- Escreveu um poema para ele?
- Não. Só escrevi; o poema fez-se por si mesmo.
- Lhe agradou?
- Sequer imagino, se sim, se não... Não tomou conhecimento dos versos.
- Ora, a troco de quê?
- Ele não será o último a ignorar palavras; nem foi o primeiro, também.
- Então fez outros poemas?
- Não. Só escrevi; a poesia explorou suas próprias formas.
- Poemas têm forma?
- Poesia, você quis dizer?
- Há divergência?
- Alguém certa vez me explicou que poesia é o acelerar do pulso ou do punho, a emoção pura, simples, quase translúcida. Poema é texto. Poesia é vida.
- Vida?
- Que mais poético há, se não a vida?
- Poesia é beleza? Não há beleza no amontoado de parágrafos tecidos que tenho à frente. Veja só esses poemas todos. Seus remetentes não têm ideia de sua existência. Jamais a terão!
- Não se trata de poema, mas de poesia, e a poesia foi verdadeira em cada traço curvo de letra unida a letra.
- Planeja guardar sua poesia em segredo.
- Me insulta! De forma alguma, poesia não deve ser secreta. Deve espalhar-se apressadamente, a fim de tocar cada coração a seu alcance.
- O que fará com todas essas palavras?
- Levarei comigo.
- Em pasta? Nada servirá a tantos papéis!
- Ora, por que pensa em papéis? Pretendo carregar poesia em meus traços, em meus gestos, em meu ser. Quero ser poesia.
- Sendo poesia, entregará aos destinatários estas frases compostas?
- De forma alguma...
- Para eles escreveu, a eles nega a escrita?
- É tolo. Não percebe?
- O quê?
- Escrevi para mim mesma, para mais ninguém. Essa poesia é só minha, e de mais ninguém.
- Pensei que fosse espalhá-la em sorrisos!
- E vou! E todos terão um pedaço de mim dentro de si. Um pedaço só meu, de mais ninguém, confiado aos cuidados do hospedeiro.
- Como cuidar de parte que não dele próprio?!
- Não sabe? Com poesia...
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#V
quarta-feira, fevereiro 19
terça-feira, fevereiro 4
Três Pontos
Gostosa mergulhou os pés na piscina aquecida e surpreendeu-se com a memória distante que voltou a lhe perturbar: o calor de dois corpos na água gelada, o beijo intercalado pelo bater de dentes. Suspirou, pensativa, e voltou a atenção aos amigos dispostos pelo gramado.
O coração de Desengonçada vagava por uma cena similar, de natureza igualmente sigilosa. Pousou os olhos sobre Babaca e deixou-se abater por arrepios que eriçavam os pelos de sua nuca. Os risos extravagantes chamaram-na para a realidade, por mais que desejasse ainda vagar por seus segredos.
Um sorriso tímido formou-se no rosto de Gostosa, delineando a distração prazerosa que tomava seus devaneios. Encontrou um brilho conhecido nos olhos de Desengonçada, mas evitou encarar o ponto em que eles estavam fixados.
Babaca ergueu-se, sem sequer pedir licença, e afastou-se dramaticamente do pequeno grupo. Desengonçada remexeu-se, incomodada; "Deixe ir." Gostosa engoliu em seco, propositadamente indiferente, sem anular a confusão aparente de Desengonçada. Esperou pouquíssimos minutos antes de declarar procura e lamentou a companhia de Desengonçada.
Babaca era bastante esquisito - sempre foi e, provavelmente, sempre seria. De repente, tinha o saco cheio com toda aquela felicidade que não lhe pertencia. Observava o pouco movimento do breu noturno quando uma voz doce, falha e aguda o interrompeu: "Não seja um esquisitão!"
Não era o timbre correto, pois ele sequer titubeou sobre os pés. Permaneceu imóvel, encarando lamparinas distantes no céu - adorava contemplar estrelas. Só depois de muito esforço em vão, Desengonçada calou-se.
Gostosa aproximou-se vagarosamente, sem jamais balbuciar qualquer coisa. Lembrou-se de um determinado momento que seguiu uma confissão de sonhos comuns, e sentiu as mãos masculinas sobre as suas.
Um mal estar tomou o corpo de Desengonçada enquanto acompanhava a imobilidade dos dois. Por que Babaca não lhe dava uma chance, depois de tudo o que já haviam vivido juntos, depois de tudo aquilo?
"Vamos sair, está frio aqui" - o maxilar de Gostosa estava travado.
"Não quero sair, quero ficar com você."
Os pensamentos de Babaca estavam embaralhados. Ele sentiu Desengonçada ausentar-se sem pronunciar palavra e assim permanecia ainda. Não estava orgulhoso de suas ações passadas. Deixou os braços caírem ao lado do tronco ao fim do enlace de Gostosa, sem se incomodar muito com qualquer coisa. Enamorado dos vestígios de luz morta inertes dispostos ao léu pela infinitude do universo, admirava a pouca relevância de todos os problemas que os cercavam.
As maçãs faciais de Gostosa tornaram-se rubras ao recordar um desastroso beijo final - ah, se soubéssemos quão importantes eram os últimos feitos...
"Tudo bem?" Gostosa enfim rompeu o silêncio.
Desengonçada não entendia o que falavam, mas a abertura que Babaca dava à outra a escandalizava. Era a ela, e não a Gostosa, que ele devia revelar seus pesares. Moveu-se com cautela, temendo que a descobrissem, e esperou testemunhar o que viria.
Veio. Machucou mais do que Desengonçada previra. Recuou, escondendo lágrimas entre arbustos, e preparou-se para retornar ao gramado. "Ela o alcança sem esforço..."
Gostosa retribuiu o toque de lábios. O amara tão desesperadamente... e não mais. As bocas clamavam calmaria em meio à tempestade. "Não mais, não mais." A percepção daquele olhar a assaltava constantemente, a incomodava. Desmanchou o beijo; precisavam voltar.
Gargalhadas atraíram a atenção de Desengonçada ao casal que dirigia-se a ela e não pôde aguentar mais um segundo sequer. Levantou-se de imediato e esperou a umidade surgir em sua face.
O conforto não saudou Gostosa. Sentia o erro gritar dentro de si, mártir. Quão distantes estavam as estrelas de suas mãos? Por que não as podia tocar? Aquele que mais amava saiu de seu campo de visão, seguindo aquela que ele amava. Estavam todos preocupados com Desengonçada, e o bom humor de Babaca esvaíra-se - o que tinha feito, depois de tudo aquilo?
Gostosa mergulhou os pés na piscina aquecida e surpreendeu-se com a epifania sobre ela própria. Dedilhou a água e acarinhou seu ego, desprendendo-se do tempo de então. Viajava por súplicas de amor, traições reveladas e abraços reconfortantes. Imaginou como seria agradável ser abraçada e contentou-se pela inexistência de braços dispostos a tal. Em uma historia em que o amor da desengonçada pelo babaca não é correspondido, a culpa não é dele ou dos hábitos pouco atraentes dela, mas da gostosa que não deixa de mais facilmente conquistar o babaca.
Os soluços de lástima ecoavam em algum lugar. Gostosa só podia ouvir a própria respiração e sentir o afago de seus sonhos.
"Claro, ela tem tudo aquilo, mas é isso mesmo que você quer?" - Adele
Beijocolates,
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quinta-feira, janeiro 16
Teste 100
Eu jamais poderia ter imaginado que, no teste final, escreveria o que estou prestes a escrever. Apesar disso, não me surpreendo o suficiente - se estamos em constante mudança, a Victoria de hoje não deveria chocar tanto a Victoria de dois anos atrás. Então, dois anos depois de anunciar a abertura de cem testes inconsequentes, repito o tópico de forma diferente...
Fracasso não se trata de errar. Trata-se, simplesmente, de não acertar.
O que é certo só é encontrado após quantidade significativa de tentativas. Experiências, testes, riscos a serem tomados. Quando não conseguimos enfrentar nossos desejos, surge uma frustração estranha por nossa própria existência. Culpa e arrependimento se confundem com frequência - porque fizemos o que não queríamos ter feito e deixamos de fazer o que queríamos.
Não basta ser cabeça aberta e ficar a mercê do outro - é preciso mostrar nossa essência àqueles que estão conosco. Aqui falha a teoria que separa razão e emoção. Como pensar rápido e encontrar uma solução a um problema completamente passional, sem deixar que a sensibilidade nos afete de qualquer maneira? Como tomar uma decisão imprudente, sem avaliar minimamente a situação que se desdobra perante nós?
Talvez a Psicologia já tenha estudado grande parte da culpa do ser humano - fatores de maioridade mental, lucidez, ou sei lá mais o quê. Lamento desapontá-lo - lamento, sinceramente, pois fiquei deslumbrada com seus hábitos -, mas não estou familiarizada com qualquer teoria proposta por Freud, Nietzsche ou um outro que fuja ao clichê. Estou, porém, bastante familiarizada com minhas próprias oscilações de humor, com meus próprios sonhos, com meu próprio labirinto emocional.
Penso que todos somos iguais (em potencial). Qualquer um de nós pode acordar mal humorado ou duvidar da existência de Deus. Qualquer um de nós pode se sentir inseguro ou rejeitado, e igualmente sentir-se bem consigo mesmo. Qualquer um de nós pode esconder lágrimas ou autoria de lindos sorrisos. Qualquer um de nós pode se sentir esquecido, traído, deslocado.
E qualquer um de nós pode ser o herói de qualquer outro de nós.
Eu descobri algo fantástico ao longo dos noventa e nove testes que me trouxeram até aqui: descobri que, como Me. Agathe anunciou certa vez, "nós sempre podemos mais do que imaginamos." Aprendi que nós mesmos impomos obstáculos a nossas trilhas e que, bem como os instalamos, podemos retirá-los. Quando deixamos cones laranja obstruírem a entrada de pessoas em nossas vidas, terminamos voltando à tristeza e à solidão sem ciência de um porquê.
É difícil falar - mas é preciso falar.
O falso sufocamento que impede concentração e coragem de nossa parte é, além de medo, orgulho. Um medo de ferir o nosso orgulho. Se pudéssemos ignorar o engasgo em nossa garganta e ritmar respirações longas e pausadas, conseguiríamos, no mínimo, uma chance de escutar. É importante afastarmo-nos brevemente, analisar o quadro no qual nos encontramos e buscar uma real solução ao embaraço que temos à frente.
Escutar o quê? Há vezes em que se trata de uma música. Há outras em que se trata de um longo casamento marcado por desconfiança, mais em que se trata de um abraço, mais em que se trata de um mal entendido, mais em que se trata de medo. Às vezes, um sorriso já basta. Às vezes, um sorriso transborda - extrapola, inunda, expõe.
Não há certezas nos riscos conjuntos. Vivemos em diálogo, sensíveis a respostas improvisadas. Como vivos estão sujeitos à morte, os sucedidos estão sensíveis a fracassos - é natural. O conhecimento popular e o senso comum que passam como herança familiar só é apreendido quando posto em prática. Precisamos sangrar, sentir a dor, entender o que machuca - e então fazer sarar.
Melodramas circenses improvisados à beira da piscina ocultam o drama real como palavrões escondem o sofrimento de quem os pronuncia em oportunidades críticas. Mas por que remoer o que já foi moído?
No dia 16 de janeiro de 2014, às 22:22, estava me sentindo culpada e arrependida.
No dia 16 de janeiro de 2014, às 23:37, estou determinada a lutar por minha própria causa.
"Someone finds salvation in everyone and another, only pain... to be yourself is all that you can do" - Audioslave
Beijocolates,
#V
A CULPA DE NOZ
Um peso parece latejar em todo o nosso ser. Pesa, pesa, pesa. A visão é comprometida, torna-se turva - e surgem vozes secas a consolar lágrimas reais ou ilusórias. "A culpa não é sua." Acreditamos, projetando mágoa a outro autor do fracasso. A culpa, afinal, nem sempre é minha. Nessas palavras que viraram provérbios e ditados populares, encontramos o conforto de uma mentira. Negligenciamos a responsabilidade e esquecemos que, em vezes alternadas ou quase sempre, a culpa é, realmente, nossa.Fracasso não se trata de errar. Trata-se, simplesmente, de não acertar.
O que é certo só é encontrado após quantidade significativa de tentativas. Experiências, testes, riscos a serem tomados. Quando não conseguimos enfrentar nossos desejos, surge uma frustração estranha por nossa própria existência. Culpa e arrependimento se confundem com frequência - porque fizemos o que não queríamos ter feito e deixamos de fazer o que queríamos.
Não basta ser cabeça aberta e ficar a mercê do outro - é preciso mostrar nossa essência àqueles que estão conosco. Aqui falha a teoria que separa razão e emoção. Como pensar rápido e encontrar uma solução a um problema completamente passional, sem deixar que a sensibilidade nos afete de qualquer maneira? Como tomar uma decisão imprudente, sem avaliar minimamente a situação que se desdobra perante nós?
Talvez a Psicologia já tenha estudado grande parte da culpa do ser humano - fatores de maioridade mental, lucidez, ou sei lá mais o quê. Lamento desapontá-lo - lamento, sinceramente, pois fiquei deslumbrada com seus hábitos -, mas não estou familiarizada com qualquer teoria proposta por Freud, Nietzsche ou um outro que fuja ao clichê. Estou, porém, bastante familiarizada com minhas próprias oscilações de humor, com meus próprios sonhos, com meu próprio labirinto emocional.
Penso que todos somos iguais (em potencial). Qualquer um de nós pode acordar mal humorado ou duvidar da existência de Deus. Qualquer um de nós pode se sentir inseguro ou rejeitado, e igualmente sentir-se bem consigo mesmo. Qualquer um de nós pode esconder lágrimas ou autoria de lindos sorrisos. Qualquer um de nós pode se sentir esquecido, traído, deslocado.
E qualquer um de nós pode ser o herói de qualquer outro de nós.
Eu descobri algo fantástico ao longo dos noventa e nove testes que me trouxeram até aqui: descobri que, como Me. Agathe anunciou certa vez, "nós sempre podemos mais do que imaginamos." Aprendi que nós mesmos impomos obstáculos a nossas trilhas e que, bem como os instalamos, podemos retirá-los. Quando deixamos cones laranja obstruírem a entrada de pessoas em nossas vidas, terminamos voltando à tristeza e à solidão sem ciência de um porquê.
É difícil falar - mas é preciso falar.
O falso sufocamento que impede concentração e coragem de nossa parte é, além de medo, orgulho. Um medo de ferir o nosso orgulho. Se pudéssemos ignorar o engasgo em nossa garganta e ritmar respirações longas e pausadas, conseguiríamos, no mínimo, uma chance de escutar. É importante afastarmo-nos brevemente, analisar o quadro no qual nos encontramos e buscar uma real solução ao embaraço que temos à frente.
Escutar o quê? Há vezes em que se trata de uma música. Há outras em que se trata de um longo casamento marcado por desconfiança, mais em que se trata de um abraço, mais em que se trata de um mal entendido, mais em que se trata de medo. Às vezes, um sorriso já basta. Às vezes, um sorriso transborda - extrapola, inunda, expõe.
Não há certezas nos riscos conjuntos. Vivemos em diálogo, sensíveis a respostas improvisadas. Como vivos estão sujeitos à morte, os sucedidos estão sensíveis a fracassos - é natural. O conhecimento popular e o senso comum que passam como herança familiar só é apreendido quando posto em prática. Precisamos sangrar, sentir a dor, entender o que machuca - e então fazer sarar.
Melodramas circenses improvisados à beira da piscina ocultam o drama real como palavrões escondem o sofrimento de quem os pronuncia em oportunidades críticas. Mas por que remoer o que já foi moído?
No dia 16 de janeiro de 2014, às 22:22, estava me sentindo culpada e arrependida.
No dia 16 de janeiro de 2014, às 23:37, estou determinada a lutar por minha própria causa.
"Someone finds salvation in everyone and another, only pain... to be yourself is all that you can do" - Audioslave
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terça-feira, janeiro 14
Teste 099
Há mais nesta paisagem do que seus olhos podem ver - posso enxergar isso neles próprios, nos seus olhos. O brilho que exibem, sorrindo, para as ondas de mar que quebram à frente ilumina-me, também. A hora é chegada e você aparenta a tranquilidade em si.
Os cabelos desgrenhados pela maresia não lhe causam grande alerta - o que causaria? Seus lábios esticam-se, curvos, como uma parábola de vértice negativo.
"Já pensou em amar alguém assim?"
O silêncio perturbado faz meus ouvidos ecoarem. Me distraio com a areia molhada que envolve meus pés, porque me surpreendeu lhe admirando.
"Como assim?"
Os dentes levemente espaçados surgiram em tom de riso, esboçando as covinhas que lhe causavam mais incômodo do que deveriam. Mas você pareceu não se importar.
Deve ter encontrado confusão em minha face e, em simetria, enrugou a testa: "Não se preocupe."
Não soube distinguir a voz; vinha de todos os lugares. O sol que emanava de nossa pele me fez perceber o que você queria dizer.
O calor nos fazia evaporar, mas era bom. Sentia que sumia dentro de você, e me sentia bem, por inteiro. Você se sentia assim também.
Percebi quando gargalhamos e não nos importamos com as marquinhas em nossas bochechas - ficamos ainda mais feliz(es) por isso.
Os passos que marcavam a orla eram de nossos pés descalços, caminhávamos em perfeita harmonia. Erguemos nossos braços às nuvens que escondiam-se pela noite que devorava o crepúsculo, respirando o mesmo ar.
"Já pensou em amar alguém assim?"
Pensamos, dissemos e repetimos. Rimos de nós mesmos.
Meus braços envolveram o seu corpo bem como o meu corpo envolveu seus braços.
A água salgada nos alcançou, gelada. Sentimos, em unidade, os pelos eriçarem-se por todo o comprimento do corpo.
Eu queria poder nos admirar naquele instante, mas você sabia que estava radiante - e eu sabia, também.
Porque éramos um só.
Já pensou em amar alguém assim? E assim amar a si mesmo?
"Amar a si mesmo é o início de um amor para toda a vida." - Oscar Wilde
Beijocolates,
#V
domingo, dezembro 1
Teste 098
(1)Gosto de falar com pessoas estranhas. (2)Meu altruísmo já me meteu em problemas. (3)Me derreto com letras de músicas melosas, ainda que sejam de artistas bobinhos. (4) Sou terrivelmente tímida. Muitos são os desacreditados disso, mas só porque são ainda mais tímidos que eu. (5)Não namoro os Beatles. (6)Não sei qual é a família dos halogênios. (7)Cuscuz é, sem dúvida, minha comida favorita (8)Adoro chatear as pessoas de quem eu gosto. (9)Fico azeda se não receber minha cota de abraços. (10)Sou implicante até o último momento. (11)Extremamente orgulhosa. (12)Nego rubores eventuais. (13)Não como sobremesas. (14)Tenho mais amigos que amigas. (15)Às vezes, dá um bug na vida. (16)Adoro elogios, mas sempre os rebato. (17)Posso ser muito rude sem intentar. (18)Sou assaltada por lembranças constantemente. (19)Tenho os meus arrependimentos. (20)Não levo o sexo casual numa boa. (21)Acho que o mundo é heterossexualista. (22)Sou péssima em Redação. (23)Danço sozinha com frequência. (24)Já fiquei pra titia. Tenho duas sobrinhas e um sobrinho. (25)Os amigos que mantenho até hoje são as melhores coisas que já me aconteceram na vida.
#V
segunda-feira, novembro 11
Teste 097
Seu cheiro me faz mal. Porque me faz lembrar da amizade que se esgotou entre nós. Deixamos o rio correr em uma cascata à qual não nos atiraremos - não sei se tem medo de altura.
Você sentiu? Ouviu? Viu acontecer? Concordo: foi rápido demais. Como pude segurar com tanta cautela algo invisível que esvaiu-se repentinamente de meus dedos e zelo?
Deixou de existir. Percebi em seu olhar fixo e alarmado, quando afastou-se bruscamente. Tentei buscar você. Era tarde demais.
Sonhos estranhos. Desconhecidos. Trocamos olhares e palavras educadas eventualmente, mas por quê? Sempre soube que era mal educado...
O perfume impregnado em minhas roupas me torturam. Quero que saia de mim - por que não sai? Parecia decidido a ausentar-se. Sequer olhou para trás ao ir embora. Nem mesmo uma centelha de arrependimento fez brilhar seus olhos hostis. Lamento. Lamento profundamente por não mais fundamentar conforto em seu, nosso abraço - rijo, forçado. Quem é o culpado?
Não sei.
De onde vem o aroma? Por que não o encontro para usá-lo em lembrança masoquista? Não o encontro nem o perco. Permaneço estagnada no que é morno e desagradável. No incerto. E, por essas incertezas, não sei o que fazer. Não sei que rumo tomar. Não mais serei rei, rirei, chorar - irei?
Não sei, não sei...
"Te tenho amor, te tenho horror, te faço amor..." - Raul Seixas
Beijocolates,
Você sentiu? Ouviu? Viu acontecer? Concordo: foi rápido demais. Como pude segurar com tanta cautela algo invisível que esvaiu-se repentinamente de meus dedos e zelo?
Deixou de existir. Percebi em seu olhar fixo e alarmado, quando afastou-se bruscamente. Tentei buscar você. Era tarde demais.
Sonhos estranhos. Desconhecidos. Trocamos olhares e palavras educadas eventualmente, mas por quê? Sempre soube que era mal educado...
O perfume impregnado em minhas roupas me torturam. Quero que saia de mim - por que não sai? Parecia decidido a ausentar-se. Sequer olhou para trás ao ir embora. Nem mesmo uma centelha de arrependimento fez brilhar seus olhos hostis. Lamento. Lamento profundamente por não mais fundamentar conforto em seu, nosso abraço - rijo, forçado. Quem é o culpado?
Não sei.
De onde vem o aroma? Por que não o encontro para usá-lo em lembrança masoquista? Não o encontro nem o perco. Permaneço estagnada no que é morno e desagradável. No incerto. E, por essas incertezas, não sei o que fazer. Não sei que rumo tomar. Não mais serei rei, rirei, chorar - irei?
Não sei, não sei...
"Te tenho amor, te tenho horror, te faço amor..." - Raul Seixas
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segunda-feira, outubro 28
Teste 096
Mais uma vez, que conste: os nomes são meramente ilustrativos. Somos eternas crianças, não conseguimos montar uma boa visão sem figuras, ao fim das contas.
ACASOS
mil acasos me levam a você...
Houve, evidentemente, um desses imprevistos maravilhosos que me encantou bastante. Por ele, você lê as palavras que escrevi há tempo com um sorriso satisfeito no rosto. Por ele, fui seduzida aos sonhos que nos escapam à vista, esperançosa a realidades iminentes.
Surgiu sem motivos aparentes, com os ouvidos entupidos por bolinhas de guardanapo. A música alta não causava apreço significativo aos que se reuniam ali.
"Ei!" virou-se, desobstruindo audição. "Teu nome é Alfredo?"
A confusão escrevia-se em seu rosto: "Não, é Jáder..."
"Eu posso te abraçar?"
Entre tantos ditados e provérbios e parábolas e lendas e frases-de-vovó, há algo a dizer que as melhores coisas chegam sem aviso prévio, mas isso não quer dizer que não já estávamos esperando. Estamos sempre a postos para a chegada de nossos sonhos - às vezes, é verdade, somos surpreendidos pela realização daqueles cuja urgência não nos perturbava. Idealizamos mil modos a cumprir almeijo, embora quase sempre acabemos conduzidos pela arritmia em nosso peito.
Fingimos surpresa a nós mesmos quando a bondade invade nossas vidas. Não nos surpreendemos de fato. Pacientemente, havíamos aguardado a boa nova por eternidades, em conta do desejo por ela. Calculamos fórmulas sem fim à deriva de pensamentos que nos tolhe o sono. O destino, porém, nos prega peças ao sabotar todos os nossos planos - o faz com inteligência nobre.
"O meu nome é Magnólia" comentou, rindo da feição estranha com a qual ele recebeu a informação.
Repentinamente, os olhos de Jáder arregalaram-se, como experimentasse um raro momento de epifania: "Magnólia?" A situação agravava-se em divertimento. "Como a flor? M-A-G-N-O e o resto todo?"
"Assim se escreve o meu nome" ela riu, inocente - ou ignorante? - a respeito dos sorrisos futuramente gerados em mutualidade.
É engraçada, essa coisa toda sobre o destino - sempre o julgamos único culpado por tudo o que nos acontece. É um sentimento estoico, bem como deixar a felicidade para mais tarde - tarde esta que jamais chegará -: aceitar o que nos acontece com conformismo.
Alguma vez disse a um amigo que o que há de ser será apenas se ousarmos fazê-lo ser, pois jamais será sozinho. Se esperamos o ser ser, corremos o risco de nunca vê-lo acontecer - assim, não será o que jamais pôde ser. São ideias confusas, mas expressivas.
Esperaram a semana inteira por aquele momento. Magnólia envolveu seu pescoço com braços ansiosos e suspirou profundamente - se sentia bem. Jáder sorriu, sorriu - se sentia bem, também.
Beijaram-se - com fervor, paixão e carinho, em perfeita e incomum coerência.
Desistir não é uma opção, no fim das contas. Quando realmente queremos, lutamos; quando não, sequer pensamos sobre o assunto. Sobre isso, nas palavras de um alguém qualquer: "se você desejá-la, encontrará meios a tê-la; se não, encontrará motivos a recusá-la."
É verdade, é verdade: distante daqueles dois, dispostos a tornarem-se um só, voltei-me às baladas antigas cujas batidas nos conduzem sem nossa permissão e sorri, cúmplice de mim mesma - me era impossível não transbordar em alegria por eles.
"Noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente na insistência." - Woody Allen
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