sábado, fevereiro 18
quero te mimar profundamente
sábado, setembro 17
Quantas vezes
Uma notícia difícil
Uma refrescância ruim
Como se tivesse hortelã circulando na minha corrente sanguínea
Irrigando meu rosto inteiro
Passando pelo meu peito, apertando o coração
Revirando meu estômago
Ardendo por dentro
Progresso desfeito, ao perceber que já não era pra arder assim, mas arde
Assim
Eu corto a fonte do hortelã que em outro tempo me adoçou a boca
Agora sem frescor
segunda-feira, julho 11
Terminou, que ódio
Terminou
Acabou
Dessa vez, de verdade
Terminou, deixando apenas tudo
Agora reaprender a ser
O irônico é que dia desses eu tava falando de renovações...
"Faz parte", "choices", "é o que é"
Que ódio ter a consciência de que melhor isso do que sofrer um pouco a cada final de semana
Que ódio preferir sofrer esse tanto, mas ainda ter esperança
Que ódio acabar com a esperança, mesmo sabendo que isso é melhor no longo prazo
Que ódio falar de "longo prazo" quando há algumas horas meu longo prazo era outro (na minha cabeça)
Que ódio nem conseguir falar disso direito
Antes tarde do que mais tarde
Eu falei ódio, mas é tristeza mesmo
Que ódio
sexta-feira, janeiro 28
Mudança
Júlia Alencar:
Minha gente
De repente bateu uma coisa tão estranha
Até agora a pouco eu tava tão bem, tão plena
Eu viajo amanhã e tô muito bem com a viagem e tudo
Mas de repente bateu uma tristeza de despedida
Como se eu tivesse me despedindo de mim
Tô chorando aqui "do nada"
Pq eu tava me olhando no espelho e percebendo que essa pessoa vai mudar tanto
Eu sei q revoluções são boas
E que de fato não precisa de uma mudança de cidade pra mudar uma pessoa, efetivamente eu poderia me despedir de mim todo dia
Mas bateu diferente
Alice:
Com certeza ami
Tb é uma despedida de vc mesma
:,)
Mas ao tempo tempo
Acho q a gente só se transforma muito quando há esse ímpeto
Jade Oliveira:
Aquela conversa das julias né amig
eh uma despedida eu acho tb
algumas julias vão ficar p trás
Mas tu vai descobrir tantas nova tb
💛
terça-feira, agosto 31
o que expressa o desejo de penetração?
acho que pra chegar no miolo da questão a gente tem que se desprender de algumas suposições
como de que penetração é penistração
que o pênis está no centro do babado
ou que simplesmente está lá
mesmo que às margens
vamos começar desnaturalizando a coisa toda
pensando que não é carne mas dildo
quem disse isso?
antes do falo, já existia o dildo
e o dildo pode ser
praticamente
qualquer coisa
uma ferramenta de prazer
poder? dar prazer
estritamente artificial, não biológico
que parte da criatividade
para saciar
a si
a outre
quem seja
a ideia de sexo ainda vigente
baseia-se na utilidade da cena sexual
num funcionalismo estrito
sexo por reprodução
sexo com penetração
pênis na vagina
ejaculação
em poucos minutos
só na intenção de fecundar corpo
virar de lado e dormir
ou ir embora
estando cumprido o objetivo
os efeitos disso são tantos
é o impacto no sexo como um todo
mas também nos relacionamentos
é o sexo para reprodução
o vínculo para a família
e então a monogamia
sim
porque precisamos constituir uma família, não é?
é o que nos manda a moral cristã
trabalhar pela bênção que é vida
compromisso trabalhista até que a morte nos separe
a morte, mais nada
nem falta de vontade
- a quantas partes chegamos
na promessa de permanecemos no mesmo lugar? -
o corpo que gesta serve ao corpo que penetra
e quem quiser derivar desse propósito
que se lasque
que se dane
queime
no fogo do inferno
ou faça poesia das cinzas de si
floresça amor
e viva disso
do amor
é a essência familiar sem propósito reprodutivo
alianças produtivas
que constroem afetos
companheirismo
lindo
história de desejo que transcende o corpo
a monogamia agora num esquema outro
de estar junto
compartilhar
e amar
amar
amar!!
amar livremente
sem qualquer distinção
sem faltar com respeito
cada qual que cuide de sua vida
mas não atente à família e aos seus valores
love wins!
- mas e a sacanagem? -
sexo por sexo
não vazio, cheio de afeto
transbordando em fluidos de corpo a corpo
não por amor
não pela família
mas pela vontade de comer
tremular
fraquejar
arder
as mãos percorrem pele
se deliciam na descoberta de braços, pernas, cada canto só então explorado
molha, transborda, derrama, encaixa
os olhos reviram, a voz escapa
sorriso escorre desesperado
de fome
ume de outre
encontro frenético
delirante
de sentir corpo junto, conecto
num instante passageiro
não eterno
de amor
carne com carne
em sua totalidade
em sua loucura
sem qualquer vaidade que conserve compromisso
com qualquer fragmento de realidade
cena entorpecida onde
desejo
expressa
desejo
somente
quarta-feira, junho 2
temas juninos: orgulho mogai
junho chegou! e cada vez que chega, começa toda uma movimentação sobre o orgulho LGBTQIAP+ em debates mais rasos ou mais profundos, com filtros temáticos para o instagram e fervorosas campanhas de marcas sedentas por pink money (dinheiro extorquido da comunidade LGBTQIAP+ na compra de coisinhas coloridas sem qualquer compromisso com a causa).
esse é sempre tempo para estudar um pouco mais sobre dissidência de gênero e sexualidade. pensei se não deveria compartilhar um pouco dessas descobertas com alguém - qualquer pessoa que fosse, que estivesse interessada em saber sobre os castelos que tenho construído dentro de minha própria cabeça.
o meu processo de reconhecimento enquanto pessoa que sou começa no confronto com a heteronormatividade que até aquele momento eu não sabia que precisava seguir. códigos de vestimenta, etiqueta, performance de gênero e sexualidade, tudo bem escrito em letras garrafais, invisíveis, mas dolorosamente esculpidas na sentença do primeiro nascimento. somos entregues à luz, as partes iluminadas são avaliadas e é dado o veredicto: menina ou menino, parabéns!
segunda-feira, março 8
ficou por isso mesmo
bicicleta, movimento
eu pedalando naquela principal cujo nome já me esqueço
é quente, chove, sorriso de encontro, cerveja e um beijo que não foi
pedalzinho, cansaço
"tô moída, mas vamos!"
eu e meu amigo nos arrumando juntos
umas 30 pessoas na praça do derby, gente que nunca nem tinha pedalado na vida!
ocupando rua...
mais bicicletada em sexta de carnaval, brega no marco zero, eu na boca dele
amanheceu com galo visto da janela na aurora
fomos pedalando até o eufrásio
brinquei, pulei, dancei por dias
enfrentei noite sozinha, viva, trôpega, sorridente
música energiza, danço até virar pó
me misturo nas cinzas de quarta-feira
dali, papéis, grau colante, amizades
encontro em mercado público pra comemorar
boa vista é cerveja, arrumadinho com queijo, farofa, manteiga de garrafa
fui embora por outros compromissos
pouco depois não mais pude abraçar momento, pessoas, energia de encontro
vida carnaval
sobrevivo em meio às cinzas
penso, sinto, florescço
logo aquieto: saudade tanta, mundo que foi
foi. mas volta?
vique
eu deveria ter lido, mas não li
preferi dizer que não queria ler
"é que começa num pique, depois, saudades... coisa assim triste, dolorosa..."
e ficou por isso mesmo
