles não conseguem se encontrar?
Olhe bem para mim: nos conhecemos? Posso parecer familiar, não já nos vimos antes?
Saia de casa. Passeie pelo parque, conte quantas garotas cruzam seu caminho e, quando entrar em casa, me dê o número. Dez? Mais? Com quantas você falou?
Não culpe as estrelas, não culpe os planos de Deus, não culpe o destino, não se culpe - não há culpa. Mas há responsabilidade. Não há sentido em lamentar-se da cegueira, quando é opção sua não enxergar. Experimente abrir um dos olhos e, se gostar do que vê, experimente abrir os dois. Deseje bom dia para a próxima garota em quem esbarrar, sorria para uma outra que espere tediosamente sua vez de ser atendida, pergunte que horas são à que está olhando distraída pela janela do ônibus e pergunte àquela do livro chato de Economia se ela quer tomar um sorvete. Por que não? Se permita ver, observe as cores, sinta o sol incomodar, imagine outras paisagens e, quando quiser a fechar os olhos, se permita repousá-los. Lhe peço, apenas, que não tenha medo de voltar a abri-los.
"Só sei que, mesmo quando o destino precisa se cumprir, ele não pode fazer isso sozinho." - Ironias do Amor
Beijocolates,
domingo, junho 29
Você(s)
Você devia parar de sair com ela, porque eu nem gosto dela nem gosto de você com ela, e, se eu souber que você está com ela, quando me disse que não estaria com ela, eu vou ficar realmente chateada, mais chateada do que eu já estou. Estou chateada porque você ficou chateado por ela ter ficado chateada e ter dito que você a estava usando, porque acho que eu fui usada também. E ser usada não é bem a minha praia.
Ser usada não é a praia de ninguém. Eu sei que não era a sua intenção (nunca é, afinal), mas, nessa brincadeira, você acabou magoando muita gente... Lembra da desengonçada? Fico me perguntando se ela superou o seu namoro ou se ainda chora escondida pelos parques... Certo, me desculpe. Prometi que iria lhe perdoar, e cá estou eu, falando de seus erros.
Mas você tinha mesmo que fazer aquele drama todo por mensagens indiretas?
Eu não sei o que você quer, e, na maior parte do tempo, isso é bem desagradável pra mim. Eu tento, juro que tento, mas não consigo fazer mais sem uma bola de cristal ou um tarô de qualidade. As conversas rebabadas que você mantém me deixam desesperada, sem saber ao certo o que fazer. Devo continuar, ou pedir que pare? Me perdoe por ter pedido para parar, mas tanta gente para sem declarar que parou, que eu parei de esperar a parada parar por si própria, entende? Como quando você me deixou falando sozinha depois de ter chorado saudades no meu ouvido. Isso não é justo: me fazer sentir culpada. Eu não posso ser a culpada, porque a culpa me destruiria.
Assim como ela lhe destruiu... Eu vi você chorando, e fingi que estava tudo bem, mas, quando voltei correndo para casa, comecei a chorar, também, porque eu sabia que suas lágrimas eram por mim. Se você não queria ter corrompido aquele segredo, deveria ter sido um pouco mais cauteloso. Também fiquei preocupada quando lhe vi chorar tantas vezes e tão frequentemente, mas não tive vontade de chorar, porque eu sabia que aquelas lágrimas não eram para mim. Talvez tudo fosse melhor se você deixasse que eu visse as suas lágrimas, e, se me fizesse entender a razão do choro, eu poderia enxugá-las, e você não seria mais julgado como é, nem ficaria tão chateado quando descobrisse que estava sendo julgado.
Eu adoraria abraçar você, mas tenho medo dos destinos que um abraço pode ter. Eu tenho medo de pensar demais sobre abraços, ou sobre beijos, mas nada me amedontra tanto quanto pensar sobre os seus abraços. Você não deveria ter estragado o meu momento mágico, e você estragou. Eu também estraguei, porque participei do momento errado, mas isso não justifica nada, porque você só estava triste por ela pensar que você a usa - e ela está certa -, mas não me deixou ver a sua vontade de chorar.
Seria mais fácil ter dito a verdade, não acha?
Estou preocupada com você, porque você quer casar com ela, mas ela não passa um dia sem chorar ou beber alguma coisa. Ela é uma pessoa complicada, não é culpa sua. A culpa só é sua se você admitir que a está usando. Então pare de usar. Deixe ela passar, se não gostar de você, e encontre a pessoa que gaste horas de sono pensando em você. Ame-se a si próprio, com todas as redundâncias possíveis, e sorria para a possibilidade de tê-la, ter essa garota especial, a do primeiro beijo, por perto.
Estou torcendo para a sua namorada não passar um xaveco na minha melhor amiga uma segunda vez.
Você não existe, mas seria engraçado se existisse. Porque, com tantos remendos alheios, acabaria transformando-se em um buraco negro. Ver pessoas transformarem-se em buracos negros não deve ser particularmente engraçado, principalmente se estivermos a pouca distância quando tudo for engolido. Agora, chega, preciso ir. Espero que você sonhe comigo, ou que eu não perturbe seu sono. Tendo a certeza de um pesadelo com você, desejo apenas que nossa noite seja doce, como eram aqueles abraços gelados de novembro...
"To ask you this much is just a matter of trust, not an affront: what do you want?" - Gotye
Beijocolates,
sexta-feira, junho 13
Coisa
Não sei se penso na coisa, para por energia na coisa, ou se finjo esquecer a coisa, para me surpreender se a coisa acontecer ou me mostrar indiferente ao fracasso da coisa.
Eu queria que a coisa fosse um sucesso, mas não estaria pronta se a coisa não o fosse.
Vivo pensando em não pensar na coisa, desde que a coisa aconteceu.
Será que você também pensa na coisa?
Uma certeza sobre a coisa: a coisa é a coisa e jamais poderá ser uma não-coisa.
Uma incerteza sobre a coisa: a coisa existe?
Revejo a coisa muitas vezes, mas cada vez é uma coisa diferente - às vezes a coisa é fantástica, às vezes a coisa é ordinária e irrelevante.
Eu só saberei se a coisa existe quando a coisa acontecer de novo, e eu não vou querer contar a ninguém, porque, à medida que revelo a boa coisa, o bom da coisa se esvai, e eu tenho medo que a coisa se esvaia junto.
A coisa primeiramente foi muito divertida, mas só será a verdadeira boa coisa se você também estiver pensando nela nesta sexta-feira.
Eu estou tentando não pensar na coisa, mas a coisa é mágica; a magia não se desapega da coisa e eu não me desapego da magia.
Não querer pensar na coisa é como não querer dormir afim de não sonhar. Só que não precisamos estar dormindo para sonhar, então a prevenção é inútil.
O tamanho da coisa é relativo à sua importância: para alguns, a coisa pode ser minúscula, mas, para mim, que vi a coisa inteira, é razoavelmente grande.
Você acha a coisa minúscula?
A relatividade da coisa só vai acabar quando eu souber o que você acha da coisa, e então você vai sorrir ou fazer uma careta, e eu vou saber o que você tem a dizer sobre a coisa.
Talvez demore para a coisa reprisar. e, enquanto a coisa não acontece, eu tento não pensar - afinal, já pensei demais na coisa: fiz um texto sobre ela.
"Coisas que a gente nem pensa, que são tão imensas, são a parte de nós dois." - Sal Da Vinci
beijocolates,
quinta-feira, março 13
Praxe
O amor é um tanto desgraçado: me fez feridas, me viu chorar e me chamou à atenção quando quase me distraí. Eu queria estar distraída. Mas o amor retificou sua existência dentro de mim, desmerecendo todas as minhas vontades.
Não se engane, remetendo meu amor à paixão que tem em mente: é amor-amor, o que eu sinto. Se não fosse amor, eu me teria distraído, mas não pude, você sabe, esta parte já lhe contei.
O amor é eterno e incondicional. A ele, não importa se o amante está machucado, seguirá firme, forte e voluptuoso. Também faz-se de cego para as imprudências cometidas pelo amado, perdoando-o a qualquer custo. O amor é, por isso, um tanto estúpido.
O amor é inevitável, incontrolável e irremediável: uma vez feito o amor, está feito. O amor nunca assistiu a "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", mas teria abominado a hipótese do filme. Ele não nos deixa esquecer de ninguém que nos tenha provocado ternura.
Eu já conversei muitas vezes com o amor, mas ainda não o entendo muito bem. Talvez, para poder entender o amor, eu precise estar pura de toda a minha vida e voltar a ser um bebê. Os bebês não sabem o que Sócrates pensava sobre o amor, e talvez por isso já amem como se deve amar e sejam, por essência, amor. Pena que não saibam falar - embora, se soubessem, talvez, já não fossem puramente amor.
Quis não me importar, mas descobri que me importo, sim, com o amado. O amado, por vezes, se mostrou tão estúpido e desgraçado quanto o amor, mas, assim como amo o amor, percebi que o amo também.
Há amados, como esse meu amado, que assemelham-se bastante àqueles lindos pesos de papel. Não fazem nada, não têm lugar definido, não são muito úteis, mas, ainda que não usemos pilhas de papéis, o mantemos por perto, ainda que perdidos dentro de alguma das caixas que só tornaremos a abrir daqui a alguns anos, e fazemos isso por amor.
Se amar fosse tão bom para quem ama, ser um amante em boca popular não seria motivo de julgamento.
Amar não é fácil: dói, e dói muito. A dor do amor, porém, também faz crescer o amor. A saudade, a nostalgia, a preocupação com o outro: amor. Amor que acresce a si e à alma.
O amor não é mau por inteiro, não me entenda mal. O amor é um sujeito complicado e conviver com ele, às vezes, pode ser bastante cansativo, é verdade. O amor dá mancadas, erra, e deixa tudo por isso mesmo.
O amor parece uma criança - e até porta-se como uma. Toda criança precisa de atenção e cuidado, toma o nosso tempo, nos deixa estressados, rala os joelhos, pede uma sobremesa, chora, fala e faz muito sem pensar em possíveis consequências e toma um grande espaço em nossa vida. Mas basta um único sorriso, e já esquecemos de cada penitência. E esquecemos porque cumprimos a primeira necessidade de uma criança: lhe demos amor.
"A partir desta data,
Aquela mágoa sem remédio
É considerada nula
E sobre ela, silêncio perpétuo." - Paulo Leminsk
beijocolates,



