sexta-feira, abril 10

Incertezas

[Fluxo de consciência]

A realidade do mundo agora é a pandemia do COVID-19. Quem diria que iríamos viver esse momento tão marcante na história da humanidade (será?),  esse turning point nas nossas vidas, essa REVOLUÇÃO no modo de pensar e agir mundial.

Bom, acho que ninguém diria, naturalmente (exceto Bill Gates naquela palestra naquele dia há uns anos atrás. Ele disse)

Mas, egoisticamente, a maior questão do momento para mim não é saber o quanto o mundo vai mudar, e como vai ficar a economia, e quantos dos hábitos da quarentena perdurarão no modus operandi da sociedade. Até que vale especular sobre isso, é um passatempo a se considerar, só que se perde nisso: especulação.
Não há precedentes semelhantes o suficiente para fazer uma análise comparativa, então no final das contas vai ser tão válido quanto eu especular se aquela pessoa que eu vi no Tinder uma vez poderia estar na festa que minha amiga me chamou, e se ela lembraria de mim, e se a gente se viria, e se esbarraria, e se a conversa fluiria e se a gente se beijaria no final das contas, e pautar minha decisão de ir ou não pra a festa exclusivamente nisso. Não tem garantias, né.
Então qual o sentido de fazer várias coisas agora baseado na ínfima chance das nossas especulações (falando como leiga mesmo) estarem certas?

Enfim, voltando.
A maior questão do momento pra mim não é saber o quanto o mundo vai mudar, mas sim o que é que eu vou fazer nesse tempo "livre". Se eu não faço nada eu simplesmente surto (kkk sejamos sinceras que minha cabeça acostumada a viver 10h/dia - em média - voltada ao trabalho não consegue passar dias inteiros só vendo Netflix por muito tempo). Se eu tenho coisa demais a fazer, eu surto igualmente, porque vem o medo de não dar conta da quantidade de coisas. Sendo eu a delegadora de atividades, tem sido quase uma lição de gestão em termos de prioridades e alocação de tarefas, porque, no final das contas, se eu delego tarefas demais ao meu time (eu mesma sozinha, nesse caso) e o time não consegue produzir nada por estar tendo um breakdown, é melhor delegar menos tarefas que eu saiba que eu posso dar conta e ir dando mais tarefas à medida que as primeiras forem sendo concluídas, certo? Faz sentido.

Ok, então é isso. Vou ver se funciona

segunda-feira, setembro 16

Cartinha - Copa do Mundo

Aldeia, 2012 ou 2013

Eu acho importante ressaltar que eu chorei nesse momento [de escrever a carta] porque eu estava lembrando do EAC, e eu me sinto especial demais pelo amor que eu sei que meus pais têm por mim e pelo amor que eu sinto por eles. Principalmente depois do EAC, eu acredito que venho tendo uma ótima evolução com ambos os meus pais e irmão. Sei que algo mudou e, durante o Copa do Mundo, esse sentimento tão forte que me atingiu no EAC após receber o álbum, naquele momento de tamanha fragilidade, voltou com tudo através da música da família.

Não que eu seja religiosa ou acredite nesse Deus [personificado, rancoroso e vingativo, regrado e restritivo, que discrimina a quem vai distribuir amor e paz] que aqui e em todos os outros lugares sempre é mencionado e descrito, mas o amor e emoção transmitidos nas palestras ("partidas") é tão forte e passa mensagens tão importantes (menos a da sexualidade, WTF) que eu me sinto errada se aquilo não surtir algum tipo de efeito. Todo o carinho e afeto posto pela equipe que trabalha para o encontro dar certo é de grande importância. É como se você sentisse que alguém se importa em fornecer o melhor possível.

[A única forma que eu consigo ouvir os discursos e participar dos momentos desses encontros religiosos é redefinindo o que significa Deus. Assumindo uma interpretação alternativa para as discussões que tivemos]

[se] Deus = amor, carinho, beleza, felicidade, alegria, cuidado, paz, natureza, naturalidade, afeto. [então] Meus amigos são Deus, minha família é Deus. De uma forma ou de outra, não posso viver sem esse Deus. Mas esse meu ["] Deus ["] não tem regras, mandamentos ou qualquer coisa a ser questionada. Ele é meu e meu somente.

[Hoje em dia me dói pensar em amor e tudo isso como "Deus". A palavra se deturpou em tanto ódio e repressão ao qual foi associada. Se o governo usa o nome "Deus" pra justificar atrocidades, crimes contra a população, injustiças etc. Se pessoas usam "Deus" pra matar, descriminar, violentar, excluir. Se o mundo usa "Deus" pra forçar uma determinada conduta, baseada em falsas morais e manipulação, quem sou eu pra chamar AMOR de "Deus"?? Meus amigos e família estão acima disso]

quarta-feira, setembro 12

O estojo caindo é a nova gota d'água

      Lembro muito bem de um dia que eu estava no 3º ano do Ensino Médio, estressadíssima com todo o assunto que eu precisava estudar, com as provas do colégio que ainda tinha pra fazer, os exercícios da apostila verde que eu tinha que terminar antes de receber a apostila vermelha que viria em seguida.
      Deu o intervalo ao fim da aula de redação e eu resolvi ficar na sala pra estudar, ao invés de sair e desopilar um pouco (eu tinha essa tendência de esquecer que eu não era uma máquina - e hoje em dia já sei que até máquinas, se forçarmos sua capacidade, têm maior chance de quebrar (olha só, eu faço engenharia)).
      Lá estava eu, sentada na banca com as duas mãos puxando o cabelo pra longe do rosto pra poder ler a questão (nessa época por algum motivo eu me recusava a prender o cabelo, por tudo que fosse mais sagrado).

E aí

      meu estojo

         caiu
     no
      CHÃO

O mundo acabou

      Era uma clara metáfora que o universo plantou na minha manhã para ilustrar o quanto tudo estava dando errado, como eu não conseguia ter controle sobre a minha vida e nem pra manter o bendito estojo em cima da mesa eu tinha capacidade. Comecei a chorar enquanto recolhia tudo e punha de volta dentro do estojo, já antecipando o quão inútil isso era, visto que eu eventualmente o derrubaria de novo e precisaria recolher de novo.


Drama.

      Hoje em dia eu olho pra essa situação e acho um misto de cômico com desesperador. Feito aquele meme do golpista rindo mas preocupada.
     O estojo não é o problema, mas lá estava eu descontando todas as minhas frustrações em cada lápis que eu tirava do chão. O estojo nunca foi o problema, né. Já tantas outras vezes ele caiu e eu apanhei do chão sem nem pensar, no meio de uma conversa, ou até em casa, sei lá.
      Estojos caem.
             Esse não era o meu ponto...
   O meu ponto era que eu percebi em mim (e em outras pessoas com quem tenho contato o suficiente) essa tendência de buscar um bode expiatório pras coisas. O fato de mainha não estar em casa ontem quando veio o costureiro e eu que tive que ficar lá com ele enquanto ele fazia o serviço, mesmo tendo outras coisas pra fazer, não é culpa do costureiro nem de mainha. Eu só me incomodei com a situação porque estava com as tais outras coisas pra fazer. Tá entendendo? (disse eu, para mim mesma).
    O meu ponto é que a responsabilidade do que acontece conosco é nossa. Bem como qualquer estresse decorrente disso. Como já disse Hiago (2016) após uma colega reclamar de sobrecarga, "[...] e fui eu que fui no siga e te matriculei nessas cadeiras tudinho, foi?". Bem colocado, Hiago. Não foi você quem fez a matrícula da outra pessoa. E também não é culpa dos professores que ela se matriculou nas disciplinas deles.

Me perdi na linha escrevendo esse texto, mas a ideia final era: Júlia, minha querida eu, não se irrite com quem não tem nada a ver com a história só porque eles apareceram na hora errada. Ter raiva do estojo não muda nada.

domingo, setembro 2

Te vejo na Turquia

Os "- Nunca mais." que deixam de existir, em um último apelo, na eterna resistência a fechar os ciclos da vida.

Se a gente não diz adeus, todo tchau é um até mais

quarta-feira, agosto 23

Essa coisa que tá acontecendo/vai acontecer

"E o que vai mudar?"
Mas que pergunta
Como posso dizer o que vai mudar
                                     (ou não)
Se nem sobre o passado tenho opinião

Dizem que vai ser bom
Então "é pra ser bom"?
Os momentos
Os sons
Os tons
           de fala

Os avisos e o pressuposto da imaturidade
(e a minha impressão de que estão enganados)
(e o constante sentimento de que estão enganados, mas será que estão?)

A viagem que busca o eu
Mas quanta expectativa depositada sobre uma oportunidade do acaso
Ou será que foi sorte?
Ou será que foi merecido?
E o que é merecimento?
Mais questionamentos

O poema que busca o eu
Mas que viés
O ponto de vista meu
Não se sobrepõe ao teu

É aquilo da realidade
Que na verdade é memória
E na real é impressão
Boatos que é ilusão
Eu gosto é de brincar sem me quebrar
Aí a gente cria o que dá

Mas as rimas pobres
E os versos curtos
Não representam bem o agora
Ou a inquietude misturada com paz
Nem sei mais

O potencial escondido a ser revelado
O potencial de quem? Meu?
Ou seria um conforto interno
Pra fingir que isso não distoa do resto da aplicação do dinheiro público
Que por acaso não foi roubado

E eu, tão fria, mas tão quente,
Jogando com a profundidade
Que fica à flor da pele
Pois dentro já não mais cabe
Ardente

E tão exposta que menosprezada
Tão evidente que mascarada
Quem acredita nessa profundidade rasa?

xu

segunda-feira, abril 17

Carta para o cara escroto que me tornou uma pessoa simpática

Essa é uma das várias cartas endereçadas a pessoas que provavelmente nunca as lerão. Que tipo de pessoa é você, explosivo ou implosivo? Sempre fui boa em levar desaforo pra casa, criando diálogos hipotéticos para fazer-lhes companhia. Mas a casa está cheia. Então vamos tentar transformar esse despejo todo em arte.

Caro H,
Tudo bem se eu te chamar de H? É que eu nunca descobri o seu nome...
Bem, olá. Eu não sei se você lembra de mim, apesar de eu lembrar de você. Não se sinta tão especial, é que eu costumo pilhar numas coisas que vão pra pilha de memórias esquecidas dos demais envolvidos. Por via das dúvidas, vou esclarecer: eu tava num ônibus vazio com só mais uma pessoa, que eu não conhecia, quando você chegou. Voltando da escola com aquela farda zoada, lembrou? Digo, eu estava com a farda. Você, não. Você era um universitário. Podia ir direto da universidade pro cinema, se quisesse, e as pessoas não se incomodariam com o que você estava vestindo. Sua bolsa carteiro também estava ótima, embora não tanto para as suas costas.
Você sentou do meu lado, sendo que o ônibus era só lugar desocupado. Mas eu não achei chato. Achei bem show radical daora, na verdade. Achei incrível que um cara mais velho e claramente mais descolado que eu tivesse escolhido sentar DO MEU LADO, CARALHO, sendo que, tá ligado?!
Na época, eu estava começando a pensar sobre todo o tempo que perdemos - eu, você, a humanidade inteira - entediados, esperando que o ônibus chegue à nossa parada, ou que o médico finalmente nos atenda depois de três longas horas de espera. E eu ficava transtornada com o fato de as pessoas entediadas ficarem caladas esperando sua via sacra pessoal acabar, sendo que poderiam aproveitar esse tempo para dizer "oi" pra quem quer que estivesse ao seu lado. E o tempo de espera excruciante se tornaria tempo bem aproveitado com uma boa conversa! (Não existia WhatsApp nessa época.)
(Na minha cabeça, conhecer alguém novo sempre seria excitante e divertido, sempre seria proveitoso, sempre seria bom. É uma ideia bem inocente sobre as pessoas, porque, agora, sei que há muitas pessoas malvadas no mundo, que poderiam levar um "oi" não apenas a uma conversa extremamente desagradável, mas até a um cenário violento.) 
(Talvez você pense que eu sou paranoica por pensar nessas coisas agora, mas é muito difícil não pensar nelas sendo mulher em um país que acredita que mulheres que dizem "oi" a estranhos e acabam estupradas e/ou mortas - o que não é exatamente RARO - estavam, sem dúvida, PEDINDO PARA SEREM ESTUPRADAS) 
"O que tudo isso tem a ver comigo?", você deve estar se perguntando, H. Acontece que toda essa filosofia me levou a acreditar que eu não devia perder a chance de dizer "oi" para uma pessoa que deliberadamente sentou-se ao meu lado em um ônibus vazio e que, por isso, provavelmente, não teria uma resposta negativa à minha tentativa de conversa.
Só que dizer "oi" pra uma pessoa desconhecida em um ônibus tão vazio quanto o meu estômago não era tão fácil quanto eu pensei que fosse. Suei horrores, me tremi, fiquei tonta, mas soltei um "ah, você estuda alemão?" quando você tirou a apostila da sua bolsa.
Nossa, você guardou a apostila na hora e começou a falar. Eu nem sei mais do que você falou. Algo sobre seu curso? Engenharia, etc? Foda-se? A única coisa que me importava era que a conversa estava fluindo, e você parecia empolgado, e eu estava delirando de felicidade porque consegui lutar contra a inércia e sair do meu tédio pra trocar umas ideias com você.
Aí você me perguntou pra que curso eu ia prestar o vestibular. E não gostou da minha resposta.
Você, H, que me conhecia há menos de meia hora, de repente sabia que Psicologia não era o curso certo pra mim. Parecia muito preocupado com a minha renda, porque se demorou muito argumentando que a prática profissional nunca me enriqueceria. Disse que não tinha o que fazer com uma graduação em Psicologia. E disse que eu devia prestar vestibular pra medicina, pra me especializar em Psiquiatria, porque eu ia fazer a mesma coisa que faria se fosse formada em Psicologia, só que ganhando muito mais.
Não quis estragar o momento. Engoli e fui seguindo, até minha parada chegar. Eu desci do ônibus toda contente, sem nem perguntar seu nome, nem apertar a sua mão. Saí saltitante e satisfeita e fiquei obcecada por esse negócio de falar com pessoas desconhecidas. Tentei te encontrar pelos ônibus, mas não aconteceu. Ou talvez eu não tenha dado bola pra você. (Sinceramente, H, bem feito.) Eu comecei a falar com todo mundo. Comecei a escolher do lado de quem eu ia sentar exatamente pra conversar com aquela pessoa. Encontrei pessoas fantásticas. Gente que estudava, que trabalhava, que visitava a cidade. Conheci um dos meus melhores amigos no ônibus, e até nutri umas paqueras erradas aqui e ali. Você abriu um mundo novo pra mim. Porque deu corda ao meu papo. Muito obrigada, H, por tudo isso. Você foi uma peça fundamental para toda uma revolução em minha vida. De tímida e reservada a conversadora compulsiva. O que seria de mim sem você?
Provavelmente quem eu sou hoje, mas com uns dias de atraso.
Olha, eu não sei nem por onde começar, H. Passei todos esses anos te achando babaca porque quis ditar o meu futuro, sendo que A) Quem é você na fila do pão? B) O que você sabe sobre Psicologia, Psiquiatria e a prática profissional dessas áreas? C) Quem é você na fila do fucking pão?
Eu espero que você já saiba, mas, francamente, acho que não sabe: Não só de clínica vive a Psicologia. Doido, né? Com uma formação de Psicologia, que você disse que não dava pra fazer muita coisa, dá pra recrutar gente, dá pra elaborar estratégia de marketing, dá pra fazer teste de personalidade, dá pra facilitar oficina, dá pra melhorar motivação em equipe de futebol, dá pra ajudar professor a aprimorar metodologia de ensino, dá pra atender vítima de agressão, dá pra pensar campanha de conscientização, dá pra fazer programa educacional... Dá até pra sentar na poltrona e pedir pra outra pessoa falar mais sobre a relação os pais!
Só não dá pra medicar. Pra isso, tem que cursar Medicina, mesmo. Tem que passar pelos anos de graduação, depois de especialização, residência... aí, sim. Aí dá pra ser chamado de psiquiatra. E dá pra dizer "poxa, ainda bem que eu ouvi aquele cara do ônibus e gastei 10 anos pra sentar no meu birô e perguntar 'qual as novas?' pra alguém que pode precisar de acompanhamento. IMAGINE se eu só tivesse feito Psicologia, mesmo, e estivesse em poder de fazer isso há anos? QUE DOIDEIRA."
H, eu quero ser professora. Amo meu curso. Quero seguir carreira acadêmica. Nunca quis clinicar. Nem passar por tudo o que eu teria que passar se psicologia clínica e psiquiatria fossem assim tão iguais, mas com salários diferentes. Você não foi a primeira nem a última pessoa que me mandou "deixar dessa leseira" e me dedicar pra uma carreira médica. Na verdade, até hoje, já um pouco além da metade do curso, ainda ouço quem diga esse tipo de coisa. Mas você, H? Qual é a sua, mano? Desqualificar o futuro profissional de alguém que você acabou de conhecer... Vai te foder! Melhor contemplar a vista da minha janelinha, mesmo, e aproveitar pra agradecer - OBRIGADA, DEUS - de estar em um ônibus vazio em pleno horário de almoço. (Porra, estar SENTADA nesse ônibus já era suficiente pra rezar um terço.)
Bem, esse foi o motivo pelo qual você foi um babaca para mim durante todos esses anos. Nos últimos meses, porém, comecei a pensar, H, que complicado você escolher sentar ao lado de uma adolescente menor de idade (dados claramente perceptíveis, pois: farda) sem pedir licença, sem se preocupar se ela ia achar ruim, quando no ônibus inteiro só havia ela, você e mais uma pessoa, sentada longe pra caralho, além de motorista e cobrador. Você não me conhecia. Não tinha nada que falar comigo. Nem que ficar perto de mim, com seu braço roçando no meu. Posso não ter me incomodado então, mas sei que muitas mulheres se incomodariam com a situação. E dou total razão a elas. Talvez você não entenda muito bem, porque não precisa se preocupar com as coisas que nós precisamos nos preocupar. Mas aqui a compaixão entra com todo o seu poder: você tem que tentar se compadecer das pessoas que não estão confortáveis com sua abordagem e melhorar isso aí. Isso não serve só pra você. Serve pro cara que se acomodou entre eu e a janela, de forma que, se eu olhasse na direção dele, esbarraria meu nariz no dele. Serve pro cara que ficou me olhando a viagem inteira, descaradamente, e me deixou nervosa. Caralho, serve pra tanta gente. Pra tantos homens, sendo franca. Deixem a gente em paz, porra!
Agora, cansei.
Obrigada, e não volte,
#V

quarta-feira, abril 12

O grito

Passou uma ambulância
Passou uma ambulância com a sirene
Avisando a todos que houve um acidente
Passou a sirene e seu grito
Dizendo a todos "se importem"
Saiam do caminho e olhem pelas janelas
Pois hoje podemos perder alguém
A sirene e a lembrança de que
- Oi, somos todos gente
Uma comunidade, uma cidade
Precisa estampar no céu o rosto do doente
Ou será que basta essa sirene?


xu