Mostrando postagens com marcador pouco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pouco. Mostrar todas as postagens

domingo, outubro 12

Mentirinhas

Dizemos, com frequência que somos confiáveis - jamais mentiríamos, somos amantes da verdade! Mas e quanto às sagradas mentiras de cada dia? Essas mentiras rotineiras, das quais nem nos damos conta... Mentimos, e somos vítimas de mentiras - mentiras brancas, brandas, sem importância, tão bem guardadas dentro de cada um de nós, que nos custa perceber, enfim, que não é verdade.
GOSTO DE VOCÊ * SÓ NÃO FAZ O MEU ESTILO * FOI ÓTIMO * ESTOU BEM * ADOREI * VOCÊ ESTÁ CERTO * CLARO QUE NÃO * NÃO HÁ ARGUMENTOS CONTRA * É UMA IDEIA EXCELENTE * HAHAHA * ESTÁ MARAVILHOSO * NADA ME FARIA MAIS FELIZ * NÃO ERA PRA SER * EU SEMPRE SOUBE * ENTENDI * TAMBÉM NÃO GOSTO DELE * NÃO HÁ COM O QUE SE PREOCUPAR...
Dizem que somos fortes - somos, mesmo? Quando fingimos indiferença a algo que nos machuca, abstraímos as lágrimas prestes a transbordar de nossos olhos e sorrimos para o que vier pela frente, estamos sendo fortes ou exímios mentirosos?
Chorar é sinal de fraqueza?
Dizem que somos inteligentes - somos, mesmo? Quando passamos a noite em claro, revisando nervos, forames e sulcos, sem conseguir entender bem o que está impresso em esquemas bidimensionais, mas, ainda assim, memorizando cada termo científico, estamos exercitando nossa habilidade cognitiva de assimilar um novo conhecimento ou apenas fazendo de conta, por algumas horas, que entendemos do assunto?
Dizem que somos belos, mas sobre que critério devo ser feio ou bonito? Qual o padrão errado que me faz esconder meu próprio corpo, por vergonha de suas supostas imperfeições?
Dizem que somos divertidos, que somos felizes, que contagiamos todos com o nosso bom humor - e que direito temos nós de impor a alegria a alguém? Temos, ainda, o direito de recorrer àquela "fraqueza" e chorar copiosamente, até que toda a infelicidade largue minhas células e eu alcance a paz?
Por que preciso estar sempre sorrindo?
Mentimos todos os dias. Com gestos, palavras e movimentos falaciosos. Tensionamos o abdome, erguemos o queixo, sorrimos e esperamos que alguém se importe.
Por que é tão importante que alguém se importe?

"Todos usamos máscaras, e o tempo vem quando não conseguimos removê-las sem remover nossa pele junto." – Andre Berthiaume

Beijocolates,
#V

terça-feira, outubro 9

Teste 066

OU CONSEQUÊNCIA
(Giovanna e Felipe - nomes meramente ilustrativos)

Ela consultou o relógio mais uma vez, impaciente.
Os risos, altos e escandalosos, faziam ser ouvidos por toda a sala aberta, imensa, mas ele parecia não notar a garota acanhada ao canto, muda.
Levantou-se, vagarosamente, de onde estava sentada, apanhou os cadernos e se pôs a caminhar, frustrada, pelos corredores ensolarados do colégio.
"Gio!" Ouviu chamar, depois de muito tempo passado, e tentou não sorrir ao ver Felipe então correndo em sua direção.
As primeiras gotas de chuva espalharam por suas camisetas, manchando o tecido.
Os corações desritmados, desesperados, mergulhavam no beijo que seguiria, devoto, apaixonado.
Giovanna o olhou com atenção, sentindo a água cair sobre os cabelos com mais intensidade.
"Me namora." Felipe professou, sem ar interrogativo ou qualquer ar que fosse.
Ela sorriu, apenas, puxando-o para mais perto, e um arco-íris formou-se, tímido, com o sol exibindo-se por entre as nuvens pesadas.
O mundo parecia girar ao ritmo de uma música em particular.

Beijocolates
#V