Mostrando postagens com marcador teste. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teste. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, julho 15

Teste 089

A pele arrepiou-se por completo ao dedilhar suave em sua nuca. Pareciam estar envoltos por uma grande bolha, distraídos do mundo exterior - ali, na troca de olhares fumegantes, residia o puro amor, em um universo à parte. Suas unhas percorreram o comprimento de se braço, e os olhos adormecidos abriram em um sorriso terno - ela deixou-se deliciar com a curva dos lábios dele. Em silêncio, pensava se ele saberia quão bem lhe faz, mas jamais poderia afirma-lo em momento tão preciso. As mãos tocavam-se em lentidão e firmeza, dispersas, mas congruentes às palavras não ditas. Conversavam - ou não? As dissertações fluíam de boca a boca, ambas cerradas, caladas e secas. Imagina se ele se importaria em passar tanto tempo a seu lado e experimenta deleite inegável. Mas quão firmes estamos sobre sentimentos alheios?
O pulso é sensível aos tímpanos, a felicidade irredutível pregando-lhe um riso à garganta. Fita-o, mais uma vez, e ergue as sobrancelhas ponderando sua insegurança. Abraça-lhe o corpo, pedindo, secreta e silenciosamente, que fique um pouco mais. Em gesto desagradável de pressa, ele esquiva-se, sem demonstrar qualquer lamento profundo. Não querendo ser abusiva, engole em seco, volta-se a outros e inicia uma nova conversa, negando ressentimentos. Guardam novamente seus romances incertos e procuram aparentar, em intuito de proteção ao outro, indiferença.
Mais tarde, ao reencontrarem-se, mostrarão dentes em gesto exultante, ansiosos por códigos próprios cujas traduções não cabem à língua em pronúncia, mas em dança e calmaria desesperadas.
Ainda não serão capazes de admitir quão necessários são um ao outro.

Beijocolates,

#V


Devemos confessar que nada nos faz mais ansiosos por algo que o contexto misterioso no qual está inserido, não é mesmo?

domingo, março 17

Teste 079

Qual o segredo em se apaixonar?
Ando muito intrigada acerca do tema, buscando e buscando uma resposta que não vem. Claro que todos vão me responder "Ah, sabe como é: simplesmente, acontece!", mas... Como conseguem? Estou sendo pouco esclarecedora, sei disso. Então vamos contornar tudo isso.
Nem comecem a cantarolar, não estou aqui para rituais diabólicos nem nada do tipo.
BAD ROMANCE
Você olha para aquela pessoa übercool e sente o coração acelerar.
Alguém toca seu braço, com um sorriso bonitinho no rosto, e você sente o sangue fluir para as bochechas, ou para qualquer outro lugar.
Outrem lhe dá um beijo perigosamente perto da boca, e o melhor a ser feito parece ser segurar firmemente sua nuca e manter uma proximidade razoável e tentadora.
Pois bem, é assim que começa - às vezes. O que fazer quando todas as pessoas ao seu redor são übercool, têm um sorriso bonitinho, não sabem beijar rostos e fazem sua cabeça explodir (não literalmente, por favor)?
Alguém nesse mundo já parou para pensar sobre quão ótimos são todos aqueles com quem passamos bom momentos, maus momentos e, bem, momentos?
Essa coisa de se apaixonar é muito injusta: fazemos uma seleção, naturalmente, e sequer percebemos qualquer coisa, até que nos pegamos pensando um  pouco mais em certo indivíduo - o vencedor dessa loteria fajuta, nosso coração - tum. tum.
Coração é um dos principais órgãos para a nossa vida ou sobrevida: é ele quem bombeia sangue para todos os nervos de nosso corpo e ainda permite um pouco de rubor facial, só para nos quebrar. Mas então, o que tem a ver o coração com o amor? Se alguém não tem uma explicação tão criativa, deixa subentendido que foi puro luxo de alguma era antiga - beeeem antiga. Que tal empregar clichês? "O amor/coração é a razão de ser, é o amor/coração que nos dá a vida; o amor/coração é hábil, o amor/coração coordena cada movimento, desde um sorriso até uma lágrima; o amor/coração..." Bem, pois não. Meu córtex não fica exatamente contente com todo esse monopólio amoroso.
Então você tem mil e trocentas amigas super gatas e simpáticas e meigas e que lhe dão vontade de convidá-las para entrar, tomar um chá e conversar besteiras? Hmmm... E acredita mesmo que, um dia, conhecerá uma outra mulher super gata e simpática e meiga e que lhe dará vontade de convidá-la para entrar, tomar um drink e conversar sobre a bolsa de valores? Suponhamos que isso realmente aconteça, e você fique especialmente encantado por essazinha aleatória. E isso lá é justo? Poxa, suas mil e trocentas amigas foram super gatas et cetera durante anos e você simplesmente dá a preferência à novata? Por quê? O que ela tem a mais?
É uma pergunta sincera que também faço às garotas: não neguem que seus amigos são uns fofos. O jeito que cada um tem de abraçar você, ouvir seus dramas, fingir que se importa, rir com timidez, bagunçar os cabelos... bem que lhe deixa abalada, não? (Só um pouquinho, vai!)
O que alguém deve fazer para se destacar em meio a pessoas tão espetaculares? Porque até podemos sentir um carinho especial ao lado de um, mas, quando estamos na presença de outro, pensamos que é o certo. Quantas facetas! Talvez fosse bem mais simples triturar todas essas pessoas e bancar o louco do Frankenstein - conceberíamos o ser perfeito...
Mas talvez não fosse tão perfeito se fosse um só - hmmm...
Não adianta fugir desse jogo de sorte - sim, o amor. Seu coração, córtex, alma, ou como preferir, talvez esteja mandando sinais agora mesmo, e você não esteja conseguindo captar muito bem... Essa droga de sinais "disfarçados", terríveis. Parecem óculos de grau extra-forte, quando só precisamos de um pouco de colírio! Digam, da próxima vez, que precisam, sim, de um novo telefone celular. Quanto ao velho? Dê de presente para essa coisa abstrata à qual refere-se por "coração" - quem sabe assim fique mais fácil.
E quem disse que o amor não sabe enviar mensagens de texto?!


"As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física." - Friedrich Nietzsche

Beijocolates,
#V

sexta-feira, dezembro 7

Teste 073

"Talvez exista um céu, como dizem, um lugar onde tudo o que já fizemos está anotado e registrado, calculado nas enormes balanças do karma. Talvez não. Talvez essa coisa toda seja apenas uma grandiosa experiência conduzida por alienígenas que acham divertido esse nosso oba-oba humano. Ou talvez sejamos um projeto abandonado que foi iniciado por uma deidade que caiu fora há um tempão, mas nós ainda estamos programados para acreditar, para tentar encontrar sentido num mundo aparentemente aleatório. Talvez todos nós façamos parte do mesmo ensopado do inconsciente, sonhando os mesmos sonhos, compartilhando as mesmas esperanças, precisando da mesma conexão, tentando encontrar e errando, tentando de novo - cada um de nós encenando os nossos papéis nos roteiros dos outros, apenas um enorme novelo humano todo embaraçado. Talvez seja isso."
Libba Bray em "Louco aos Poucos"

Beijocolates,
#V